Saltar a navegação

A forma como M. Alegre se sente assemelha-se à forma como muitos socialistas ou simpatizantes se sentirão tambem, surpreendidos que ficaram após 3 anos de uma governação controversa, sobretudo, nos princípios. Dentro do partido ( em quase todos) existem sempre alguns “yesman” , que para serem “adequados” fazem a vénia convenientemente e nem sequer põem em causa qualquer medida que choque com os tais princípios. Esta vivência parece uma negociação indispensável para não conflituar com a “hierarquia” conseguindo desta maneira conviver e continuar com a sua respiração política… veio, entretanto, o azedume e o balde já transbordou estando criadas as condições para a indignação e para dizer basta – e já são suficientes para criar preocupação ao “directório”. Grave é, no entanto, que entre “camaradas” sejam lançadas “arranhadelas” por se pensar diferente e talvez muito melhor. Parasitagem existe por aí em “barda” e não se incomodam nada por “rebentar” com os princípos para garantir a sucção…
Sócrates tem mesmo um “molho de bróculos” para resolver e não é só a oposição, que é fraca , mas a maior oposição tem-na dentro do partido… perdeu uma oportunidade única de governar e agora tem pelo menos duas oposições.

São mais de 4 milhares os prédios devolutos em Lisboa, degradados, abandonados, muitos com segurança muito duvidosa, parecendo que não pertencem à arquitectura da cidade. E o aspecto ? o desmazelo, o mau aspecto que transmite aos olhos dos habitantes e tambem aos turistas que vão mirando as sete colinas…
E quantas famílias sem tecto no meio desta falta de ordenamento e de legislação por cumprir?
A má urbanização da cidade que Ribeiro Teles constantemente põe em causa, malhando em ferro frio, mantem-se permanentemente como se ninguem tivesse a ver com o assunto. O pelouro para o efeito existe, mas onde está a acção?
Não são apenas os mais de 4 milhares de prédios devolutos, existem tambem não se sabe quantos milhares a necessitar de obras urgentes nas fachadas e nos interiores.
Na foto temos um exemplo, onde vivem pessoas octagenárias ocupando 3 dos 6 fogos existentes, que pagam rendas baixas, irrisórias, mas o senhorio tambem não merece mais, há mais de 3 décadas que não passa uma única pincelada no prédio… conhecido na praça… e nem sequer pode alegar falta de capital, porque os 3 apartamentos vagos estão nessa condição há mais de 10 anos. Compreende-se, é mais fácil o despejo caso o prédio desabe ou se incendeie. Com uma legislação que não o incomoda, sabe-se lá por quê (??), o prédio lá se vai degradando sob o peso centenário dos tempos e os idosos que não desistem do lar onde sentem ainda a vida trazem o credo na boca.
O que aconteceu ontem na Av. Da Liberdade é o exemplo da tragédia maior que podia ter acontecido, como no Chiado.
Lei existe, mas falta o resto – a mão pesada.

O recente não irlandês ao referendum demonstra que, pelo menos, este povo não se deixou “enrolar” pelas manigâncias tendentes a condenar o seu voto.
Se em outros países da UE a escolha foi feita na secretaria evitando a possibilidade de se ouvir a voz, excluindo de imediato “por contrato” a hipótese de ouvir o não, a Irlanda por obrigação da lei impôs a voz… escangalhou o “arranjinho” premeditado.
Se a intenção é resolver no gabinete, meus srs, alterem as regras e entendam-se…
Os povos europeus estão a tornar-se cépticos relativamente às cúpulas dos gerentes europeus, pela ambiguidade, pela falta de democraticidade, parecendo que a europa assume os mesmos defeitos e manhas dos governos de cada país. Parece uma transferência de defeitos… tal e qual.
O que vai transparecendo é que a UE deixou de considerar o bem do cidadão como questão prioritária, deixando campo aberto para a descrença e para o desinteresse.
O projecto europeu nasceu bem intencionadamente, as intenções pareciam grandiosas, com vocação de unir os povos europeus tornando-os como um bloco sólido, na fácil deslocação das fronteiras, na defesa de um mercado económico único e eficaz , globalizador , mas justo (?) e tambem protector.
Talvez a grande falência assente na escassez de grandes políticos e de pensadores honestos e , sendo assim, resulta o insucesso, que está bem à vista.

Quando o ministro afirma que o preço médio dos combustíveis em Portugal se situa na média europeia deve pensar que andamos todos a dormir. Ainda que assim fosse não coloca na mesa outro parâmetro: o salário médio e é aí que a porca torce o rabo… se pensarmos que o cidadão espanhol ganha duas vezes mais, então, o esforço que um português faz é ainda maior, isto é, paga muito acima do tal valor médio. Ao pretender justificar o injustificável torna a explicação menos razoável e coloca-nos numa posição de lorpas. Não somos produtores, não temos recursos capazes de sustentar crises, não temos… mas, podemos ter cabeça para gerir e minimizar os danos. Se os impostos sobre os combustíveis são uma fonte imediata para equilibrar contas eles podem ter um efeito ao invés baixando para níveis de surpresa, porque é impossível alimentar um burro a pão de ló.
E a Galp que dá as cartas não é a escolha certa para alimentar o burro. Experimentem eles insistir nesta pedra e verão que não têm transportes públicos para tornar o ambiente mais limpo…arranjam certamente o maior engarrafamento de sempre. Sem esquecer a agricultura, as pescas, os transportes de mercadorias…Fazem lembrar o mau comerciante que quer ganhar tudo de uma só vez esquecendo que repetindo mais vezes uma venda se obtem em muitos casos maiores vendas.Não existe concorrência e esse é o busílis…

A viagem do sr PM, eng. Socrates, tem um empenho especial pela angariação de petróleo. Mas, não só. Temos por lá muitos conterrâneos, terra onde o ouro negro custa cerca de 3 cêntimos… e a água custa quase tanto como o combustível português – ironias. Nas transacções previstas, pelo que se ouve, haverá troca de géneros, de petróleo venezuelano por leite, medicamentos, etc. Ora, por cá, existe muita gente que já “mia” com fome e com bens de primeira necessidade o que poderá levar a pensar que esses bens poderão provocar “desfalque” entre as nossas bocas. Não se trata de não pensar nos outros – falso egoísmo, não – trata-se é de pensar na satisfação dos nossos, primeiro. Fica tambem a dúvida sobre a vantagem de adquirir este petróleo – será que o vamos pagar ao mesmo preço exagerado e obsceno?

Esta viagem começou a ganhar maior dimensão por causa de uma beata, muitos oportunistas que tambem fumam se terão aproveitado para amachucar o PM à falta de outros argumentos. Arriscou-se muito Sócrates, sobretudo, quando afirmou que desconhecia a lei…que tão rigorosamente aplicaram, de tal forma que o verdadeiro sentido da viagem oficial se transformou num maço de cigarros.
Quando abordei “ao de leve” aqui sobre os conceitos, os princípios, as condutas, que nos vão guiando ou não sobre as opções políticas, sociais ou relacionais não desenvolvi ao ponto de deixar claro, pelo menos por mim falo, sobre os destinos do cidadão na sua vivência e na sua capacidade de escolher, de poder fazer inflectir a história dos acontecimentos.
Na realidade, há quem não dê já muita importância aos jogos do poder e à forma como se consegue dominar uma sociedade bloqueando-lhe os movimentos e tornando-a, assim, mais ou menos artrítica e incapaz de decidir sobre o benefício que se pretende generalizado e mais justo para todos. O interesse por certos valores, por certos temas , que deveriam estar presentes ( como uma necessidade) para debate e discussão perdeu a vontade… vamos olhando para o umbigo e, apenas, quando o vaso já estravazou lembram-nos de recorrer à esfregona.
Não é só por aqui, tambem podemos generalizar por toda a Europa… talvez porque temos outras prioridades, outros tempos, para “consumir” de forma mais agradável – pensamos.
Há quem entenda tambem, com alguma razão, que desperdiçar esse tempo com “políticos” é por si só uma verdadeira perda de tempo, consequência da desilusão que eles imprimem e provocam quando faltam à promessa… tornaram-se ( ou quase sempre foram ) em representantes do descrédito e impulsionadores da desistência. Existem, no entanto, “ameaças” à liberdade
” condicionada” – já que no estado livre não existe na natureza como qualquer objecto perfeito não existe igualmente… – e uma das maiores ameaças é deixar de dialogar e depois, escolher.
Quando B.Bastos refere no seu artigo de opinião:
“O caso italiano reflecte a crise ideológica na Europa, tanto à esquerda como à direita. Ambas demonstram ser incapazes de elaborar uma política de civilização, que se oponha a este tipo de aventureirismo e aos perigos daí decorrentes” – denuncia a sua preocupação pela estranha transformação que se vai apropriando das sociedades ditas civilizadas.
Neste artigo de J.M. Júdice tambem é interessante observar a ideia do opinador, parecendo que aquele ditado ” se não os podes vencer junta-te a eles” vinga, mas vinga, segundo JMJ, segundo uma visão meramente estratégica, porque se o PS ocupou o espaço político do PSD, só há uma alternativa e que passa pela aglutinação dos dois partidos e há razão para criar um novo partido de direita- assim assenta a sua ideia…
Era aqui que pretendia chegar – à “identidade” – que, julgo ter-se diluído para muitos que não se sentem minimamente identificados com aqueles que se dizem de “reais representantes”…

Costuma dizer-se que aquilo que está bem não deve mexer-se, embora dependa dos pontos de vista. Até pode parecer que se está sempre de atalaia observando os passos de quem “olha por nós” ( porque quem não é por nós é contra nós), mas não é essa a intenção. A intenção é tentar perceber se estão “por nós”… e fica claro que até parece que não, quiçá por não saberem fazer melhor. Este “vício”, pois assim se tornou, de tentar aproveitar todas as “migalhas” para nos sugar os fluídos com um objectivo claro de reduzir custos, recuperar parcelas que “milho a milho” reduzirão e minimizarão os danos que uma gestão desastrada anterior provocou, já cansa. Mas… digamos que azedou, digamos que esta ânsia de “mostrar trabalho” através de reformas (?) , algumas das quais assentam em tremendas injustiças com prejuízos evidentes e irreparáveis para muitos – repare-se que algumas alterações a certas leis negaram regras anteriores a partir das quais resultaram acordos, consentimentos individuais, por direitos claramente estabelecidos em dado momento e depois ultrapassadas ou “espezinhadas” com as alterações convenientes…
No caso presente, adoptar uma criança é um acto superior, que traduz uma “realização” parental, mas tambem uma oportunidade única de vida e de provável felicidade e segurança num crescimento que se pretende “natural” para o “felizardo” desamparado… daí que pareça despropositado, inadequado o pagamento destas custas com sabor a “redução do déficite”.

Pode ser que a alteração se traduza com sentido oposto, isto é, que se transforme num “subsídio” para os contemplados adoptantes, caso sejam menos favorecidos.
Este governo lamentavelmente entrou-me em canseira…

retirado do Cegueira Lusa

http://www.cegueiralusa.com/

Vergonhoso: professores das AEC não recebem  As Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC), há quem as designe de Actividades de Empobrecimento Curricular, nasceram algo tortas e, como diz a sábia voz do povo, «aquilo que nasce torto, tarde ou mal se endireita». Não querendo tomar a parte pelo todo, não me atrevo, para já, a juntar-me ao exército, que tem visto as suas fileiras engrossarem, daqueles que diabolizam as AEC. Apesar de não ser novidade para ninguém que me conheça que não concordo com o modelo adoptado nem com os objectivos (se é que estes existem) que estas se propões alcançar. Todavia, posso afirmar, convictamente, que este modelo contribui para o empobrecimento dos professores envolvidos no projecto.A trabalharem desde Setembro sem receberem um cêntimo pelos seus serviços é absolutamente inaceitável. Não esqueçamos que estes profissionais trabalham a «Recibo Verde», portanto há uma boa parte do ano em que não recebem coisa alguma. Isto já é preocupante. Pensar que estas pessoas desde Julho que não auferem qualquer vencimento suscita-me algumas questões: Quem paga a renda / prestação da casa? Quem paga a alimentação? Quem paga a água, a luz, o telefone? Como é que se vive assim? Não esqueçamos que muitos têm que se deslocar em transporte próprio para a (s) escola (s) onde leccionam. Não sei se esta situação se está a passar em todo o país. Em Viseu esta é uma realidade dramática. Parece que os vencimentos estão a ser processados…estavam…estarão…Ninguém sabe ao certo.O que sei é que há gente a vivenciar situações dramáticas. Um amigo disse-me que não sabe se o dinheiro que ainda lhe resta será suficiente para o combustível que lhe permita deslocar-se às várias escolas em que trabalha. Aqui está outra aberração: contratam imensa gente e depois atribuem apenas 12 horas a cada professor, horas distribuídas por distintos locais, obrigando a várias deslocações diárias. Se não expusesse esta situação vergonhosa e lamentável hoje, tenho a sensação de que nem dormiria em paz. Outros há que estão, dado o adiantado da hora, tranquilamente a sonhar com a cabeça na almofada. Enquanto isso, muitos fazem das tripas o coração, encetando majestosos malabarismos, para fazerem face às necessidades básicas do quotidiano.

Que vergonha!!!

O Quim que é meu amigo tem 57 anos e foi apanhado na curva. Eu explico melhor. Fez um percurso profissional como tanta gente, desempenhava uma função de responsabilidade numa empresa privada de média dimensão com uma facturação relevante, cuja rentabilidade é invejável, mesmo considerando as condições do mercado. Há dois anos confrontaram-no com o despedimento e desde essa altura tem andado aos papeis, quer dizer vive do subsídio ( tem sorte…), não consegue encontrar uma posição compatível com o seu percurso profissional. Dirão que isto é normal, que é comum, que é o pão de cada dia e, no fundo, não constitui novidade. Foi um acidente de percurso, entrou mal na curva e derrapou… Um dia destes foi chamado ao Centro de Emprego e ficou indignado; é que com ele estavam mais uma meia-dúzia que lá iam identificando a sua vidinha: um com 64 anos e com 42 anos de descontos, outro com 61 e com 41 anos de descontos, outro… mas, o espantoso é que o Quim ficou admirado quando uma senhora tambem presente tem 71 anos e estava lá , quer dizer no fundo de desemprego. As funcionárias mostraram uma perplexidade maior do que a do Quim o que o levou a perguntar se elas não estudam ou consultam o processo de cada “candidato”. Esta srª de 71 anos trabalhou vários anos e nunca descontou a não ser nos últimos anos e, portanto, quando a despediram “recolheu” ao F. Desemprego e a razão é simples, é que sendo mal paga sempre recebe mais de subsídio do que o anterior vencimento… Agora, até acabar o tempo do subsídio, o meu amigo Quim é obrigado a responder a dois anúncios mensais sob pena de lhe cortarem a “mesada”, depois de 37 anos de descontos para a S. Social. O Quim entre dois golos de uma bica contou-me:- sabes, o que mais custou foi ter assistido a cenas degradantes, uma das “sortudas” puxou das caixas dos medicamentos que toma todos os dias e desatou num pranto que tiveram que a acalmar… julgou que lhe iam tirar o único sustento.. mais me pareceu que estava num Centro de Saúde de bairro… Se tudo correr bem, o Quim vai conseguir um emprego, mas só depois de se reformar, a recibo verde. Ele diz que não se importa desde que tenha a reforma, porque pode mandar à valente merda o gajo que o vier a chatear. O Quim acha, no entanto, que merecia melhor, que isto é uma recompensa azeda de um país ingrato a quem deu muito. O que mais o aborrece é que sendo esclarecido não augura grande futuro para muitos e afirma que todos os sacrífícios não trarão melhoria, têm um reflexo imediato traduzido em piores condições na qualidade de vida. Nem consegue aturar aquelas comparações do Sócrates com os países nórdicos, que o o Quim bem conhece. Acabámos a conversa sem que antes me tenha segredado: “ aturei tanto filho de puta…”

«Corrida» aos centros de emprego
Dois dias depois de ser tornada pública a lista de colocação foram muitos os professores que se dirigiram, esta segunda-feira, aos centros de emprego. Mais de 44 mil docentes ficaram este ano fora das escolas. A ministra da Educação justifica este cenário com um desajuste entre a oferta e a procura. link

Todos os anos por esta altura repetem as mesmas dificuldades, os mesmos dramas para muitos. Se é premente ajustar quadros no sentido de se reorganizar o ensino aos vários níveis, é tambem preciso dar certezas, continuidade de projectos para quem presta essa função. Haverá certamente quem fez uma escolha profissional por esta via à escassez de outras alternativas ou saídas onde a escolha não é feita de farturas, mas muitos acabaram por considerar e assumir a escolha da oportunidade como um caminho …
É desgastante, cansativo, ouvir como justificação para os nossos males sempre a desculpa da falta de meios e sempre numa lógica economicista como se ser governo implique necessariamente “excluir” a satisfação dos desejos sociais… é que nem este nem qualquer outro governo pode afirmar que “não é a Santa Casa da Misericórdia”… e é para tratar com justiça que ele é eleito. Não pode ser nem bibelot nem feira de vaidades…
Passam à história dos esquecidos mas deixam um rasto de prejuízos.

Juntem mais uns “pós” aos 7,9% do desemprego…

Design a site like this with WordPress.com
Iniciar