Quando abordei “ao de leve” aqui sobre os conceitos, os princípios, as condutas, que nos vão guiando ou não sobre as opções políticas, sociais ou relacionais não desenvolvi ao ponto de deixar claro, pelo menos por mim falo, sobre os destinos do cidadão na sua vivência e na sua capacidade de escolher, de poder fazer inflectir a história dos acontecimentos.
Na realidade, há quem não dê já muita importância aos jogos do poder e à forma como se consegue dominar uma sociedade bloqueando-lhe os movimentos e tornando-a, assim, mais ou menos artrítica e incapaz de decidir sobre o benefício que se pretende generalizado e mais justo para todos. O interesse por certos valores, por certos temas , que deveriam estar presentes ( como uma necessidade) para debate e discussão perdeu a vontade… vamos olhando para o umbigo e, apenas, quando o vaso já estravazou lembram-nos de recorrer à esfregona.
Não é só por aqui, tambem podemos generalizar por toda a Europa… talvez porque temos outras prioridades, outros tempos, para “consumir” de forma mais agradável – pensamos.
Há quem entenda tambem, com alguma razão, que desperdiçar esse tempo com “políticos” é por si só uma verdadeira perda de tempo, consequência da desilusão que eles imprimem e provocam quando faltam à promessa… tornaram-se ( ou quase sempre foram ) em representantes do descrédito e impulsionadores da desistência. Existem, no entanto, “ameaças” à liberdade
” condicionada” – já que no estado livre não existe na natureza como qualquer objecto perfeito não existe igualmente… – e uma das maiores ameaças é deixar de dialogar e depois, escolher.
Quando B.Bastos refere no seu artigo de opinião:
“O caso italiano reflecte a crise ideológica na Europa, tanto à esquerda como à direita. Ambas demonstram ser incapazes de elaborar uma política de civilização, que se oponha a este tipo de aventureirismo e aos perigos daí decorrentes” – denuncia a sua preocupação pela estranha transformação que se vai apropriando das sociedades ditas civilizadas.
Neste artigo de J.M. Júdice tambem é interessante observar a ideia do opinador, parecendo que aquele ditado ” se não os podes vencer junta-te a eles” vinga, mas vinga, segundo JMJ, segundo uma visão meramente estratégica, porque se o PS ocupou o espaço político do PSD, só há uma alternativa e que passa pela aglutinação dos dois partidos e há razão para criar um novo partido de direita- assim assenta a sua ideia…
Era aqui que pretendia chegar – à “identidade” – que, julgo ter-se diluído para muitos que não se sentem minimamente identificados com aqueles que se dizem de “reais representantes”…