Instalando Kadee Frateschi – U23 / C30

25 de setembro de 2022

Instalar engates Kadee em material Frateschi costuma ser simples em muitos casos, mas em alguns itens tem alguns macetes que vale a pena saber de antemão.

Pretendo ir conforme vou instalando na minha frota ir anotando aqui o passo a passo para ficar de referência para outros e até mesmo para minha pessoa.

Locomotiva U23 – Frateschi

Se você não conhece engates Kadee, recomendo ler primeiramente este texto: Conhecendo os Engates Kadee.

Para instalar em locomotivas U23 / C30 (qualquer ferrovia) Frateschi, você vai precisar:

  • Locomotiva (óbvio)
  • Engate Kadee – #147 (whisker – medium underset / médio com cabeça acima do vagão)
  • grafite em pó (opcional)
  • Cola rápida (tipo superbonder, eu prefiro Tekbond)

Bom, vou mostrar como eu faço a instalação, não estou dizendo que é o melhor, nem o pior método, mas é o mais prático para mim.

A única coisa que eu não gosto é ter que colar a frente da locomotiva, mas infelizmente não sei outra forma de fazer.

O engate #147

é o mesmo do engate #5, que é o modelo mais comum e geralmente o mais usado, a diferença que o #147 é modelo whisker (não usa aquela mola “dourada” dentro da caixa, mas tem o bigodinho, pequenos fios que funcionam como mola) e além disso, a cabeça do engate fica acima da barra do engate, ele é mais alto.

Esquema do engate #147

O motivo de usar o #147, é que o suporte que vem com a locomotiva não consegue acomodar a mola “dourada” do engate #5. Você pode até usar um modelo que não seja whisker, mas ele não vai ficar centralizado automaticamente, funciona, mas na hora de engatar, pode ser necessário alinhar manualmente os engates.

O kadee comum (acima) e a versão com a cabeça deslocada acima (em baixo)

Entretanto, o suporte da Frateschi deixa o engate abaixo da altura padrão, dai surge a razão para se usar o #147, pois como ele fica mais alto, fica certinho na altura.

Instalação do Engate

Essas locomotivas mais novas já vem com suporte de fábrica, que basta você encaixar o engate e colar na frente da locomotiva. A seguir mostro com fotos o passo a passo.

Eu particularmente não gosto de ter que colar o suporte do engate, mas infelizmente, essa locomotiva não deixa outra opção.

O engate #147 e o suporte que vem com a locomotiva (este é o traseiro)
Montando o engate
Engate montado no suporte, agora é o momento de testar a mola, verifique o engate esta centralizando automaticamente, caso esteja “duro”, veja se não esta muito apertado e aplique um pouco do grafite em pó
Testando a mola do engate
Montando na locomotiva
Por fim, um dos passos mais importante, conferindo com o gabarito se a altura esta correta

Conhecendo os Engates Kadee

10 de dezembro de 2021

Este artigo tem como objetivo fornecer informações básicas, mas fundamentais sobre o que são e o uso dos engates “Kadee“. Observo nos grupos voltados para o hobby que muitos tem informações equivocadas sobre o engate, outros praticamente não entendem nada e ficam com muitas dúvidas e vários parecem ter muita curiosidade sobre o uso. Espero reunir aqui informações para ajudar os iniciantes a entender e aqueles que desejarem usar, saberem como fazer. Para o pessoal mais experiente, talvez não tenhamos muitas novidades.

Esse artigo não tem como objetivo ser uma bíblia para quem quer usar Kadee, nem cobrir todas as situações, mas sim, ajudar o ferreodemolista brasileiro a entender este engate e as formas mais práticas de usa-lo com material nacional.

Engates Frateschi e Normas

A primeira coisa que todos devem aprender é uma noção básica sobre os engates Frateschi. A Frateschi utiliza engates próximos do padrão NEM. Mas o que é isso de padrão NEM? Isso é a sigla para “Normen Europäischer Modellbahnen“, que numa tradução literal é algo como “Normas para Modelismo Europeu”, que são normas (algo similar a nossa ABNT) criadas para se padronizar o modelismo ferroviário na Europa. Entre diversos itens que essas normas normatizam, temos os engates, no caso a NEM 360 é quem define o engate padrão para ferreomodelos europeus e que conhecemos bem por aqui:

Esquema dos engates NEM, retirado da norma NEM 360

Além das normas NEM, existem as normas da NMRA (National Model Railroad Association), que é uma associação americana que define normas a serem usados pelos modelos a serem comercializados no Estados Unidos.

Tanto a NEM, quanto NMRA, possuam uma gama bem completa de normas e recomendações tanto para fabricantes, quanto para praticantes do hobby. Essas normas especificam desde medidas precisas para engates, rodas, desvios, etc, a recomendações de como fazer parte elétrica da maquete, dos modelos, sistemas digitais, etc.

No Brasil, não temos normas específicas para o hobby e a Frateschi aparentemente segue em parte as normas da Europa (NEM). Não sei ao certo o por que desta escolha, deduzo que se deve ao fato do padrão Europeu ser mais próximo do brasileiro, pois o Europeu assim como o brasileiro geralmente tem pouco espaço para sua maquete, o que resulta em raios de curva apertados e rampas mais fortes. Já os americanos geralmente possuem espaços maiores e prezam por curvas com raios mais abertos e rampas mais suaves, o que acarreta em certas decisões para construção dos modelos que tornam mais restritivos seus usos e veremos mais a frente que isso inclusive impacta os engates Kadee, tema deste artigo.

Ainda falando sobre normas, não devemos esquecer que as ferrovias reais também possuem normas, tanto as europeias, quanto americanas e aqui, as brasileiras também. O fato mais relevante aqui é que as ferrovias brasileiras, tiveram um inicio com padrão “inglês” e mais tarde passou a seguir o padrão americano, utilizado até hoje por nossas ferrovias (e os modelos de engates usado por elas).

Engates Kadee

Os engates Kadee foram criados pelos irmãos Dale Edwards e Keith Edwards, sendo o nome uma mistura das iniciais de ambos. Eles criaram justamente com o objetivo de fornecer ao hobby um engate que fosse mais realista e próximo do real, inclusive no funcionamento. Mas aqui, obviamente estamos falando engate padrão americano, que é o usado pelas nossas ferrovias atualmente.

File:Train coupling.jpg
O engate americano “padrão”, foto de Daniel Schwen – Creative Commons Attribution-Share Alike 4.0 International

O Kadee assim como o engate real possui uma “mandíbula” que é responsável pelo acoplamento dos veículos. A diferença é que as mandíbulas do Kadee se “enroscam” entre si para fazer o acoplamento, não possuindo a “castanha”, que é uma trava que existe dentro do engate real e que não deixa as mandíbulas se abrirem. A ausência do castanha, que nos engates reais não é visível externamente, apesar de não deixar o Kadee tão realista, simplifica em muito a manutenção e uso do engate no modelo, isso ao meu ver é apenas um pequeno detalhe técnico.

Vantagens e Desvantagens

Como tudo na vida, usar um determinado produto ao invés de outro, sempre tem as vantagens e desvantagens, no caso do engates Kadee, podemos citar como principal vantagem maior realismo nos modelos, em especial quanto ao tamanho do engate e a distância entre os vagões. No caso do Kadee, a distância entre os vagões é bem menor do que quando usamos o engate NEM.

Comparação de espaçamento dos vagões com Kadee (ao fundo) e com engate NEM

Outra vantagem do Kadee é o fato dele ser fixado diretamente no corpo do vagão (ou no estrado) ao invés de ser fixado nos truques, o que é mais um item de realismo para o engate e deixa os vagões mais próximos do real. Entretanto, isso torna-se uma desvantagem em algumas situações, pois isso faz com que o raio mínimo dos veículos aumente, o que pode ser um problema para quem tem maquete com curvas muito fechadas.

A principal desvantagem do engate Kadee é que o mesmo é menos tolerante a falhas nas linhas. Como todo material americano, é necessário uma precisão maior no assentamento dos trilhos, isso quer dizer que desníveis e defeitos na via, causam mais problemas quando se usa estes engates. Isso acaba sendo frustrante para muitos que erroneamente culpam o engate ou saem dizendo que ele é “ruim”.

Ferramentas

Ferramentas básicas para instalar os engates em alguns casos

Para se utilizar os engates Kadee não é necessário nenhuma ferramenta que qualquer modelista já não tenha, exceto por apenas uma: gabarito para aferição do engate.

Para instalar e montar o engate, você vai precisar de ferramentas como chave philips e chave de fenda pequenas, alicate, provavelmente um mandril manual, pinças ajudam em alguns casos, etc. Ferramentas essas geralmente comuns a qualquer modelista. Vai ser preciso todas elas? Não necessariamente, mas se pretende instalar o engate em material rodante Frateschi, em algumas situações vão ser sim necessárias.

Mas como dito anteriormente, uma ferramenta considero fundamental é o gabarito. Esta ferramenta é extremamente importante para quem quer ter um funcionamento confiável e sem dores de cabeça da sua frota. Ela permite aferir se os engates estão na altura correta. Inclusive deve ser usada para se checar se os engates que vem instalados de fabrica estão colocados corretamente, pois não é incomum material importado não seguir as normas corretamente.

Gabarito para aferição dos engates instalados

Existem ferramentas fornecidas pelo fabricante do engate, como alicates para ajuste das “mangueiras” do engate, chaves para troca das molinhas, etc. Mas ao menos no meu caso, não vejo vantagem em utilizar estas ferramentas, acabo fazendo essas funções com ferramentas comuns.

Utilizando o gabarito para aferir altura do engate

Engate e Desengate

Uma outra dúvida comum é: como engatar e desengatar os trens? A operação de engate é extremamente simples, bastante fazer como em qualquer outro engate, ou seja, basta recuar a locomotiva ou vagões e encostar no outro veículo, que o engate irá acontecer de forma automática.

O desengate em um primeiro momento não é tão simples. A maneira mais fácil de se fazer o desengate é simplesmente levantando um dos veículos e afastando do outro, isso resolve, mas digamos que é uma operação estranha e pode ser problemática em algumas situações ou com alguns modelos mais delicados.

A forma mais recomendada para fazer o desengate é utilizando uma ferramenta do próprio fabricante, mas não é preciso gastar dinheiro com isso. Algo bem simples de se achar por aqui e faz a mesma função é simplesmente usar espetinho de madeira de churrasco. No meu caso, deixo alguns nos pátios da minha maquete para quando precisar, abaixo vemos como é bem simples fazer o desengate com eles:

O desengate com palitinho ou espeto

Desengate Magnético

Um item que parece que é desconhecido por muitos é o fato do engate Kadee ser sim magnético e poder ser usado para desengate magnético, ou seja, sem a necessidade de se tocar nos vagões / locomotivas para isso. Algo que é comum nos engates do estilo NEM, mas parece pouco usado por aqui com o Kadee. Provavelmente, não é muito usado pelo fato do Kadee não funcionar com os imãs comuns comercializados para engates NEM e requerer seu próprio imã.

Imagem 1 - Kadee Escala Ho/On30 ~ #312 ~ ímã permanente sem atraso uncoupler
O desengate magnético oficial do Kadee

Mas existe uma vantagem do desengate magnético do Kadee: ele é lento. Mas como isso pode ser vantagem? Bom, quem já manobrou em pátios com desengate magnético com engates NEM, sabe que é comum eles desengatarem em momentos inapropriados, o que chega a ser frustrante algumas vezes.

No caso do Kadee, é necessário dar um pequeno “tranco” no trem para que a operação de desengate ocorra, caso contrário, mesmo passando ou recuando sobre o imã, os engates continuam fechados.

Pesquisando na internet, existem diversas formas de se construir “desengatadores” magnéticos caseiros para Kadee, abaixo temos um vídeo com um sistema bem simples:

Os Diferentes Modelos de Engate Kadee

É importante o modelista saber que existem diversos tipos de engate Kadee, bem como diversos tipos de “caixas” para montagem do mesmo. O engate, vai montado dentro de uma pequena caixa plástica, que é fixada no modelo (seja por parafusos, encaixe e até colado em alguns casos). Para permitir o uso do engate de maneira mais simples possível na incrível variedade que temos de locomotivas, vagões, carros, etc, o fabricante desenvolveu diversas variações do engate para facilitar as adaptações.

Não pretendo cobrir aqui todos os modelos e variantes, mas as mais relevantes, que consistem no comprimento da haste e na posição do engate em relação a haste. Cada modelo de engate possui um número ou código, usado pelo fabricante para identifica-lo. O mais comum é o famoso número #5:

Engate Kadee #5

Na figura acima temos o Kadee #5, com sua caixa de montagem e a mola centralizadora (a peça “dourada”). Essa mola é responsável por manter o engate sempre no centro do vagão, para facilitar as operações de engate e desengate. Observe que o engate possui duas molas no total, pois existe uma segunda mola, menor, que fica na “cabeça” do engate, usada para manter a mandíbula do engate fechada. A alguns anos surgiu uma versão melhorada do engate #5, que é o #148. A principio ambos são idênticos, mas a versão mais nova não utiliza mais a mola centralizadora, pois a própria haste do engate, já possui duas pequenas “antenas” que funcionam como mola, o que facilita muito a montagem do engate e a manutenção. Este modelo é chamado de “whisker” e pode ser visto abaixo:

Engate Kadee #148 – whisker

Acima vimos os dois modelos principais, mas, como mencionado anteriormente, temos as variações de comprimento da haste posição da cabeça do engate. O modelo #5 e #148, possuem a cabeça centralizada na haste, que possui comprimento médio. Mas temos as versões com haste curta e longa, bem como com a cabeça posicionada acima e abaixo da haste, como podemos ver na figura a seguir:

Diferentes posições da cabeça do engate

E por fim, temos uma figura do próprio fabricante mostrando as principais variações e códigos:

No caso dos vagões Frateschi, atualmente tenho utilizado apenas os modelos #5 e #148 do engate, mas no caso das locomotivas onde a instalação é mais complexa, tenho utilizado diversos modelos. O mais comum para locomotivas Frateschi acaba sendo o #27 e o #147 (que é a versão whisker).

Kadee #27 e o #147 que costumam ser o mais comuns para uso em locomotivas Frateschi

Instalando em Material Frateschi

Aos poucos vou publicando artigos de como instalar em material Frateschi estes engates:

Considerações Finais

Este artigo apresentou as principais características dos engates Kadee com foco no ferreomodelista nacional, ou seja, que pretende utiliza-lo com modelos nacionais. Não existe a pretensão aqui de ser um guia completo sobre o assunto, mas apenas uma introdução com o objetivo de sanar as dúvidas mais comuns que vejo surgirem nas comunidades na qual participo.

Em um próximo artigo, pretendo ir mostrando como tenho feito a instalação do engate em diversos modelos da Frateschi.

Referências

Standardkupplung für Nenngröße H0 – Nem 360 – https://www.morop.org/downloads/nem/de/nem360_d.pdf

Kadee – The Coupler People – https://www.kadee.com/

Kadee – HO Scale – https://www.kadee.com/ho-scale-couplers-c-274_276_284/


Dicas para iniciantes no Ferreomodelismo

1 de julho de 2021

Como já me sinto um dinossauro na internet atual, tenho me adaptado as novas tecnologias, mas continuo com o velho blog. Hoje as discussões do hobby seguem majoritariamente em grupos de facebook e whatsapp. Parecem existir discussões também no discord, mas esse ainda não me adaptei muito ao uso.

De qualquer forma, em todos grupos, sempre surgem as mesmas dúvidas recorrentes de iniciantes e sempre temos que dar as mesmas respostas. Então o objetivo dessa postagem é fazer um apanhado das coisas mais comuns e deixar como referência.

Ferreomodelismo ou Ferromodelismo

Bom, segundos os fiscais da língua portuguesa e pseudo linguistas o correto hoje é FERROMODELISMO. A explicação é:

De acordo com as regras de formação de palavras, o primeiro elemento não pode ser um adjetivo se o segundo for um substantivo. Em outras palavras, “modelismo” é um substantivo, então o primeiro elemento não poderia ser adjetivo (férreo), e sim outro substantivo (ferro). Portanto o termo correto é ferromodelismo

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ferromodelismo

Não sou especialista em linguagem natural e cresci com o termo “ferreomodelismo”, que considero sempre como termo / gíria o que for. Temos na língua diversos termos estrangeiros e por ai vai… então para mim é “ferreomodelismo”.

Como começar no Hobby?

A melhor sugestão é lendo. Frequente grupos de discussão seja facebook, WhatsApp, etc. Comece a acompanhar projetos e tal, para começar familiarizar com o hobby, termos, etc. Mas, se você chegou nesse artigo, provavelmente você já esta fazendo isso, então vem a segunda parte…

Logo, o que sugiro é leitura de livros sobre o hobby, mas você não precisa sair correndo para a livraria mais próxima, temos boas leituras disponíveis online.

O primeiro livro a ler é o “ABC do Ferreomodelismo”, disponível no site da Frateschi (mais sobre a Frateschi a frente no texto).

O segundo livro, é o “Ferrovias para Você Construir”, também disponível no site da Frateschi.

Por fim, temos o catalogo da Frateschi, que tem dicas interessantes e lhe da uma boa ideia dos produtos nacionais.

Para acessar os livros, veja a lista:

Tem mais material na página de publicações da Frateschi, que você acessa clicando aqui.

Após ler e reler as leituras acima e ficar bem confortável com elas, você provavelmente vai ter algumas ideias do que adquirir…

O que devo comprar para começar?

Existem inúmeras opções do que comprar, aqui estou assumindo que você optou pela escala HO e sabe o que isso significa, se não sabe, volte ao item anterior e leia os livros sugeridos novamente.

Se você não possui absolutamente nada, comece pelas caixas básicas Frateschi:

6505

As caixas básicas vem com um conjunto completo: uma composição ferroviária, trilhos para formar um pequeno circuito oval e um controlador. Tem tudo que você precisa para ter sua primeira composição funcionando em poucos minutos.

É a forma mais simples e econômica de ter algo funcional no hobby. E após a caixa básica você pode adquirir mais trens para ir expandido sua frota, trilhos, etc. Inclusive existem as caixas de expansão que permitem você criar circuitos mais complexos, isso bem explicado nos livros expostos no tópico anterior.

Fabricantes

Atualmente no Brasil podemos dizer que temos apenas um único fabricante de artigos para ferreomodelismo, que você já deve ter percebido ser a Frateschi. A empresa possui uma vasta linha de locomotivas, vagões, trilhos, acessórios que tornam possível desenvolver grandes projetos apenas com artigos da empresa.

Existem também outros fabricantes menores nacionais, mas a grande maioria micro produtores, logo, produção em escala industrial, de marca nacional, temos apenas a Frateschi.

Isso significa que se você quer representar ferrovias brasileiras, muito provavelmente vai recorrer aos produtos Frateschi ou então micro produtores ou produtores artesanais.

Produtos Importados e Usados

Já observei em algumas discussões modelistas mais experientes quererem forçar os iniciantes a adquirir produtos importados ou usados, em especial locomotivas e vagões. Em muitos casos pelo simples fatos de muitos não estarem satisfeitos com os produtos nacionais disponíveis ou até mesmo préconceito com o produto nacional.

Os produtos importados são superiores? Em muitos casos sim, são muito superiores, mas o preço destes, também é superior. Então podemos interpretar, que você leva o que esta pagando.

Mas o principal fato de eu desaconselhar um iniciante adquirir materiais importados, é pela dificuldade de manuseio destes, em especial itens americanos. O ferreomodelismo é um hobby mundial, mas podemos dizer que existem ao menos duas vertentes principais. Na América do Norte, o hobby segue um padrão muito focado no realismo, mesmo que isto custe funcionalidade, ou seja, muitas vezes sacrificam a praticidade em busca de um maior realismo dos modelos. Já o Europeu, procura um equilíbrio e tem modelos (que na qualidade muitas vezes superam o americano) muito mais tolerantes a falhas do modelistas.

Isso significa que um iniciante não deve comprar material importado? Claro que não, mas é importante que o material importado vai exigir mais do modelista, em especial na qualidade do seu trabalho. Lembre-se: o ferreomodelismo é um hobby “artesanal”, você vai construir sua “mini ferrovia”, assentar trilhos, trabalhar com marcenaria, etc etc. Uma linha “mal assentada”, um modelo nacional ou europeu, tolera bem, entretanto um americano vai lhe trazer frustrações, como descarrilamentos.

Essa mesma linha raciocínio leva a questão dos usados e iniciantes. Os iniciantes muitas vezes são confrontados com ofertas de materiais usados, tanto nacionais, quanto importados. Aqui cabe o bom senso, primeiramente pesquise preços antes, não é mistério, como qualquer aquisição, uma breve pesquisa pode ajudar muito numa decisão e ver que muitas “ofertas”, não são boas. Mas um fato crucial, é que muitos usados, nem sempre estão em boas condições ou são coisas muito antigas que hoje são muito inferiores até mesmo aos materiais mais básicos atualmente e infelizmente, um iniciante dificilmente vai ter capacidade de fazer esse discernimento.

Onde Comprar

Outra questão frequente dos iniciantes, hoje a internet é muito fácil achar itens de ferreomodelismo e existem inúmeras lojas. Bom, indico aqui as lojas onde costumo comprar meus itens e sei que possuem um bom atendimento. Existem outra opções, algumas não gosto e outras nem sei que existem.

Mas indico (em ordem alfabética):

Primeira Maquete

Agora que provavelmente você já tem uma noção sobre o hobby e talvez até já tenha adquirido alguma coisa, deve estar pensando em construir sua primeira maquete.

Se não sabe por onde começar, novamente, volte lá atrás e leia os livros recomendados (na verdade obrigatórios) lá da seção “Onde Começar”. Eles devem lhe dar uma boa bagagem e noções para essa empreitada.

A maquete é algo um tanto pessoal, vai do gosto de cada um. Existem inúmeras maneiras de curtir o hobby, afinal, lembre-se é o SEU HOBBY. Mas em se tratando de maquetes, a tendência é a criação de algo que procure simular uma ferrovia real ou parte desta. O fato é que por mais espaço que alguém tenha, na grande maioria das vezes é impossível reproduzir exatamente algo real, sendo necessário usar “compressões” e outras técnicas para fazer na maquete algo que se assemelhe a um trecho real, um pátio, estação, etc.

Na hora de fazer a maquete, temos a opção tanto de reproduzir algo que exista, por exemplo, uma determinada estação em determinada época, incluindo ai as composições ferroviárias que tipicamente circulavam por lá na época escolhida. Ao mesmo tempo, nada impede soltar a imaginação e criar algo totalmente imaginário, até mesmo uma ferrovia fictícia com pintura e logotipos próprios.

Eu admiro muito maquetes que reproduzem fielmente determinado trecho ferroviário de determinada época, como a maquete do Ângelo de Jaú, que reproduz fielmente a Companhia Paulista:

Vídeo com um tour pela maquete do Ângelo

Entretanto, eu por exemplo, não consigo limitar minha maquete a uma determinada ferrovia, gosto de muito coisa relacionada a ferrovia e o ferreomodelismo para mim é uma forma mesmo de fazer algo que eu realmente gostaria de ter visto na evolução de nossa ferrovia, novamente, vai do gosto de cada um.

Onde Obter Mais Informações

Difícil recomendar, conheço muitos sites internacionais, mas poucos nacionais, mas a maior recomendação é o site Centro Oeste, do Flavio. Para quem não conhece, Centro-Oeste era uma revista que tínhamos sobre ferreomodelismo que a muitos anos foi extinta. Mas seu autor, nos presenteou com o site, que reúne muitas informações da revista original além de outras que não saíram lá, então vale muito a pena conhecer e fuçar:

Outra opção, é a revista “Trens e Modelismo”, do José Agenor, vale muito a compra, sempre com dicas e novidades do hobby:

Considerações Finais

O objetivo desse breve artigo era só criar um pequeno “guia” para quem quer começar no hobby. Existe muita informação por ai, mas muita espalhada, o que é um desafio para quem tem poucas noções do hobby.

Pretendo ir atualizando esse artigo conforme forem surgindo mais dúvidas recorrentes e com sugestões dos colegas.

O importante é: o hobby é seu, você que vai montar seus kits, operar sua mini ferrovia, então não se preocupe em agradar aos outros, mas em se divertir. Já temos muitas dores de cabeça na nossa vida cotidiana e o objetivo do hobby é ser nossa “válvula de escape” para nos divertimos e esfriar a cabeça. Então, divirta-se!


Maquete – Status fim de 2021

31 de dezembro de 2019

Já faz algum tempo que venho trabalhando na minha maquete e também já venho querendo fazer um registro do trabalho a alguns meses, mas realmente meu tempo para a maquete é escasso e tenho que escolher entre fazer esse log ou trabalhar nela.

Enfim, vou tentar manter meu velho blog (abandonado desde 2012) atualizado. O foco aqui do blog sempre foi mais programação, mas como tenho programado pouco e usado todo meu tempo livre na construção da maquete, nada mais justo do que mudar o foco do blog.

Já faz um tempinho que criei uma página aqui com o projeto da maquete, que pode ser acessado no menu superior ou clicando aqui.

Bom, começando com uma pequena comparação dos panoramas:

IMG-20170224-WA0002

Panorama no fevereiro de 2017

WP_20180422_18_23_22_Pro

Pouco mais de um ano depois, Abril de 2018

WP_20181219_14_39_46_Pro

Final de 2018

Dezembro de 2019

IMG_20210103_164813287

Janeiro de 2021

Agora, vendo por outro ângulo:

IMG-20170224-WA0001

Fevereiro de 2017

WP_20180422_18_21_30_Pro

Abril de 2018

WP_20181219_14_38_34_Pro

Dezembro de 2018

Dezembro de 2019

IMG_20210103_164830805

Janeiro de 2021


Atualizações Wadlib

21 de maio de 2012

Já falei aqui sobre a criação da Wadlib há um pouco mais de um ano atrás, de vez em quando adiciona algo aqui e ali e por enquanto o resultado é:

Como é possível ver na imagem, a wadlib já exporta paredes, mas ainda não exporta os chãos e tetos, faltando apenas estes para se obter um mapa completo do Doom.

Os dados são exportados para o Ogre, é gerada uma única mesh para todo cenário. As texturas são exportadas e um arquivo de configuração de materiais do Ogre é gerado. Tudo isso é carregado em um diretório que segue a estrutura do Ogre, assim tudo pode ser carregado facilmente com qualquer visualizador de malhas do Ogre ou integrado em um projeto Ogre.

Os próximos passos agora são além da geração de chão e teto, gerar partes “móveis” do mapa em malhas separadas, assim vai ser possível fazer o nível funcionar de novo, mas ainda deve demorar um pouco :).

Não sei se interessa para alguém isso tudo, mas seguem abaixo algumas imagens mostrando a evolução do projeto:

Primeiras paredes exportadas

Exportando materiais

Mapa 31 Doom 2, ainda sem várias paredes

Mapa da imagem do inicio do post, mas ainda sem UV correto


Wadlib

15 de abril de 2011

Algumas semanas atrás, numa noite de insônia comecei um projeto por diversão que acabou evoluindo um pouco mais do que eu esperava, numa das minhas recaídas para jogar Doom resolvi dar uma fuçada nos arquivos Wad, que são os arquivos, ou melhor, o arquivo onde o Doom armazena todos os seus dados.

Consegui encontrar um bocado de documentação na web e depois de uns 40 minutos programando fiz um carregador básico de mapas de Doom em SDL:

Primeira versão do visualizador de mapas, linhas vermelhas são linhas que dividem setores

A partir disso acabei criando um projeto no Google Code chamado Wadlib, que tem como objetivo ser uma biblioteca para converter dados do Doom para formatos mais modernos.

Atualmente a Wadlib é formada por dois projetos: uma biblioteca para manipulaçao de arquivos wad, mais precisamente, leitura de arquivos wad e um “viewer” em SDL que permite visualizar os mapas em 2D e exportar texturas para formato bmp.

Objetivos

A minha principal meta com o projeto é fazer uma ferramenta que converta mapas do Doom para um formato de malha que possa ser usado motores modernos, no meu caso pretendo gerar malhas no formato usado pelo Ogre e no meu projeto de motor de jogo, devagar quase parando, Phobos.

Alias, quando o Phobos foi criado nunca me passou pela cabeça essa idéia de usar mapas do Doom, a escolha do nome foi apenas uma pequena homenagem Smile.

Além de gerar as malhas pretendo fazer um “plugin” para o exportador gerar um projeto para o Ogitor (que é o formato de nível que o Phobos atualmente suporta), assim poderei editar e modificar o nível para customizar o que for preciso.

O exportador também em algum ponto não vai apenas gerar uma malha única para todo o nível, pretendo separar portas, elevadores e tudo mais que se movimenta no Doom (que até onde me lembro era apenas isso) em malhas separadas, assim vai ser possível implementar elevadores e portas no Phobos ou em algum outro motor.

Desempenho

Aqueles que conhecem um pouco do funcionamento do Doom devem estar se dizendo: “Mas transformar isso numa malha vai ser absurdamente lento”. Realmente, se compararmos com o motor original do Doom que fazia todo aquele trabalho de culling vai ficar mesmo um lixo renderizar o cenário todo, mas levando em conta nossas GPUs de hoje e a pequena quantidade de polígonos que vão ser gerados, isso certamente não vai ser problema.

Futuramente se o projeto continuar crescendo, quem sabe não vale a pena gerar zonas e subdividir o nível usando portais e gerar cenas usando o Portal Connected Zone Manager.

Outra idéia é criar um SceneManager para o Ogre especifico para Doom, assim como o SceneManager de mapas de Quake, mas esse já é um projeto que eu não tenho tanto interesse em tocar, voluntários?

Texturas

Para gerar as malhas com os níveis do Doom e poder renderizar elas com um mínimo de qualidade pretendo também usar as texturas, para isso a wadlib precisa carregar e exportar as texturas para um formato que possa ser usado.

Logo após fazer o load do nível funcionar, comecei a analisar as texturas e o mais simples no inicio foi trabalhar com os “Flats”, que é o nome dado as texturas usadas no chão e teto dos níveis. Essa texturas são todas de tamanho 64×64 e são armazenadas em “raw format”, basta então localizar elas dentro do wad e copiar para um buffer de bmp, junto com palheta e pronto.

No ultimo final de semana resolvi trabalhar com as texturas das paredes, chamadas de “Walls”, estas deram um pouco mais de trabalho, pois o formato é meio chato de entender e a documentação que encontrei um tanto confusa.

As texturas de parede são subdividas em Patches, que é como se fossem sub-texturas que juntas formam a textura final. Cada patch possui uma lista de colunas de pixels, pois estas são armazenadas num formato coluna x linha, diferente do tradicional onde imagens são no formato linha x coluna, isso ajuda em muito o renderizador do Doom, que desenhava paredes coluna a coluna e era um dos segredos do bom desempenho do Doom.

Cada coluna ou Post, como é chamado no motor, possui um número indicando a quantidade de pixels, um offset dela e os pixels. A parte chata é que pixels transparentes não são armazenados, então é preciso tratar isso no código e preencher esses espaços em branco, que o Doom simplesmente pulava para deixar a parede transparente.

Feito isso, o resultado pode ser visto abaixo:

Texturas exportadas do Doom

Próximos Passos

Na próxima etapa do projeto pretendo finalmente começar a gerar os arquivos mesh do Ogre, na sequência gerar os materiais no formato do Ogre e os arquivos de projeto para Ogitor, mas falta surgir tempo livre para isso ou falta de sono Smile.


Festa dos Porcos

3 de outubro de 2010

Hoje ao sair de casa fiquei enojado com a sujeira dos candidatos. Por todas as ruas que passei haviam milhares de santinhos pelo chão, nos pontos de votação não havia chão, apenas papel e mais papel. 

Alguns dos porcos. Essa calçada esta relativamente limpa perto dos pontos de votação. Valeu FT pela foto!E agora quem vai limpar? Cada nova eleição tenho mais nojo da corja política da nossa republica das bananas. Mais incrível ainda é pensar que temos cidades como São Paulo fazendo campanhas desesperadas para evitarmos lixos na rua, não só pela sujeira em si, mas pelos problemas de entupimento de bueiros fico me perguntando: e se chover hoje?

Para mim essa sujeira toda mostra apenas como os candidatos pensam a respeito dos eleitores: que são cachorros vira-latas que vão revirar lixo em busca do “santinho” do seu candidato escolhido.

E ainda por cima, ao fazer um passeio pela zona rural com minha familia (que fazemos de vez em quando) o que nós encontramos? Milhares de santinhos espalhados por mais de 1km de uma estrada rural. Pior ainda era ver que os santinhos eram todos do Partido Verde, o tal partido ecológico.

Apenas um desabafo de um brasileiro feito de idiota participando da “festa da democracia” e exercendo seu “direito” de cidadão. Aliás, desde quando obrigação é direito?


PontoV e o Blog

6 de novembro de 2009

Hoje foi inaugurado o PontoV, que é o mais novo portal brasileiro sobre desenvolvimento de jogos. O portal surgiu de uma parceria minha com o Vinícius do PontoV (http://vinigodoy.wordpress.com).

O nosso objetivo no portal é compartilhar nossas experiências em gamedev e reunir os desenvolvedores brasileiros.

O nosso foco principal é trazer conteúdo de qualidade sobre GameDesign, Java e C++, além de artigos de profissionais da área.

A principio não sei ao certo qual será o futuro do blog, pois tópicos sobre programação vão acabar sendo destinados ao PontoV, então estou aberto a sugestões :).

De qualquer forma nos vemos no PontoV: http://www.pontov.com.br


Matrizes Dinâmicas

25 de agosto de 2009

Este artigo foi movido para o PontoV, se quiser acessá-lo, basta clicar aqui.


Problemas com Memória

21 de julho de 2009

Este artigo foi movido para o PontoV, se quiser acessá-lo, basta clicar aqui.


Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora