2ª Jornadas de Reflexão Mutualista

CONVITE

O GRUPO DE REFLEXÃO MUTUALISTA,

tem o prazer de convidar V. Ex.ª para uma sessão das Jornadas de Reflexão Mutualista que se realizará quinta-feira dia 21 de Junho, pelas 17h45m no Ateneu Comercial do Porto, sito na R. de Passos Manuel 44, Porto. Telefone: 223 395 410.

Serão oradores nesta jornada

Hilário de Sousa (Moderador)
Alexandre Abrantes 
Eugénio Rosa 
Fernando Ribeiro Mendes
Isabel Dias 

Espera-se para breve a publicação de um novo Código Mutualista (já aprovado em Conselho de Ministros) que obrigará a alterações de Estatutos de uma parte das associações mutualistas e nomeadamente do Montepio Geral.

É o momento apropriado para refletirmos sobre os caminhos futuros do mutualismo e quais as formas como com independência, solidariedade e espírito de cidadania pretendemos fortalecer a ideia mutualista e o Montepio

Teremos oportunidade de ouvir diferentes perspectivas sobre o associativismo e sobre o mutualismo que se enquadram na necessidade de procurar novas soluções que sirvam os 620.000 associados e que permitam continuar a aumentar a importância do mutualismo no futuro.

Esperamos poder contar com a sua presença, para estarmos

Juntos pelo Montepio

Nota: prevemos que a sessão decorra entre as 17h45m e as 20h.

Notas curriculares dos nossos oradores

Hilário de Sousa

  • Licenciado em Humanidades e Mestre em Educação.
  • Inspetor da Inspeção-Geral da Educação e Ciência/Equipa Multidisciplinar do Ensino Superior e Ciência.
  • Presidente da Casa do Professor.
  • Administrador da Associação para o Desenvolvimento Pessoal e Social.

Alexandre Abrantes

  • Licenciado em Medicina, Mestre em Medicina Comunitária e Doutor em Saúde Pública Professor Associado com Agregação da Universidade NOVA de Lisboa.
  • Vice-presidente e Secretário-geral da Cruz Vermelha Portuguesa.
  • Durante 25 anos fez carreira no Banco Mundial, tendo no seu último posto sido o Enviado Especial do BM para a reconstrução do Haiti.

Eugénio Rosa

  • Licenciado em economia e doutorado pelo ISEG, Universidade de Lisboa, actualmente membro do Conselho Directivo da ADSE eleito pelos representantes dos beneficiários e designado pelo actual governo.
  • Consultor económico de associações sindicais (CGTP, Federação dos Sindicatos da Função Pública e STEC)
  • No Montepio foi membro do conselho geral da Associação Mutualista (3 mandatos) e membro do Conselho Geral de Supervisão da Caixa Económica até Março de 2018.

Fernando Ribeiro Mendes

  • Economista, licenciado pelo ISEG – Universidade de Lisboa (1977), mestre pela Universidade Nova de Lisboa (1988), doutorado pelo Institut d’Etudes Politiques de Paris (1993).
  • Professor do ISEG – Universidade de Lisboa (desde 1995).
  • Membro do Conselho de Administração do Montepio Geral-Associação Mutualista (desde 2016).

Isabel Dias

  • Professora Associada com Agregação da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) – Departamento de Sociologia.
  • Investigadora do Instituto de Sociologia da Universidade do Porto (ISUP).
  • Subdiretora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
  • Desenvolve atividade de investigação nos domínios da família e do envelhecimento, mas também sobre a problemática da violência doméstica e de género.

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O GRUPO DE REFLEXÃO MUTUALISTA 

António Pimenta | Carlos Areal | Viriato Silva

JORNADAS DE REFLEXÃO – JUNTOS PELO MONTEPIO

CONVITE:

O GRUPO DE REFLEXÃO MUTUALISTA 

tem o prazer de convidar V. Ex.ª para uma sessão das Jornadas de Reflexão Mutualista que se realizará na próxima quinta-feira dia 7 de Junho, pelas 17h30m no Auditório do Montepio Geral, sito no 6.º andar deste edifício. (Rua do Ouro 219 A-241 em Lisboa)

Serão oradores nestas Jornadas:

Luís Campos e Cunha (Moderador)

Alexandre Abrantes

Eugénio Rosa

Fernando Ribeiro Mendes

Lúcia Gomes

 

Espera-se para breve a publicação de um novo Código Mutualista que obrigará a alterações de Estatutos de uma parte das associações mutualistas e nomeadamente do Montepio Geral.

É o momento apropriado para refletirmos sobre os caminhos futuros do mutualismo e quais as formas como com independência, solidariedade e espírito de cidadania pretendemos fortalecer a ideia mutualista e o Montepio.

Teremos oportunidade de ouvir diferentes perspectivas sobre o associativismo e sobre o mutualismo que se enquadram na necessidade de procurar novas soluções que sirvam os 620.000 associados e que permitam continuar a aumentar a importância do mutualismo no futuro.

 

Esperamos poder contar com a sua presença, para estarmos

Juntos pelo Montepio

 

Nota: Prevemos que a sessão decorra entre as 17h45m e as 20h.

 

Notas curriculares dos nossos oradores

Luís Campos e Cunha

  • Professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa, desde 1985, foi também docente na Universidade Católica. Foi Director da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa.
  • Vice-Governador do Banco de Portugal, entre 1996 e 2002.
  • Ministro de Estado e Ministro das Finanças do XVII Governo Constitucional de 2005-03-12 a 2005-07-21.

 

Alexandre Abrantes

  • Licenciado em Medicina, Mestre em Medicina Comunitária e Doutor em Saúde Pública Professor Associado com Agregação da Universidade NOVA de Lisboa.
  • Vice-presidente e Secretário-geral da Cruz Vermelha Portuguesa.
  • Durante 25 anos fez carreira no Banco Mundial, tendo no seu último posto sido o Enviado Especial do BM para a reconstrução do Haiti.

 

Eugénio Rosa

  • Licenciado em economia e doutorado pelo ISEG, Universidade de Lisboa, actualmente membro do Conselho Directivo da ADSE eleito pelos representantes dos beneficiários e designado pelo actual governo.
  • Consultor económico de associações sindicais (CGTP, Federação dos Sindicatos da Função Pública e STEC)
  • No Montepio foi membro do conselho geral da Associação Mutualista (3 mandatos) e membro do Conselho Geral de Supervisão da Caixa Económica até Março de 2018.

 

Fernando Ribeiro Mendes

  • Economista, licenciado pelo ISEG – Universidade de Lisboa (1977), mestre pela Universidade Nova de Lisboa (1988), doutorado pelo Institut d’Etudes Politiques de Paris (1993).
  • Professor do ISEG – Universidade de Lisboa (desde 1995).
  • Membro do Conselho de Administração do Montepio Geral-Associação Mutualista (desde 2016).

 

Lúcia Gomes

  • Licenciada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Mestranda na Universidade Nova de Lisboa.
  • Especialista em Políticas de Igualdade de Género pelo CIEG (ISCSP) e Academia Europeia de Direito (European Law Academy) Árbitra de parte trabalhadora no Conselho Económico e Social.

 

O GRUPO DE REFLEXÃO MUTUALISTA
(António Pimenta, Carlos Areal, Viriato Silva e outros)

 

(Nota: Em 21 de junho: Ateneu Comercial do Porto)

Alterações:

Moderador

Hilário de Sousa, Licenciado em Humanidades e Mestre em Educação. Inspetor da Inspeção-Geral da Educação e Ciência/Equipa Multidisciplinar do Ensino Superior e Ciência, Presidente da Casa do Professor e Administrador da Associação para o Desenvolvimento Pessoal e Social.
Oradora:

  • Isabel Dias, Doutorada e agregada em Sociologia, é Professora Associada na Faculdade de Letras da Universidade do Porto – Departamento de Sociologia.)

NÃO SÃO RARÍSSIMAS

A comunicação social mantém uma fortíssima discussão pública sobre a má gestão de uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), bem conhecida e apoiada pelo Estado, face à sua atividade relevante. Ideologicamente, este caso deu azo a dissertações diversas sobre o papel do Estado e a existência de um chamado Estado paralelo. Deverá o Estado apoiar estas organizações? Se sim, não deveria controlá-las?
Perante o alarme público que se estabeleceu, interessa analisar se o agora reprovado comportamento desviante desta organização corresponde a um caso isolado ou se, pelo contrário, é uma realidade mais ampla, tendo em conta as condições objetivas que caracterizam o funcionamento das organizações da economia social. Facilmente se concluirá que o caso em discussão pode não constituir um fenómeno raríssimo, bem pelo contrário.
O setor da economia social (ou terceiro setor, como muitas vezes é referenciado, para se distinguir do setor público e do setor privado) é muito complexo, tanto pelas entidades que o integram (cooperativas, associações mutualistas, misericórdias, fundações, instituições particulares de solidariedade social, associações com fins altruísticos – de âmbito cultural, recreativo, do desporto e do desenvolvimento local e outras) como pelas diversas atividades que desenvolvem.
Como é fácil perceber, o setor da economia social é de difícil avaliação, dada a sua complexidade, não sendo razoável tirar conclusões a partir de um caso particular. Desde uma pequena associação recreativa local até uma instituição de grande impacto, como a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa ou o Montepio Geral, existe um grande número de organizações com missões diversas e dimensões muito divergentes. Todas elas têm, porém, de obedecer a alguns princípios comuns que valorizam fortemente o seu papel.
Destes princípios, podemos elencar alguns dos que constam na lei de bases da economia social, como o primado das pessoas e dos objetivos sociais, a adesão e participação livre e voluntária, o controlo democrático dos respetivos órgãos pelos seus membros, a conciliação entre o interesse dos membros e o interesse geral, o respeito pelos valores da solidariedade (não da caridade) e da igualdade e da não discriminação, da coesão social, da justiça e da equidade, da transparência, da responsabilidade individual e social partilhada e da subsidiariedade, a gestão autónoma e independente das autoridades públicas.
Se não for respeitado algum destes princípios, o que muitas vezes acontece, abre-se a porta da oportunidade para o aparecimento de pessoas que se podem aproveitar pessoalmente dos benefícios que deveriam ser exclusivos do coletivo. Basta que os associados não escrutinem convenientemente as ações dos órgãos de gestão ou que os conselhos de fiscalização não exerçam as suas competências com o rigor que lhes é exigido. Este tema, em parte, já foi versado no jornal Vida Económica, em 15 de Setembro de 2017, sob o título «A Corte na Gestão das Organizações».
As atividades das organizações da economia social são reconhecidas, na generalidade, como importantes em áreas como saúde, proteção social, previdência, bem-estar social, entre outras, o que leva o próprio Estado a beneficiá-las com isenções fiscais e, em muitos casos, a subsidiar as suas ações. Parece evidente a legitimidade para existirem estas organizações que, historicamente, se anteciparam muitas vezes ao Estado na proteção das pessoas. Como exemplo, temos a realidade do nascimento, em meados do século XIX, de muitas associações de socorros mútuos (associações mutualistas) que asseguraram a proteção na doença ou na morte de trabalhadores, evitando a entrada na indigência das respetivas famílias. Ou seja, as funções das entidades que integram a economia social são relevantes e devem ser defendidas.
Mas nem tudo é positivo, pois demasiadas vezes as meritórias missões destas organizações são prejudicadas pelas suas próprias fragilidades. A falta de escrutínio por parte dos seus membros pode permitir o abuso de poder por parte dos titulares dos respetivos órgãos de gestão; a fraca participação dos associados nas assembleias, eleitorais ou não, faz com que os titulares dos órgãos sociais se mantenham no poder por períodos muito longos, tornando-se quase donos da organização e criando autênticas “cortes”. Estes problemas tanto abrangem as pequenas como as grandes organizações.
Nas pequenas associações, com impacto local (político, social ou económico), há a tendência para a proliferação de organizações nas mesmas áreas de intervenção (de objetivos e geográficas), com insuficientes recursos financeiros, respondendo, muitas vezes, apenas à sede de protagonismo dos seus responsáveis. E tornam-se atrativas e um meio para o apoio de carreiras políticas.
Nas organizações de maior dimensão, onde existem gestores profissionais, recursos mais avultados e grande influência política e social, a tentação pela manutenção do poder também é elevada. Aqui criam-se as célebres “cortes”, que são uma forma de manter o poder, no interesse de pequenos grupos. Como diria um amigo que admiro e muito conhecedor do setor, «as organizações associativas com “propriedade” coletiva e difusa são, muitas vezes, “capturadas” por famílias e grupos, que passam a ter a posse e o usufruto dessas organizações. Para o efeito, criam uma espécie de “corte” de amigos e de gestores profissionais subservientes, que domina e determina a govemação dessas organizações, pondo em causa a sua natureza democrática e participativa».
Na governação de uma empresa, os acionistas confrontam-se com os chamados problemas de agência, face aos gestores contratados, como o potencial conflito de interesses e o risco moral. Nas organizações de tipo associativo, os associados confrontam-se com um terceiro problema, a “criação da corte” por parte dos seus gestores. A estrutura profissional autonomiza-se, gerindo de acordo com os seus interesses, com crescente concentração do poder e afastamento dos membros e de potenciais alternativas
Naturalmente, o Estado deverá criar uma entidade independente que possa regular e supervisionar o setor social, com especial controlo sobre as organizações que subsidia, sem substituir os órgãos internos de fiscalização. Os trabalhadores, ainda que associados, estão limitados nos seus poderes de controlo por razões de segurança profissional, como é evidente.
O caso acima referenciado (o “Caso Raríssimas”) não será tão raro como se desejaria.
Não existindo limitação de mandatos, um escrutínio forte dos associados e uma fiscalização eficiente pelos órgãos respetivos, haverá sempre muitos casos polémicos, tanto de pequenas como de grandes dimensões. Uma entidade reguladora poderá ajudar no bom desempenho, mas não é suficiente.
António Guimarães Pimenta, Licenciado em Economia – Faculdade de Economia do Porto 

Publicado pelo jornal “Vida Económica” de 5.1.2018

O Idoso Insatisfeito

IDOSO-cópia Sentimento

Pumba! De um dia para o outro, Carlos passou de «Ativo» a «Idoso». Sem período de adaptação, foi uma mudança instantânea, não sentiu qualquer alteração física, apenas sentiu um abalo psicológico. O que é ser idoso? De acordo com Dicionário da Língua Portuguesa Contemporâneo, Academia das Ciências de Lisboa, Idoso é “Pessoa de idade avançada”, “Ancião”, “Velho”. Conclusão: de um dia para o outro «passei de ativo a velho!», disse Carlos.

Para fins estatísticos, «Idoso» é um “indivíduo com 65 e mais anos de idade”. Até esta idade e desde os 15 anos é considerado «Ativo». Com menos de 15 anos é um «Jovem». A passagem de «Jovem» a «Ativo» é uma barreira que nem se nota, poderá ser um «Ativo» e durante muito tempo beneficiar do estatuto de «Jovem», enquanto um «Idoso» passa logo a ser idoso.

Socialmente, o idoso é representado como uma pessoa frágil, dependente, carente. Basta estar-se atento às notícias, “assalto a uma residência, maltratados dois idosos”; “acidente grave de automóvel, morreu um idoso” (era o condutor que, por acaso, só tinha 62 anos); ”idoso morre após queda da varanda”: ”idosa morre em incêndio da habitação”, como muitos outros exemplos poderiam ser apresentados. Tantas têm sido referências na comunicação social que seria fácil admitir que idoso poderia ser considerada a palavra do ano, no âmbito da iniciativa da Porto Editora.

A título de teste, sobre a conotação desta palavra, «há dias, perguntei ao meu neto se me achava um idoso», disse Carlos. Ele ficou perplexo, hesitou  e não respondeu. Carlos não esperava outra reação, afinal a conotação é tão desagradável que não é fácil admitir que um avô ativo possa ser um idoso.

Dada a conotativa fragilidade dos idosos, muitas são as soluções para a sua proteção e lazer. Com simpatia, a CP concede, aos maiores de 65 anos, descontos de 50% nas viagens de comboio, mas não lhes chama idosos, afectuosamente chama-lhes «Sénior». Assim está melhor, dá para sentir a maturidade sem que Carlos se sinta velho.

A “coincidência do envelhecimento biológico com o risco social de velhice”¹ nasceu com a convenção nº 102 da Organização Internacional do Trabalho, em 1952 (ratificada, em Portugal, em 1992), fixando a idade de 65 anos para a atribuição da prestação de velhice, sem prejuízo dos países membros adotarem uma idade superior, de acordo com a “capacidade de trabalho das pessoas idosas de cada país”.

Em 1952, a esperança de vida à nascença de um homem português era inferior a 58 anos e, em 2015, era de 78,1 anos. Em 1952, um português com a atual idade de Carlos, estaria a atingir o limite da idade biológica esperada, daí ser classificado como idoso. Pelos últimos dados disponíveis (Pordata, 2014) a esperança de vida, aos 65 anos, é de 17,3 anos para os homens e de 20,7 anos para as mulheres. Assim, parece exagerado, com base apenas na idade cronológica, considerar idoso um homem aos 65 anos de idade.

O choque ao ser informado da «pensão por velhice» – confessou Carlos – foi tão forte que até se achou “velho”. «Não acreditei» – acrescentou – achava que era lapso, uma mera «idiossincrasia» administrativa, uma classificação como qualquer outra. De qualquer modo, Carlos, evitou mostrar o recibo da pensão à família e amigos para que não pensassem que era mesmo velho.

Estando em fase de recuperação deste choque, disse Carlos a sorrir, «levei com nova informação», foi publicada legislação que obriga a dar prioridade no atendimento a pessoas idosas, tendo em consideração a sua “idade avançada”. À cautela, como já tem 65 anos, evita demonstrar a dificuldade que os joanetes lhe causam a caminhar, não vá alguém, simpaticamente, lhe dar prioridade na fila de atendimento.

Entretanto, Carlos ficou surpreendido quando soube que a Segurança Social, agora só concede a pensão de velhice a partir dos 66 anos e 3 meses (2017). Significa que o «idoso» aos 65 anos deixou de existir? Imediatamente, promoveu um animado encontro de amigos «idosos com 65 anos», como ele, na esperança de que esteja em marcha um novo conceito de idoso. Combinaram uma jantarada a fim de lançarem um movimento dos potenciais «ex-idosos».

Pela razão

O conceito de idoso “envolve múltiplas dimensões” ² (cronológica, biológica e social) pelo que utilizar apenas a primeira pode constituir um erro grave. Raramente a idade cronológica (a idade do calendário) coincide com a idade biológica (a idade das “artérias). As notícias acima referidas pelo Carlos tiveram apenas em consideração a idade cronológica.

“A idade social dos indivíduos” não coincide com a sua “idade cronológica” e muito menos com a sua “idade biológica”². Um trabalhador que desenvolveu a sua atividade em ambiente duro e/ou adverso, ex: mineiro/lavrador, terá certamente uma idade biológica mais avançada (mais velho) do que outro trabalhador, com a mesma idade cronológica, que desenvolveu a sua atividade em setores mais amigáveis.

A não consideração destas diferenças no conceito de idoso cria a situação de mal-estar que se retratou na primeira parte do texto. Daí, “a generalidade dos idosos europeus prefere a designação de indivíduo da terceira idade, às expressões velho, idoso, envelhecido, considerando a 1ª mais dignificante”ᶟ

Será possível mudarmos o nosso conceito de idoso?

Referências

¹ Ribeiro, Fernando Ribeiro, Segurança Social o Futuro Hipotecado, FFMS, Janeiro 2011
² Magalhães, Dirceu N., A Invenção da Velhice, Resenha na revista A Terceira Idade, nº 1, 1988
ᶟ Guimarães, Paula Oliveira, O Tempo não tem Idade, Montepio Geral, 1995

SALÁRIO MÍNIMO: PRODUTIVIDADE OU DIGNIDADE?

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A retribuição mínima mensal garantida (RMMG), salário mínimo, constituiu um tema de grande discussão recentemente entre políticos, empresários e sindicalistas. Uns achavam reduzido o aumento decidido pelo Governo, outros defendiam que não se justificava qualquer aumento, por não estarem em concordância com a existência do RMMG ou porque o aumento da produtividade do trabalho não o justificava.

Claramente, mais do que um confronto entre entidades patronais e sindicatos, as divergências relevaram diferenças de ideologia. Num Estado com preocupações sociais, os problemas do bem-estar dos cidadãos e da diminuição das desigualdades exigem ações políticas que assegurem um mínimo de rendimento para os trabalhadores e para as famílias, é uma questão de dignidade.

A RMMG não pode depender exclusivamente da produtividade da economia, ainda que, como está constitucionalmente estabelecido, o seu montante deva ter em conta “o nível de desenvolvimento das forças produtivas”. Esta é uma das razões que faz com que o salário mínimo mensal em Portugal seja inferior ao da Espanha ou da França, por exemplo.

A produtividade não depende apenas dos trabalhadores, mas sim e muito mais da organização e do nível de investimento das empresas. O gestor tem por obrigação e como competência organizar a empresa mesclando os recursos de forma a obter os melhores resultados. O esforço físico ou intelectual das pessoas produzirá maiores mais-valias quando apoiados por equipamentos ou tecnologia adequados. O gestor organiza as tarefas de forma eficiente, define procedimentos e promove a marca ou o marketing. Pertence essencialmente ao gestor a responsabilidade pela obtenção da melhoria dos processos de produção e da correspondente produtividade, onde o contributo dos trabalhadores pode ser muito importante.

Significando o salário mínimo “aquilo que uma pessoa, que tenha um emprego a tempo inteiro, deve ganhar para não viver na miséria” como muito bem definiu o Professor Carlos Paz, pode concluir-se que “então o termo de comparação não deve ser a produtividade, mas sim o custo de vida”. Ou, dito de outra forma, o salário deve, no mínimo, assegurar uma vida digna, não podendo estar indexado à produtividade cujo nível depende essencialmente das empresas e dos gestores.

Em Portugal, o primeiro salário mínimo, no valor de 3.300 escudos (16,5 €), foi criado em Maio de 1974 pelo Ministro do Trabalho, então Presidente do Sindicato dos Bancários do Porto, Avelino Pacheco Gonçalves. “Foi um aumento «escandaloso» com os patrões a ameaçarem falência”, como o ex-ministro afirmou ao jornal Público (13 de Abril de 2014). O resultado foi o contrário, a criação do salário mínimo ocasionou um grande impulso na economia e permitiu que muitas famílias tivessem a sua “primeira mobília”. A medida atingiu cerca de 56% dos trabalhadores e constituiu o primeiro grande impacto no seu bem-estar. Este salário mínimo correspondia a 517,6 €, a valores de 2015, de acordo com dados da PORDATA.

Em 2015, o salário mínimo foi fixado em 505 €, estando abaixo, em termos reais, do valor decidido em 1974. As recuperações de 2016 e de 2017 poderão contribuir para recuperar algum poder de compra dos beneficiários.

A produtividade do trabalho, por hora de trabalho, em Portugal, cresceu bastante, entre 1995 e 2015, tendo passado 10,6 € para 21 € (PORDATA), enquanto a distribuição de riqueza criada pelo fator trabalho decresceu. Não parece, assim, que a produtividade do trabalho tenha sido refletida proporcionalmente na distribuição da riqueza, cabendo o maior quinhão ao capital.

Há dias, em discussão com alguns empresários e gestores, foi possível perceber que o impacto do aumento do salário mínimo nas empresas não terá tido os efeitos catastróficos que alguns políticos apresentavam. Testemunhou-se que, nas pequenas e médias empresas presentes, havia algumas diferenças. Nuns casos, já pagavam acima do salário mínimo de 557 €; noutros, houve a preocupação de manter a hierarquia anterior de diferenças salariais, a partir de 557 €.

Curiosamente, os gestores que mais reagiram negativamente foram aqueles que estão ligados à grande distribuição de produtos alimentares, defendendo que a margem de negócio não permitia o aumento do salário. Assim como foi testemunhado que uma empresa internacional de transporte de correio expresso fez refletir nos preços o aumento do salário mínimo, com perplexidade dos seus clientes. Aparentemente e contrariando as previsões, os gestores mais negativos quanto às consequências do aumento do salário mínimo não eram os das PME presentes.

Um Estado com preocupações sociais tem obrigação de regular o conflito de interesses: assegurar um mínimo de rendimento para quem trabalha, evitando problemas de pobreza e promover a redução das desigualdades, sem esquecer a realidade da economia e a boa rentabilidade das empresas

Robôs: Parceiros da Desigualdade

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A revolução tecnológica em curso tem efeitos devastadores no desemprego e no aumento da desigualdade de rendimentos e consumo. Associar robôs cada vez mais capacitados a computadores de grande potência e à tecnologia de informação em crescimento acelerado, está a transformar a nossa sociedade numa completa escuridão quanto ao futuro.

Historicamente, o progresso tecnológico tem provocado mudanças radicais na atividade económica e criado muita resistência à sua implementação. Há sempre pessoas que são afetadas nos seus interesses. A mecanização da agricultura lançou no desemprego milhões de trabalhadores agrícolas, mas estes acabaram por se deslocar para as cidades onde se empregaram na indústria; a eletricidade provocou uma enorme revolução na sociedade, eliminando muitas profissões, mas criou novas oportunidades de emprego e melhoria do bem-estar das populações. A automatização inicial das indústrias criou novas ondas de desemprego, mas permitiu o desenvolvimento dos Serviços que absorveu muita da capacidade libertada.

Em todas as épocas o progresso técnico tem permitido a melhoria da produtividade, cujos ganhos se refletiam nos salários dos trabalhadores, como demonstraram Arthur Bowley (Lei Bowley), nos inícios do século XX, e Kaldor (1961) nos seus “factos estilizados”. Só que a partir da década de 1970, “a quase perfeita correlação entre o aumento da produtividade e a subida dos salários quebrou-se” como demonstra Martin Ford no seu extraordinário livro «Robôs – A Ameaça de um Futuro sem Emprego (pag.60), 1ª edição, Bertrand Editora», particularmente visível no período 2000-2009. Começam a agravar-se aqui os problemas da desigualdade de rendimento e de consumo.

O robô que etimologicamente pode significar “trabalho forçado”, apareceu como ferramenta de apoio ao homem. O robô industrial permitia executar as tarefas mais duras, repetitivas e perigosas para as pessoas. A evolução tecnológica tem atingido tal nível de qualidade que os processos de automatização na indústria e nos serviços têm conhecido grande aceleração, colocando em risco milhões de empregos em todo o mundo. Se de início o robô existia para ajudar o homem, agora prepara-se para o substituir. As lojas comerciais tendem a desaparecer tal como as conhecemos; os operários fabris estão em risco; profissionais de elevada formação universitária começam a ficar vulneráveis; o software inteligente pode rivalizar com os analistas qualificados; profissões como radiologistas, bancários, pilotos de avião, jornalistas ou condutores de camião podem estar em risco. O impacto da inteligência artificial atinge patamares difíceis de prever.

Não é possível comparar a tecnologia da informação com, por exemplo, a eletricidade, disseminada no século XX. Ambas transformaram a sociedade de forma radical, na economia, nos negócios, nas instituições ou na vida em geral. Mas enquanto a eletricidade permitiu melhorar o bem-estar das pessoas e a promoção de novas profissões de trabalho intensivo, as novas tecnologias da informação tendem a destruir emprego não recuperável com a criação de novas atividades.

Os computadores têm evoluído exponencialmente nas suas capacidades, já integrando inteligência a nível humano, tomam decisões, pensam. A revolução tecnológica criará novas profissões que ainda não conhecemos. Muitos dos desempregados transferir-se-ão para outras atividades, alguns para emprego tecnológico bem remunerado. A desigualdade tenderá a aumentar.

O processo de automatização tende a expandir-se para áreas que não eram consideradas rotineiras, fomentando o desemprego e os baixos salários. Não é solução adotar atitudes de antiautomatização. Apenas exige que as opções políticas sejam capazes de melhorar a situação dos “desempregados tecnológicos” e de todos aqueles que estão na base da pirâmide social. Há quem defenda a adoção de soluções já muito discutidas como o “rendimento base” ou o “rendimento mínimo garantido”, admitindo, porém, que as elites com crescente influência política possam dificultar a sua implementação. Será este o caminho?

Voto em branco valorizado

Se os votos em branco ou nulos fossem valorizados, os deputados representariam maior número de cidadãos e estariam mais focados nos problemas destes, o que é o mesmo que dizer, nos problemas reais do país.

As Eleições Legislativas de 2015, em Portugal, representaram um dos principais acontecimentos do ano, não só pelo seu valor próprio, mas também e especialmente pelas consequências que provocaram a nível de formação do Poder.

Analisando os resultados, sem preocupações de caráter político, apenas utilizando uma perspectiva estatística, é possível destacar um conjunto de dados com algum interesse.Read More »

A RETOMA

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A retoma está na ordem dia. Ouve-se falar da retoma a todo o momento e em todas as circunstâncias. Ora há a retoma da confiança dos portugueses na economia. Ora há a retoma do investimento estrangeiro. Há também a retoma do crédito bancário e consequentemente, há a retoma na procura de habitação própria. E há juros baixos que facilitam a retoma da aquisição de habitação própria com recurso a crédito.

Provavelmente poderia aproveitar-se o momento para a retoma de uma discussão que não tem sido fácil: é preferível ter a propriedade de um bem (habitação ou automóvel) ou apenas o seu uso? Os portugueses tem preferido a primeira hipótese, o que nem sempre será a mais aconselhável.

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O senhor Presidente

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Português, 40 anos de idade, líder de um dos maiores bancos do mundo, com sede em Londres. Este título encheu-me de satisfação, era mais um português que atingia o topo de uma instituição da alta finança internacional.

António Simões, é este o seu nome, vai ser o Presidente do HSBC para a Europa. É necessariamente um homem corajoso ao assumir deliberadamente a sua homossexualidade e tem de ser uma pessoa de muito prestígio e competência, de contrário não seria nomeado para uma função que lhe vai exigir a recuperação reputacional do banco que se viu envolvido nos últimos anos em escândalos financeiros.

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