Desistir!

Desistir!

Cabisbaixo, encolhido na orfandade do sentir,
Desfilam ideias sombrias sob o pesado partir,
Braços caídos por terra, forças em abandono,
Horizontalmente quieto, sem o embalo do sono,
Assim me perco, na vã esperança do encontro!

Sírio Andrade
01-04-2015

Exausto

Exausto

cansado da fraude
do embuste que sou
mãos que apenas copiam
os pensamentos tidos
lidos nas imagens retidas
pelas retinas treinadas
a ver o que outros
distraídos não vêem
cansado do tempo perdido
em deixar escrito
memória da visão
adjectivos da paisagem
do sentir
do perder
da aragem
cansado das palavras
das pragas
de tudo escrever
cansado do papel
da caneta
da tinta
do fingir
cansado de ver
de querer
do agir
cansado da poesia
perdida
escrita
descrita
relatada
sem fim
sem nada!

Cansado apenas cansado!

Sírio Andrade

27-03-2015

(o)dor da Sociedade

(o)dor da Sociedade


Escrevo,
Reescrevo,
Descrevo,
Rodas soltas, engrenagens desfeitas,
Limites ultrapassados, sociedade perdida,
Pérfida e dorida, extinguindo-se na moral
Inexistente na libertinagem da liberdade,
Direitos, sempre direitos, reclamados
Concedidos, negociados, injustiça,
Injustamente arrastada no tempo,
Deveres perfeitamente incumpridos,
Sem tempo, com tempo, tudo pode,
Nada se nega, tudo se concede,
Pelo injusto e obtuso preço certo,
Acertado e concertado na inconsciência,
Consciente da ganância do eu…
Podre, o cheiro nauseabundo,
Entope-me a consciência,
Inundando-me as fossas nasais!

Alberto Cuddel

Jardim de ontem!

Jardim de ontem!

Colhi em mim as flores abandonadas
Num qualquer outro jardim plantadas
Numa qualquer esperança, ali regada
Encantamento, fonte das aves amada!

Caminhos, passeios, não levam a lugar algum,
Rodopiam, contornam, ladeiam, circundam,
Caminhos, correm, pulam, dançam, choram,
Ficam, partem, caem sozinhos na triste solidão
Sozinho assim fica sentado no único banco
Que o jardim moribundo não viu partir!

Aves que ontem se abrigavam, partiram
Os jogos de tabuleiro, acabaram
As crianças que brincavam, cresceram
Hoje passam apressadas, não param
Pobre cantoneiro saudoso, sentado
Deixado só, na saudade, tempo passado!

Alberto Cuddel®

Na Antologia Jardim de Palavras da Orquídea Edições

Ano Novo

Ano Novo

Nasce tímido e sombrio,
O Novo Ano encoberto,
Sem esperança no futuro,
Nos impondo o velho casmurro,
Novas e velhas medidas,
Que nos retiram a qualidade,
Da nossa já sofrida vida,
Ai tempos idos, ai saudade,
Dessa outra verdade,
Que oculta se esconde,
Da leviana vida que vive o Visconde…
Que do alto do seu pedestal,
Nossa vida desgoverna,
Como meros trocos na taberna,
Nos rouba o pão nos impostos e tal…
Pobre vida a nossa,
Que mansos e sem revolta acatamos,
Estes desgovernos mundanos,
Desses outros estrangeiros,
Que são verdadeiramente os seus Amos….

Alberto Cuddel®

01/04/2014

Reviver

Reviver

Revivo nas voltas e voltas
De um torto ponteiro que me faz viver
Revivo na lembrança presente
Que não me deixa esquecer
Revivo presentes passados futuros
Revivo desejos insanos e impuros
Revalido o meu querer no reflexo
Que me imponho ao me ver
Revivo na entrega que faço
No amor com que me entrego
A mim no tempo e no espaço
Revivo em mim para me dar
Na luz da alma que emano
Sou eu que me dou não é engano
Nada me possui nada me tem
Pois eu apenas vivo
Porque hoje novamente me dei!

Alberto Cuddel
13/05/2016

A menina dança?

A menina dança?

A vida é uma eterna dança,
Avanços e recuos,
Sedutoramente compassada,
Guiada, seguida,
Sincronizada, decidida,
Regateada, esgrimida,
Apaixonante movimento,
Que nossos corpos imprimem,
Ao som dos nossos dias,
A cada acordar, nova musica,
Novo querer, nova dança,
Ora quente, ora arrastada,
Ora a pares, ora solitária,
A cada dia, a dança da vida!

Alberto Cuddel

Deixem que vos diga…

Deixem que vos diga…

Deixem que vos diga…
Que sem ocupação não há cansaço,
Que sem amor não há saudade,
Que sem prisão não há liberdade,
Que sem mentira não há verdade!
Deixem que vos diga…
Que vontade não é prazer,
Que fazer não é saber,
Que saber é partilhar,
Que partilhar é amar!

Deixem que vos diga…
Que para estar vivo não basta viver,
Que para acreditar não é preciso ver,
Que para correr é preciso andar,
Que para doar é preciso amar!

Deixem que vos diga…
Que vemos sem olhar,
Que ouvimos sem escutar,
Que tocamos sem sentir,
Que ficamos sem partir!

Deixem que vos diga…
Que se olharmos,
Que se escutarmos,
Que se tocarmos,
Que se sentirmos,
Podemos ficar,
E ver, sentir, ouvir,
Os pedidos de socorro,
Que quem nada tem,
Dos que não tem o que comer,
Dos que não tem onde dormir,
Dos que estão sozinhos,
Dos que clamam por carinhos!

Alberto Cuddel

Deixem que vos diga…

Deixem que vos diga…

Deixem que vos diga…
Que sem ocupação não há cansaço,
Que sem amor não há saudade,
Que sem prisão não há liberdade,
Que sem mentira não há verdade!
Deixem que vos diga…
Que vontade não é prazer,
Que fazer não é saber,
Que saber é partilhar,
Que partilhar é amar!

Deixem que vos diga…
Que para estar vivo não basta viver,
Que para acreditar não é preciso ver,
Que para correr é preciso andar,
Que para doar é preciso amar!

Deixem que vos diga…
Que vemos sem olhar,
Que ouvimos sem escutar,
Que tocamos sem sentir,
Que ficamos sem partir!

Deixem que vos diga…
Que se olharmos,
Que se escutarmos,
Que se tocarmos,
Que se sentirmos,
Podemos ficar,
E ver, sentir, ouvir,
Os pedidos de socorro,
Que quem nada tem,
Dos que não tem o que comer,
Dos que não tem onde dormir,
Dos que estão sozinhos,
Dos que clamam por carinhos!

Alberto Cuddel

Sustendo o ar em mim!

Sustendo o ar em mim!

Sustenho no meu peito,
O ar aprisionado de um suspiro
De um surdo gemido
Que teimo em calar,
Sopro quente de tua voz,
Desejo que me queima
Arde sangue no meu corpo
No querer da tua posse
Segura firme o meu sentir
Pressiona-me contra ti,
Luta desigual,
Cega as tuas loucas investidas,
Sussurra-me palavras,
Sopros despropositados,
Insulta-me o querer,
Deixa-me gemer,
No grito alucinante
De me entregar
Na plenitude
De ter tem em mim,
Num louco e estremecido
Orgasmo,
Que te incendeia o olhar!

Alberto Cuddel

Perdoa-me, sou mulherengo

Perdoa-me, sou mulherengo

Incorrigível pecado, confesso,
Apaixonar-me por uma qualquer,
Por outro ser, por nova mulher,
Algo me seduz, em mim impresso!

Ao domingo, mulher disponível,
Levada, trazida, assim arrumada,
Arrebata-me o desejo, casada,
Paixão assim no ser indefinível!

Segunda-feira, pela mãe ainda mulher,
Esqueço o ontem, passou e não arrefeço,
Quero-te mulher cruzei-me não esqueço,
Desejo-te no corpo, na alma, que houver!

Terça-feira, por ti mulher apressada,
Acordo, desperto, mesmo que cansada,
És por mim desejada, eu avido doente,
Apaixono-me, não por alguém diferente!

Quarta-feira, a fome de ti cozinheira,
Esse teu avental, não faz de ti menor,
Arrepias-me o ser, minha doce borralheira,
À noite, tão mulher, na cama um primor!

Quinta-feira, por ti de novo mulher-a-dias,
Tão distraída, com a pressa das limpezas,
Sei-te assim ausente, distante, diferente,
Há noite, já difícil, cansada, dormente!

Sexta-feira, por ti mulher em tudo cansada,
Um fim de semana à porta, ainda stressada,
É roupa, compras, limpezas, e outras,
Reclamo, ama-me com todas as letras!

Sábado, a mulher que me acorda,
Aspirador ao longe, batendo na borda,
Levanta-te, é de manhã, acorda,
Deita-te, ama-me, a tarde ainda vem lá?

Perdoa-me, por me apaixonar por tantas,
Por todas e por uma só, por quantas?
Sou incorrigível, não me confesso,
Ao domingo, acompanho, não dispenso,
À segunda, assumo sou pai, auxílio,
À terça, corro contigo a vida concilio,
À quarta, tempo de pausa preparo jantar,
À quinta, conforto-te cansada de trabalhar,
À sexta, mesmo confuso, não me nego ajudo,
Ao sábado, desculpa o abuso,
Mas hoje não dá para esperar,
Que se lixe a casa, suja do uso,
Pode ficar por limpar…

Alberto Cuddel®

Enraivece-me a ilusão

Enraivece-me a ilusão

Enraivece-me a ilusão
A entrega gratuita
A mentira, o engano
A sedução invejosa
O individualismo
O sofrimento causado
E mesmo assim…
De que me serve
A honestidade
Se o preconceito
De ser quem sou
Inibe-te de me
Olhares de frente…
Enraivece-me
Que ganhem
Que perca
Sendo
Ou
Não
Sendo
Meramente
Poeta!

Alberto Cuddel
‪#‎revolta‬

A noite…

A noite…

Mar de saudade
que angustiosamente
nos separa em vagas
de beijos ternos
na despedida
essa negra
Alma, invejosamente
tira de nós
a dolorosa
angustia
do desejo
apenas num doce
e terno
até amanhã
Amor!

Alberto Cuddel®

Elo!

Elo!

Não, não és metade de mim,
Sim, és tu, o suporte do todo,
Dos meus difusos fragmentos,
Partes de uma vida moldada em ti!

Cada pedaço, cada sentimento,
Cada emoção, cada angústia,
Em ti está ligado como cimento!

Ligas-me, num único ser,
Numa única vontade,
Numa verdade, num viver!

Fragmentos soltos, perdidos,
Chorosos, desligados, sofridos,
Longe e ausente, distante,
Assim em pedaços me deixas,
Se partes, quebrando os elos,
A magia que por ti me une!

Alberto Cuddel

Tristemente parti!

Tristemente parti!

Parti como tantos outros loucos mortais,
Procurando vida, sorte em outros locais,
Dor que carrego em meu peito, saber-te,
Tristemente só, como perdida, levar-te,
Desejo, que te deixei prometido na partida,
Nessa louca, dolorosa, chorosa despedida,
Vida, não era vida, sobrevivíamos,
O pouco que tínhamos, dividíamos,
Doí, mas melhores dias virão,
Agora com trabalho, ganho tostão,
Para que amanhã, as lágrimas, sequem,
Se transformem em sorrisos, e além,
Teus olhos encontrem os meus,
Nossos lábios toquem os céus,
E te possa trazer comigo!

Não fiques triste,
Seca as lágrimas,
Amanhã regressarei,
Não, não aí ficarei,
Mas irei trazer-te comigo!

Alberto Cuddel

Website Powered by WordPress.com.

EM CIMA ↑

Design a site like this with WordPress.com
Iniciar