Perdoa-me, sou mulherengo
Incorrigível pecado, confesso,
Apaixonar-me por uma qualquer,
Por outro ser, por nova mulher,
Algo me seduz, em mim impresso!
Ao domingo, mulher disponível,
Levada, trazida, assim arrumada,
Arrebata-me o desejo, casada,
Paixão assim no ser indefinível!
Segunda-feira, pela mãe ainda mulher,
Esqueço o ontem, passou e não arrefeço,
Quero-te mulher cruzei-me não esqueço,
Desejo-te no corpo, na alma, que houver!
Terça-feira, por ti mulher apressada,
Acordo, desperto, mesmo que cansada,
És por mim desejada, eu avido doente,
Apaixono-me, não por alguém diferente!
Quarta-feira, a fome de ti cozinheira,
Esse teu avental, não faz de ti menor,
Arrepias-me o ser, minha doce borralheira,
À noite, tão mulher, na cama um primor!
Quinta-feira, por ti de novo mulher-a-dias,
Tão distraída, com a pressa das limpezas,
Sei-te assim ausente, distante, diferente,
Há noite, já difícil, cansada, dormente!
Sexta-feira, por ti mulher em tudo cansada,
Um fim de semana à porta, ainda stressada,
É roupa, compras, limpezas, e outras,
Reclamo, ama-me com todas as letras!
Sábado, a mulher que me acorda,
Aspirador ao longe, batendo na borda,
Levanta-te, é de manhã, acorda,
Deita-te, ama-me, a tarde ainda vem lá?
Perdoa-me, por me apaixonar por tantas,
Por todas e por uma só, por quantas?
Sou incorrigível, não me confesso,
Ao domingo, acompanho, não dispenso,
À segunda, assumo sou pai, auxílio,
À terça, corro contigo a vida concilio,
À quarta, tempo de pausa preparo jantar,
À quinta, conforto-te cansada de trabalhar,
À sexta, mesmo confuso, não me nego ajudo,
Ao sábado, desculpa o abuso,
Mas hoje não dá para esperar,
Que se lixe a casa, suja do uso,
Pode ficar por limpar…
Alberto Cuddel®
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