Once divided, nothing left to subtract
Some words once spoken, can't be taken back
segunda-feira, dezembro 31, 2012
quarta-feira, dezembro 19, 2012
quinta-feira, dezembro 13, 2012
terça-feira, dezembro 11, 2012
sexta-feira, dezembro 07, 2012
Sonho
Afogámos a saudade segurando o olhar.
Perguntei-te se estavas feliz e para quando outro filho.
Deixaste a decisão na mão dela.
Erro, quanto a mim. Afinal estás a caminho dos 50, disse-te. É bom que te despaches.
A despedida foi o descolar das mãos.
sexta-feira, novembro 30, 2012
quinta-feira, novembro 29, 2012
Orgulho
Projectei nela o meu orgulho.
20 valores da minha estagiária na defesa da tese.
(E estar na mesa do júri, com 3 dos meus professores, de igual para igual... a cereja no topo do bolo)
20 valores da minha estagiária na defesa da tese.
(E estar na mesa do júri, com 3 dos meus professores, de igual para igual... a cereja no topo do bolo)
terça-feira, novembro 27, 2012
64 rastas
Espero que, no meio de tanto emaranhado de cabelo, ele te perceba melhor do que eu tenho conseguido.
quinta-feira, novembro 22, 2012
Repetitivo
Dou por mim a encontrar posts repetidos ao longo do percurso do blog.
Nem dou conta que tenho fases cíclicas a que correspondem as mesmas músicas.
sexta-feira, novembro 16, 2012
Fio de nylon
Pode ser fininho, transparente, frágil, mas é ele que nos sustem.
Ou, pelo menos, tenho achado que existe.
A dar aquela sensação de levitação ou de simples conexão.
É importante para mim que esse fio não se rompa. Nem que seja só eu a segurá-lo.
quinta-feira, novembro 15, 2012
terça-feira, novembro 13, 2012
Aconteceu mesmo
Mas às vezes parece que não.
Saí de mim e tornei-me noutra. Transfigurada.
"Não tens medo?"
"Não."
Antes tivesse tido.
Saí de mim e tornei-me noutra. Transfigurada.
"Não tens medo?"
"Não."
Antes tivesse tido.
quarta-feira, novembro 07, 2012
Efeito dominó
10 anos da minha vida, tornaram-me ausente. O meu alheamento causou feridas profundas em várias pessoas, uma das quais ripostou na filha. Que entretanto se sentiu ainda mais posta de parte pelo nascimento do irmão. Com esse pretexto, aboliu o pai da sua vida e confia na figura paternal do avô. Que foi um dos responsáveis pela minha vulnerabilidade a determinadas situações, as mesmas que me causaram o afastamento de dez anos.
Depois vêm as bengalas. Podia ser álcool, chocolate, ou tabaco...
Menos mal, diz ela, é só erva.
Para quê, pergunto eu.
terça-feira, novembro 06, 2012
Palavras cruzadas
Sinónimo de "apanhada numa rusga na posse de 1,21 g de haxixe", com 8 letras.
Podia ser "estúpida"... mas é "carneira"...
E eu podia estar calma, mas não consigo. Alguma coisa se vai partir e palpita-me que é a cara de alguém.
Podia ser "estúpida"... mas é "carneira"...
E eu podia estar calma, mas não consigo. Alguma coisa se vai partir e palpita-me que é a cara de alguém.
Golden eyes
Acabei de gastar cerca de um terço do subsídio de natal que não receberei, num par de lentes.
Para substituir as que comprei no ano passado, mais ou menos pelo mesmo valor.
Ou seja, ou morro cedo, ou por este andar, 600 euros a multiplicar pelos anos que ainda durarei, é muito euro.
Nunca pensei ter uma cara tão valiosa...
quarta-feira, outubro 31, 2012
terça-feira, outubro 30, 2012
segunda-feira, outubro 29, 2012
sexta-feira, outubro 26, 2012
quarta-feira, outubro 17, 2012
terça-feira, outubro 16, 2012
Fugaz
Há pessoas que deslizam pela nossa vida numa linha paralela, sem nunca ulrapassarem o espaço politicamente correto ou os limites do cordial entre colegas. Sem mais do que a troca ocasional de meia dúzia de palavras em situações de trabalho, mais ou menos próximo ou colaborante.
Ontem morreu um colega meu. De uma forma algo trágica, cortado pelas lâminas de uma motocultivadora que, acidentalmente, se ligou.
De todas as palavras trocadas ocasionalmente, não me saem da cabeça as últimas, de genuína preocupação há 8 dias, quando, por engano, me "apanhou" em casa mergulhada na escuridão de uma enxaqueca.
Há coisas que nos magoam de forma inesperada.
Esta passagem fugaz foi uma delas.
domingo, outubro 14, 2012
Hino alheio
Mas genial.
Há 15 anos que és genial, David.
Mesmo que já não faça parte da "tua" história.
sexta-feira, outubro 05, 2012
Free me
Once I hoped
To seek the new and unknown
This planet's overrun
There's nothing left for you or for me
Don't give in, we can
Walk through the fields
And feeling nature's glow
But all the land is owned
There's none left for you or for me
Who will win?
'Cause I concede
Free me
Free me
Free me from this world
I don't belong here
It was a mistake imprisoning my soul
Can you free me
Free me from this world
A world lush and blue
With rivers running wild
They'll be re-routed South
With none left for you or for me
Don't give in
Hear the engines roar
And save our crops from drought
But when the black gold's in doubt
There's none left for you or for me
Fusing helium-3, our last hope
Free me
Free me
Free me from this world
We don't belong here
It was a mistake imprisoning our souls
Can you free me
Free me from this world
Free me
I'll free you
Free us from this world
We don't belong here
It was a mistake imprisoning our souls
Can you free me
Free me from this world
Running around in circles feeling caged by endless rules
Can you free me, free me from this world
Go to sleep
To seek the new and unknown
This planet's overrun
There's nothing left for you or for me
Don't give in, we can
Walk through the fields
And feeling nature's glow
But all the land is owned
There's none left for you or for me
Who will win?
'Cause I concede
Free me
Free me
Free me from this world
I don't belong here
It was a mistake imprisoning my soul
Can you free me
Free me from this world
A world lush and blue
With rivers running wild
They'll be re-routed South
With none left for you or for me
Don't give in
Hear the engines roar
And save our crops from drought
But when the black gold's in doubt
There's none left for you or for me
Fusing helium-3, our last hope
Free me
Free me
Free me from this world
We don't belong here
It was a mistake imprisoning our souls
Can you free me
Free me from this world
Free me
I'll free you
Free us from this world
We don't belong here
It was a mistake imprisoning our souls
Can you free me
Free me from this world
Running around in circles feeling caged by endless rules
Can you free me, free me from this world
Go to sleep
quinta-feira, outubro 04, 2012
Besta
Para comemorar o Dia Mundial do Animal e do Médico Veterinário faço aqui uma homenagem às bestas.
A começar pela besta que fui há quinze anos, quando me embebedei por um cheque. Ainda por cima, falso.
Como aliás se viu, passado todo este tempo. Palavras vãs no endosso. Que se provou, seriam levadas pelo vento.
quarta-feira, outubro 03, 2012
segunda-feira, outubro 01, 2012
segunda-feira, setembro 24, 2012
quinta-feira, setembro 20, 2012
Porque sim
Now those memories come back to haunt me
They haunt me like a curse
Is a dream a lie if it don't come true
Or is it something worse
domingo, setembro 16, 2012
SANGUE DO MEU SANGUE
Não fosse o desconforto de situações e locais vividos, era um dos filmes da minha vida.
Assim, ficou-me a doer.
sexta-feira, setembro 14, 2012
terça-feira, setembro 11, 2012
sábado, setembro 08, 2012
Adivinhaste
Eddie Vedder escreveu:
"If people don't like what I'm doing I really don't have time to hear it. I'm doing something good with my life and I challenge them to do the same."
"If people don't like what I'm doing I really don't have time to hear it. I'm doing something good with my life and I challenge them to do the same."
quinta-feira, setembro 06, 2012
Extras da coordenação de Gabinete
Ao telefone
"Precisava de falar consigo a sós, como duas pessoas adultas, sem ninguém perto; estou farto de pessoas a escutar às portas..."
"Sim?... Ok... Quer cá vir ter ao Gabinete às 5? Ai, pois, amanhã à tarde não trabalha..."
"Quer vir almoçar comigo?"
"(WTF???!!!) Eh pá, isso não me dava muito jeito... mas se quiser podemos beber um café a seguir ao almoço... ou é alguma coisa demorada?"
"Não, é rápido, um quarto de hora"
Fuuuuuuuuuuuuuuuuuu................. Mas qéqéisto????
Contraditório
Hoje, e até dia 10, sou completa e absolutamente anti-comunista.
Sem nenhuma conotação política.
E uma tenda, meia dúzia de amigos (?) e um (ou vários) "cachimbos da paz", não é um acampamento... é um bando de índios peles-vermelhas na pior das acepções da expressão.
quarta-feira, setembro 05, 2012
(17) Light Years
I've used hammers made out of wood
I have played games with pieces and rules
I undeciphered tricks at the bar
But now you're gone, I haven't figured out why
I've come up with riddles and jokes about war
I've figured out numbers and what they're for
I've understood feelings and I've understood words
But how could you be taken away?
And wherever you've gone
And wherever we might go
It don't seem fair... Today just disappeared
Your light's reflected now, reflected from afar
We were but stones, your light made us stars
With heavy breath, awakened regrets
Back pages and days alone that could have been spent, together...
But we were miles apart
Every inch between us becomes light years now
No time to be void or save up on life
You got to spend it all...
And wherever you've gone
And wherever we might go
It don't seem fair... You seem to like it here
Your light's reflected now, reflected from afar
We were but stones, your light made us stars
And wherever you've gone
And wherever we might go
It don't seem fair... Today just disappeared
Your light's reflected now, reflected from afar
We were but stones, your light made us stars
I have played games with pieces and rules
I undeciphered tricks at the bar
But now you're gone, I haven't figured out why
I've come up with riddles and jokes about war
I've figured out numbers and what they're for
I've understood feelings and I've understood words
But how could you be taken away?
And wherever you've gone
And wherever we might go
It don't seem fair... Today just disappeared
Your light's reflected now, reflected from afar
We were but stones, your light made us stars
With heavy breath, awakened regrets
Back pages and days alone that could have been spent, together...
But we were miles apart
Every inch between us becomes light years now
No time to be void or save up on life
You got to spend it all...
And wherever you've gone
And wherever we might go
It don't seem fair... You seem to like it here
Your light's reflected now, reflected from afar
We were but stones, your light made us stars
And wherever you've gone
And wherever we might go
It don't seem fair... Today just disappeared
Your light's reflected now, reflected from afar
We were but stones, your light made us stars
sexta-feira, agosto 31, 2012
Dos bloqueios
Aquelas palavras que nunca mais consegui dizer.
(A não ser ao meu filho, mas num contexto completamente diferente, como é óbvio)
(A não ser ao meu filho, mas num contexto completamente diferente, como é óbvio)
quinta-feira, agosto 30, 2012
Dos limites
Sempre achei que devia impor menos limites do que me impuseram a mim.
Respeitando-se regras básicas de respeito e consideração mútuos, tudo seria fácil. Para ambas.
Afinal, fui permissiva demais.
Na ânsia de proporcionar a quem mais amo tudo o que não pude ter, soltei todas as amarras.
Agora, cada palavra soa-me como um estalo. Cada afirmação de "maturidade" torna-a irreconhecível.
Que não é perfeita como eu fui (??!!).
Que tem o direito de fazer o que entende que está correcto e não o que se espera que faça.
Que o facto de negar cada convicção, não significa falta de inteligência, mas amadurecimento. Mesmo que esse amadurecimento se faça, digo eu, à custa de mimetismos do comportamento dos outros. Dos amigos. Os tais que a puxaram para as experiências. As tais que me apavoram.
Eu sei que fiz muita merda na vida. Magoei muita gente, a maior parte das vezes esforçando-me ao máximo para não o fazer. Mas era preciso este castigo? Não aguento passar outra vez por isto. Não aguento sequer a perspectiva de poder passar outra vez por isto. Se foi difícil da outra vez, imagine-se agora com ela. A minha filha.
(por favor, acorda enquanto é possível...)
sexta-feira, agosto 24, 2012
quinta-feira, agosto 23, 2012
quarta-feira, agosto 22, 2012
Da obesidade
Não sei porquê, mas só me vêm à cabeça gatas gordas. Tipo Garfield, mas basicamente gordas, sem a parte "fofa".
sexta-feira, agosto 17, 2012
quinta-feira, agosto 02, 2012
quinta-feira, julho 19, 2012
As coisas que só acontecem aos outros II
Respondi hoje a quem me colhia sangue que a "dor" que o procedimento causará é um pormenor.
Que o fim (atenua)anula e justifica quaisquer desconfortos que os meios impliquem.
E que me sinto vencedora do Euromilhões por haver hipótese de vir a contribuir para salvar 1 só vida que seja.
A partir do ano que vem já não poderia ser dadora de medula óssea, porque atinjo a idade limite.
Ainda há conspirações cósmicas, afinal. Das boas, para variar.
As coisas que só acontecem aos outros I
Ou o sentido mais maquiavélico da expressão "quem anda à chuva molha-se".
E a impotência de quem assiste à expressão negra de pancada na cara de uma colega/amiga.
O olhar roxo de medo pela incapacidade de pura e simplesmente fugir.
E a raiva de saber que seres cobardes e inúteis serão sempre protegidos em detrimento das vítimas.
A não ser que alguém tenha a coragem de os incapacitar para sempre. Numa cadeira de rodas, por exemplo. Pena de morte não chega (a morrer, disfarçado de êxtase, está o indivíduo há anos, mas lentamente, porque até para se matar é um reles cobarde).
quarta-feira, julho 18, 2012
Calor
Dizem que o calor activa os sonhos.
Ou isso ou outra coisa qualquer, que me fez dar um pulo com aquele teu "olá" à esquina.
Ou isso ou outra coisa qualquer, que me fez dar um pulo com aquele teu "olá" à esquina.
sábado, julho 14, 2012
Blur
Terminado este ciclo, lembro-me de contornos, de movimentos, de cheiros, de pormenores, de tom de voz.
De cores, ou falta delas, de gestos, de hábitos, de sinais.
De risos, de gritos, de mimos, de olhares.
De tudo. Mais ou menos turvo, mas de tudo.
terça-feira, julho 10, 2012
Contas
Não sei porque o faço, mas faço-o. Releio-me e revisito-me nos meses de 2007 e tento perceber o que evoluiu e o que estagnou. Chego a ficar espantada com o que escrevi, não porque fosse mentira, até porque muitos desses textos, quase todos, mantêm-se surpreendentemente actuais. Mas estava tão dorida. Tão sofrida. Tão replecta de mágoa. Acho que isso foi o que efectivamente se alterou; tudo o resto, emoções, sentimentos, convicções e anseios, mantém-se. Todos. Razões e porquês.
Perdi muito, partes de mim. Ganhei outras, para sempre. Ganhei nova vida, literalmente. O que perdi é definitivo mas estará sempre comigo. Faça que contas faça, o balanço é sempre positivo.
segunda-feira, julho 09, 2012
quinta-feira, julho 05, 2012
sexta-feira, junho 29, 2012
Babel na Porcalhota
Eu bem fujo, mas há-de sempre haver qualquer coisa a empurrar-me para o granel. Tanta loja de preto a fazer rastas e tinha que ser ali. Tanta coisa que a I. podia fazer ao cabelo, mas a moda Rastafari era indispensável.
E tinha que ser hoje para ir a condizer com a molhada do Sumol Summer Fest.
quinta-feira, junho 28, 2012
terça-feira, junho 26, 2012
SOS Voz Amiga
À falta de gente com quem falar, telefona-se para a veterinária da câmara, para falar de um problema de um cão que eu não conheço, que não mediquei e que até já está bom...
sábado, junho 23, 2012
quinta-feira, junho 21, 2012
Não hei-de eu acreditar nestas coisas... :)
"O 8 de Espadas alerta para o facto de poder estar preso num emaranhado de acontecimentos que lhe tiraram a liberdade de movimentos. Mas na realidade se pensarmos bem, nada nem ninguém nos pode tirar a liberdade… Será que não está a cair numa armadilha criada por si próprio? Ajudado(a) por outros, sim acredito, mas nós temos a capacidade (que Deus nos deu) de sair, de saltar fora daquela situação que não queremos mais.
Nós não somos obrigados a nada! Foi-nos dado no Céu o livre arbítrio!
Pois, dá trabalho soltar-nos das coisas velhas, mesmo que não valham um caracol, causa dor…
Ok, causa dor… e então? Vamos acomodar-nos? Vamos deixar que a vida decida por nós o que fazer, que rumo tomar? Pois é… está a altura ideal de dar uma voltinha gira na sua vida. Sabe porquê? Porque merece tanto! Vamos, o Verão ajuda imenso nos primeiros impulsos. "
Nós não somos obrigados a nada! Foi-nos dado no Céu o livre arbítrio!
Pois, dá trabalho soltar-nos das coisas velhas, mesmo que não valham um caracol, causa dor…
Ok, causa dor… e então? Vamos acomodar-nos? Vamos deixar que a vida decida por nós o que fazer, que rumo tomar? Pois é… está a altura ideal de dar uma voltinha gira na sua vida. Sabe porquê? Porque merece tanto! Vamos, o Verão ajuda imenso nos primeiros impulsos. "
quarta-feira, junho 20, 2012
Entrelaçados
Os assuntos atropelam-se e formam uma teia que não me deixa avançar. Ora faltam vacinas, anestésicos, campos operatórios e agulhas, ora não sei se vou de férias, porque não se decidiu ainda, ora não me saltou a tampa por um milímetro (mas já me dizem que tenho mau feitio), ora as voltas que é preciso dar para emigrar desvanecem a vontade.
E a sensação com que se fica é que, se se começarem a desatar os nós, vão todos de seguida e finalmente pode-se respirar.
Os atropelos do dia reflectem-se no rebolar na cama à noite. Uma ansiedade, uma pressão no peito, que me faz acordar com as pernas moídas de tanto andar. Nem que (ainda) me pareça que estou a andar sozinha, contra tudo e contra todos.
(e lá diz a Aomame no Murakami que "All of you are trapped here. You can’t go anywhere, forward or back. But I’m not like you. I have work to do. I have a mission to accomplish. And so, with your permission, I shall move ahead")
Disconnected
There's an invisible wall between us now
I've been wrong and I've been there too many times
We walk in circles
The blind leading the blind
Well I thought that love watched over this house
But you're boarding up the windows now
We're leaning on each other so hard
Tied so tight we wound up miles apart
Making simple things so hard
I feel like I just don't know you anymore
I've been wrong and I've been there so many times
We walk in circles
The blind leading the blind
We've been disconnected somehow
segunda-feira, junho 18, 2012
"Gostava de acreditar que era verdade"
"Os finais são na realidade inícios, sem que nos apercebamos na altura."
Emily Prentiss no último episódio da 7ª temporada de "Criminal Minds"
Emily Prentiss no último episódio da 7ª temporada de "Criminal Minds"
sexta-feira, junho 15, 2012
Vaticínio vs. predestinação
Naquelas conversas desgastantes que hão-de sempre ser intermináveis, remata a minha mãe com um fantástico "cumpriste a tua promessa e estou sozinha".
Não, mãe. Tu é que cumpriste o teu destino; eu só acertei no vaticínio.
quinta-feira, junho 14, 2012
Ser adormecida
Com festinhas na cara, abracinhos, beijinhos na boca e palavras mágicas ("coisa boa...") pelo homem da minha vida.
Quando era eu que o estava a adormecer.
Rico filho.
Quando era eu que o estava a adormecer.
Rico filho.
terça-feira, junho 12, 2012
A precisar de óculos
"Felicidades para a sua carreira!", disse-me hoje um velhote. Sem ter a noção de que a dita já leva 21 anos. Ou a precisar de óculos.
Era capaz de gostar disto
Andar de tralha às costas, a vacinar cães de empreitada, a aturar donos e colar vinhetas.
Sem a pressão do exame clínico e das doenças.
Só picar e andar. Ao menos, não se pensa.
Sem a pressão do exame clínico e das doenças.
Só picar e andar. Ao menos, não se pensa.
sábado, junho 02, 2012
Murakami dixit
"Não se deixe iludir pelas aparências.
A realidade é apenas uma."
Digo eu: tomara que a realidade de que me tento distanciar, não exista de facto e seja apenas fruto da minha imaginação memória.
quarta-feira, maio 09, 2012
quinta-feira, maio 03, 2012
Born to die, porque a verdade traduzida já foi escrita
Feet don't fail me now
Take me to the finish line
All my heart, it breaks every step that I take
But I'm hoping that the gates,
They'll tell me that you're mine
Take me to the finish line
All my heart, it breaks every step that I take
But I'm hoping that the gates,
They'll tell me that you're mine
segunda-feira, abril 30, 2012
Now and then I think of when we were together ...
...
Like when you said you felt so happy you could die
Told myself that you were right for me
But felt so lonely in your company
But that was love and it's an ache I still remember
You can get addicted to a certain kind of sadness
Like resignation to the end, always the end
So, when we found that we could not make sense
Well, you said that we would still be friends
But I'll admit that I was glad that it was over
But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough
No, you didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records and then change your number
I guess that I don't need, that though
Now you're just somebody that I used to know
Now you're just somebody that I used to know
Now you're just somebody that I used to know
Now and then I think of all the times you screwed me over
But had me believing it was always something that I'd done
But I don't wanna live that way, reading into every word you say
You said that you could let it go
And I wouldn't catch you hung up on somebody that you used to know
But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough
No, you didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records and then change your number
I guess that I don't need, that though
Now you're just somebody that I used to know
Somebody, I used to know
Somebody, now you're just somebody that I used to know
Somebody, I used to know
Somebody, now you're just somebody that I used to know
I used to know
That I used to know
I used to know
Somebody
Like when you said you felt so happy you could die
Told myself that you were right for me
But felt so lonely in your company
But that was love and it's an ache I still remember
You can get addicted to a certain kind of sadness
Like resignation to the end, always the end
So, when we found that we could not make sense
Well, you said that we would still be friends
But I'll admit that I was glad that it was over
But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough
No, you didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records and then change your number
I guess that I don't need, that though
Now you're just somebody that I used to know
Now you're just somebody that I used to know
Now you're just somebody that I used to know
Now and then I think of all the times you screwed me over
But had me believing it was always something that I'd done
But I don't wanna live that way, reading into every word you say
You said that you could let it go
And I wouldn't catch you hung up on somebody that you used to know
But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough
No, you didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records and then change your number
I guess that I don't need, that though
Now you're just somebody that I used to know
Somebody, I used to know
Somebody, now you're just somebody that I used to know
Somebody, I used to know
Somebody, now you're just somebody that I used to know
I used to know
That I used to know
I used to know
Somebody
sexta-feira, abril 13, 2012
sábado, abril 07, 2012
segunda-feira, abril 02, 2012
Diferenças
Tu és voyeur... eu sou atenta
Tu espiolhas... eu tranquilizo-me
Tu invejas... eu liberto-te
Tu escondes... eu revelo-me
Tu mudaste... eu não
Tu não mudaste... eu obriguei-me
Tu odeias... eu amo.
Tu espiolhas... eu tranquilizo-me
Tu invejas... eu liberto-te
Tu escondes... eu revelo-me
Tu mudaste... eu não
Tu não mudaste... eu obriguei-me
Tu odeias... eu amo.
quinta-feira, março 29, 2012
A fome e a vontade de comer
... ou a teoria do vinho do Porto...
... ou a minha dopamina aos pulos...
terça-feira, março 27, 2012
Parting ways
http://youtu.be/Ij8RBIs4jx8
behind her eyes there's curtains...
and they've been closed to hide the flames, remains...
she knows their future's burning, but she can smile just the same, same...
and though her mood is fine today
there's a fear they'll soon be parting ways
standing, like a statue
a chin of stone, a heart of clay, hey...
and though he's too big a man to say
there's a fear they'll soon be parting ways
drifiting away, drifting away, drifting away...
drifiting away, drifting away, drifting away...
behind her eyes there's curtains...
and they've been closed to hide the flames, remains...
she knows their future's burning, but she can smile just the same, same...
and though her mood is fine today
there's a fear they'll soon be parting ways
standing, like a statue
a chin of stone, a heart of clay, hey...
and though he's too big a man to say
there's a fear they'll soon be parting ways
drifiting away, drifting away, drifting away...
drifiting away, drifting away, drifting away...
segunda-feira, março 26, 2012
sexta-feira, março 23, 2012
Orgulho e preconceito
Uma mulher é apanhada na curva por um amor improvável, surgido de uma atracção física por um homem com idade para ser seu filho. Quando finalmente nega o preconceito e embarca no sonho de uma relação tardia mas sentida, roubam-lhe a esperança e matam-lhe o futuro. Resta o orgulho nos seus princípios.
Ilusões de óptica
O cérebro (ou outra coisa qualquer) ainda me engana nalgumas esquinas e faz-me pensar que estás lá. À espera sei lá de quê.
quinta-feira, março 22, 2012
quarta-feira, março 21, 2012
A analisar as hipóteses
Estou convencida de que a felicidade é directamente proporcional ao diâmetro da barriga.
Sem outra hipótese, anseio pela altura em que serei gorda, com um avental à cintura, carrapito grisalho e muitos netos à volta para comer os meus cozinhados.
Tenho é que convencer a minha filha a dar-me netos, porque do outro, não espero chegar à idade de os ver.
sábado, março 17, 2012
Calmos
Os fins-de-semana do reencontro.
Afinal, as longas viagens não deixam margem para nada, senão cansaço.
quinta-feira, março 15, 2012
Luxo de uma vida inteira
Acabar cada dia abraçada ao meu filho, enquanto ele adormece a fazer-me festas na cara e a dar-me beijinhos à esquimó.
Com a cereja no topo do bolo de dormir a noite inteira.
Filha: onde andava eu quando tinhas 3 anos e meio?
quarta-feira, março 14, 2012
Pasto
Não sei se a idade faz com que sejamos atreitos a tudo quanto é bicheza, mas é assim que me sinto: verdadeiro pasto para manadas de vírus e afins.
segunda-feira, março 12, 2012
sábado, março 10, 2012
sexta-feira, março 09, 2012
Alegoria
Diz-se que, por cada porta que se fecha, abre-se sempre uma janela.
Hoje abriu-se literalmente uma janela, que me fechou uma porta nas trombas. Mais uma.
Alternativo
Segundo o método de ensino da escola que o V. frequenta, as aptidões musicais estão totalmente desenvolvidas à nascença, diminuindo com o crescimento da criança, se não forem devidamente estimuladas.
Fomos convidados para assistir a uma aula de iniciação musical, que visa precisamente estimular essas aptidões, sem grandes preocupações de incutir nas crianças fundamentos teóricos de música.
Resultado: rebolei no chão, bati palmas e fiz rodas e comboios com fartura. Diverti-me tanto como ele, quanto mais não seja por comprovar in loco que abandonaram de vez a tortura de há 30 anos, quando sentavam as crianças em frente a pautas nas aulas de solfejo e as obrigavam a ter aulas de um instrumento que não escolhiam e que estudavam sem gostar...
quinta-feira, março 08, 2012
Empanicada
Nunca um habitáculo me pareceu tão claustrofóbico como hoje. Costumamos caber quatro à vontade, mas hoje não havia espaço nem lugar para mim e um gafanhoto.
Maldita a hora em que se escolheu um carro que não tem portas nem janelas atrás.
Já não me lembrava de berrar tanto e tão alto.
quarta-feira, março 07, 2012
terça-feira, março 06, 2012
Quem me dera ser gata
Temos órgãos aos pares para podermos tirar um sem problemas. Ou para podermos doar a quem precise/mereça.
Qual é a dúvida, então?
Irra!
segunda-feira, março 05, 2012
Na forja
Já há personagens, cada uma com a sua história de vida, todas em interligação/turras no local de trabalho.
Versão (decerto pobre, mas igualmente hilariante) do "The Office" em português.
Não me importava era de assistir ao longe, em vez de aturar isto todos os dias.
sábado, março 03, 2012
quinta-feira, março 01, 2012
Caiu-me no colo
Saída de um qualquer livro de raças de cães, uma foto de um ramo de flores, datada de 28 de Agosto de 2000, com a legenda "You're a tear that hangs inside my soul 4ever".
Dia mau.
quarta-feira, fevereiro 29, 2012
Canudo
Num relatório de vistoria conjunta, a assinar por todos os intervenientes e submetido à minha consideração para eventuais correcções, toda a gente tem direito a "Dr"/"Dra" antes do nome, menos eu.
Ahahahahahahahh (estes gajos e o complexo do canudo...)
Ahahahahahahahh (estes gajos e o complexo do canudo...)
terça-feira, fevereiro 28, 2012
Pulo no tempo
Dei por mim a falar ao telefone com o melhor amigo da faculdade, recebendo a surpresa da voz dele sem me aperceber do time gap. Que foram só 20 anos.
E rimos outra vez como antigamente. Quase tanto riso como os nervos que contive quando ele me trocou os testes em pleno exame para ver as minhas respostas. Ou quando ele se espantou com os caracóis da permanente em plena aula prática de Bioquímica e me enfiou os dedos no cabelo, dizendo, aparvalhado, que estava gira (??). Ou quando ele assaltava o minimercado/frigorífico em minha casa. Ou quando rebolámos a rir à gargalhada em cima da cama dele, no intervalo do trabalho de grupo de Dermatologia.
Ou quando lia os postais que ele mandava de Macau, Hong Kong e Índia.
Ou quando fomos em viagem até Pinhel. Tínhamos 22 anos.
Segundo ele, tenho a mesma voz. Haja alguma coisa que permanece igual.
Tenho saudades tuas, L.!!!
segunda-feira, fevereiro 27, 2012
domingo, fevereiro 26, 2012
sexta-feira, fevereiro 24, 2012
quinta-feira, fevereiro 23, 2012
quarta-feira, fevereiro 22, 2012
segunda-feira, fevereiro 20, 2012
sexta-feira, fevereiro 17, 2012
quinta-feira, fevereiro 16, 2012
quarta-feira, fevereiro 15, 2012
Valentim
Pela primeira vez, a I. teve direito a almoço de namorados e tarde passada no jardim da Gulbenkian.
Tão queridos.
Tão queridos.
terça-feira, fevereiro 14, 2012
segunda-feira, fevereiro 13, 2012
quinta-feira, fevereiro 09, 2012
I wish
Devia ser proibido que os desejos impossíveis de concretizar crescessem na exacta proporção dessa impossibilidade.
quarta-feira, fevereiro 08, 2012
Can't Keep
I wanna shake
I wanna wind out
I wanna leave
This mind and shout
I've lived
All this life
Like an ocean
In disguise
I don't live for
Ever
You can't keep
Me here
I wanna race
With the sundown
I want a last breath
Forgive
Every being
The bad feelings
It's just me
I won't wait
For answers
You can't keep
Me here
I wanna rise
And say goodnight
Wanna take
A look on the other side
I've lived
All those lives
It's been wonder
Full at night
I will live for
Ever
You can't keep
Me here
domingo, fevereiro 05, 2012
Ramo de flores
Chegar a casa ao fim de uma semana de loucos, antecipando o cansaço extra de ter tudo por limpar nos dois dias de pseudo-descanso e brindarem-me com a surpresa de estar tudo limpo...
Sim, fez-me feliz.
Sim, fez-me feliz.
quinta-feira, fevereiro 02, 2012
terça-feira, janeiro 31, 2012
sexta-feira, janeiro 27, 2012
30 anos
É toda a minha vida. Pelo menos a que vale a pena lembrar.
Para trás havia um enorme buraco onde me enfiavam todos os dias, disfarçado de redoma nuns dias, vestido de cela, noutros.
A partir de 27 de Janeiro de 1982, descobri que havia mundo para lá do núcleo de 5 ou 6 pessoas com que me era permitido contactar.
Se aproveitei ao máximo esse mundo, duvido. Se desperdicei parte dele, com certeza. Se confundi muita coisa pela dependência que criei, também.
O resto, foi ir fazendo das fraquezas forças, o que nem sempre consigo. Mas merece que consiga.
quarta-feira, janeiro 25, 2012
segunda-feira, janeiro 23, 2012
Justiça divina ou whatever
Ao Sr. Benemérito e Solidário que participa nas campanhas da Modalfa para ajudar sei-lá-o-quê e que, por trás dessa cara de filantropo, abandona gatos à porta dos canis, mesmo depois de devidamente esclarecido da inexistência de gatil, a justiça tarda mas não falha! Próximos Jogos Olímpicos em 2016... (se calhar era melhor evitar excesso de actividade sexual com a bimba que falava por ele quando abandonaram o gato, porque isso pode agravar as lesões)
sábado, janeiro 21, 2012
(Des)feita para isto
Todos dizem que nasci para fazer o que faço.
Talvez ainda ninguém note que aquilo está a acabar comigo aos bocadinhos.
Talvez ainda ninguém note que aquilo está a acabar comigo aos bocadinhos.
sexta-feira, janeiro 20, 2012
Coincidência ou premonição
Mesmo antes de se vestir, o V. começa o dia sentado à frente do quadro de desenhar, a fazer caras (carantonhas) da mãe, do pai, da Nê, etc. São figuras ovais, com os olhos no extremo superior, muito juntos, um risco enorme até abaixo, que representa o nariz, e um traço horizontal quase pegado ao fundo, que ele diz que é a boca. Reconheceria um retrato feito pelo meu filho no fim do mundo.
Ontem, pela primeira vez desde que se iniciou este ritual, a cara desenhada foi a do Avô Mané.
Por coincidência, ou não, recebo hora e meia depois uma sms do meu pai, que estava em Santa Maria.
Começo a achar que este meu filho tem um não-sei-quê de bruxo.
quarta-feira, janeiro 18, 2012
O esquecimento não tem arte
"Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar."
Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar."
Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'
quarta-feira, janeiro 11, 2012
Desligada
"Já não sei o que te diga mais... parece que morreste."
Não direi tanto... alguém me avariou o botão.
Não direi tanto... alguém me avariou o botão.
terça-feira, janeiro 10, 2012
Dobro
Alguma razão justificará o facto de demorar o dobro do tempo a fazer o trajecto S.B.-Odivelas.
Recuso-me a aceitar que sejam mais cinco ou seis anos de idade.
(já fiz aquilo em 4 ou 5 minutos... jesus...)
segunda-feira, janeiro 09, 2012
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