domingo, janeiro 18, 2026

Faltou-me Novembro 2025

E como as escolhas eram bonitas, a propósito também de comboios - séries que tenho visto - e a falta deles, repesco o conjunto. Feito e o escolhido para esse desafio de M. que já lá vai há 2 meses

Tempo cavalo à solta...

Dia 6 – Andar na linha 

Na verdade, sempre que podia e me lembro, não “andava na linha”,  tal como sugere a próxima semana, andava à solta. Mas levando a expressão a sério, repesco uma foto antiga (2003) de uma viagem particular de que gosto muito: uma viagem da Régua ao Tua, no comboio histórico. Aqui, preparando a locomotiva a vapor para o retorno, ocasião que observei com muita atenção e espanto. Ainda não tinha máquina digital pelo que tenho poucas imagens mas, na cabeça lá nos lugares infinitos da memória, tenho o encanto desse percurso. Ressalvando o caso de que chegamos todos enfarruscados de fuligem!

Outras que na ocasião escolhi. 


A linda e elegante ponte D. Maria, ao abandono há décadas
 
Três imagens da linha "esquecida" Faro/Vila Real de Stº António.


Pensando no meu gosto por viagens.Têm a ver com a minha inclinação por comboios e o desprezo a que estes país votou um meio de transporte bonito, pacífico e, diria, democrático. Sempre me lembro disso quando se vai na estrada e os enormes camiões transportam tudo e mais alguma coisa, tantas vezes inútil e que podia perfeitamente ser transportada por caminho de ferro. Na pressa em que andamos todos, empurrados por uma desnecessária necessidade de coisas desnecessárias. Reparo que até "a logística" é transportada...

Dia13 – Andar à solta 


Este foi um dos tempos de andar à solta, sem carros nem vozes. Um lugar que visitávamos várias vezes, um oásis no interior, paisagens infinitas. A avenida principal era bordejada de marmeleiros. E dessa vez também ouvi e vi (mal) uma coruja à solta: está na 2ª fotografia muito mal tirada. Até me lembrei do “Blow Up”, de Michelangelo Antonioni, de 1966, filme que revi há dias.

E o contrário de "andar à solta", achei imensa graça a este cão a fingir. Se calhar até cumpre o seu objectivo; assustar!

Dia 20 – Tem-te não caias 

Além da diversidade do artesanato, o que pensei ao olhar esta banca é que o que era exposto estava num equilíbrio super conseguido.

 

Dia 27 – Pela noite dentro 

Esta foto é um sucedâneo do “andar à solta”: ter o olhar livre no escuro e o silêncio tão profundo como aquele céu à noite.

E um anoitecer de equilíbrios vários, como "tente não caias"... 

Assim se entrelaçam os meus pensamentos, uma palavra, uma memória, um mote para escrever sobre pensamentos e as muitas vidas que vivo.

  

PPP+Passado - Dezembro 2025

Ora, mãos à obra que aqui vou deixando ficar: ainda não publiquei as minhas sugestões do mês passado, escolhas que ficaram "no tinteiro"

Dia 4 - Fotografando as palavras dos outros, um poema que a Mena nos deu a conhecer aqui copiado, por ser muito belo.

Ave

Marés e instantes de prata despertam as gaivotas.

No mar espremeram frutos, que têm sabor a noite.

Brancas de tanto conterem o vento nas plumas

encontram nas manhãs a escrita das ondas.

Sem pontos.

É no amor verde da água que o desvario se prolonga.

Sem metáforas.

Sem as correntes da rima cativa, sou ave.

Lília Tavares em Casa De Conchas, 2022







Esperando a eterna equivalência das marés, as gaivotas são como os poetas no fluxo das palavras que lhes surgem. Como alimento.

As figurinhas são de uma história inventada há mais de 40 anos para o menino. Agora em aguarela para a "menina". 

De gaivotas e mares, estou conversada! Devo ter centenas senão milhares destes lugares e coisas que me entusiasmam.

Dia 11 – Jornal de Parede

As inscrições nas cidades e vielas, surpreendentes.

E ainda o jornal, o desenho num jardim, em férias dos anos 80.

Dia 18 - "Se eu pudesse" 

Muitas ideias me surgiram num ápice, todas centradas nos meus sonhos e desejos: acções, lugares, pessoas.

Resolvi-me por uma irrealidade: acabar com as guerras e fazer desaparecer os que as promovem.

Não vos passo imagens do que vocês vêm e nos entra pelos olhos e ouvidos, em tudo o que chamam, na generalidade, os inúmeros meios de comunicação. Recupero uma foto antiga, inícios do ano 2000, já aqui utilizada há muitos anos, como amostra do que digo: escombros e silêncio.

 

Dia 25 – Natal 

Escolhi o Natal sintético que vi numa montra: velas em pose de frutos.

A minha disposição para esta palavra é quase nenhuma, exceptuando a alegria que me dá a família chegada. No resto, só encontro comércio exagerado, de todas as cores e feitios. Por isso respondo com a simplicidade de uma montra enfeitada de romãs, a fingir. Hei-de comprar uma verdadeira, é fruta coroada, rainha da época.

 

quarta-feira, dezembro 24, 2025

Natal 2025

Um grande interregno.

Deixar apenas um postal de que gostei muito. Com o presépio tradicional "mas" representando anjos com ramos de oliveira.

Uma mensagem de alegria tranquila, de Paz


que tanto precisamos. 

A foto foi retirada de um quadro da National Gallery: "Natividade", de Botticelli, pintado cerca do ano 1500.

 

quinta-feira, novembro 13, 2025

PPP de Outubro 2025

Passou o mês numa corrida de alucinações variadas. E só agora reparei que nem tinha juntado as minhas participações, fotos e palavras, do "recreio semanal" a que nos damos.

Dia 2 – Em família 

Nesta espécie de l’Été Indien que estamos a viver no fim deste mês, as memórias surgem com o sol de uma infância longínqua. Em família, a minha mãe e as amigas, em plena adolescência. E digo família porque foram como minhas tias e avós, depois de que eu nasci e sendo a primeira criança do grupo de mulheres que aqui vêem. A minha mãe é a 2ª a contar da esquerda, a mais nova. A foto é de 1944.

Dia 9 – Em férias 

As nossas férias eram aventuras e descobertas, muitas vezes bem perto, nos arrabaldes da cidade. Aqui está o grupo de campismo, em Cortegaça, no meio dos pinheiros e perto do mar. 


Dia 16 – Numa viagem 

Áustria. Monumento barroco erigido à “Peste”. Trata-se de uma homenagem à libertação da cidade da peste bubónica, que atingiu Viena, cerca do ano de 1679.

Mas desta série "viagens" tinha escolhido outras, de Viena, onde estivemos em casa de amigos há 25 anos! E que estusiasmante foi, aquele Setembro à solta, numa cidade e arredores maravilhosos. Onde vi Klimt, Mozart, museus, feiras, parques, videiras, montes... E as belas casas Arte Nova e, ao vivo, as obras de um arquitecto de quem tive sempre curiosidade de ver os edifícios F. Undertwasser. E que descobri depois foi mais de que um arquitecto, com uma vertente ecológica que ignorava.


 

E a primeira vez que conheci uma loja Ikea que muito admirei na ocasião, por lá andamos e almoçamos

Dia 23 – Num encontro 

Espaço exterior da Casa da Música/Porto, onde geralmente marco encontro com amigos quando nos visitam.

 30 – Um acontecimento internacional 

Quadro-voto na Igreja de Nª. Snrª das Neves, em La Palma, que diz aproximadamente:

Tendo saído da ilha de Martinica para Cádiz numa caravela francesa em 18 de Abril de 1723, pelas 11 e meia da noite aconteceu-nos uma gravíssima tormenta e nos vimos submergidos e invocado a Nª. Snrª das Neves fomos socorridos em tão grande conflito

 

E assim também me lembrei de Paul Gaugin e a inquietação, as suas frequentes deslocações pela Europa, acabando nas ilhas Marquesas e Taiti: um internacional das cores fortes e indígenas. Aliás só agora vi uma reprodução de uma obra muito importante pelo significado do mundo que ele descobriu e questionava.

O quadro acima vi-o mesmo, com outras obras do pintor, abaixo foi retirado da net:

 

E diz/pergunta:

"De onde viemos? Quem somos? Para onde vamos?"  

 

quarta-feira, setembro 24, 2025

Últimas semanas do PPP Setembro

Escoa-se o mês tão bonito, Setembro dos frutos e cores, no desmaiar do ano comum. 

A imaginação das pessoas que semana a semana nos acompanham, não cessa de me admirar. Com os nomes dos livros, fizeram-se associações e fotos maravilhosas! 

Começamos com regularidade já em 2006... fomos muitos, ficamos nós; e somos sempre surpreendentes, de imaginação, de cortesia, de ideias partilhadas. Um gosto! 

Dia 21 –“Uma noite em Lisboa”, de Erich Maria Remarque, publ. 1962

Apenas recordações de Lisboa, muitos dias e muitas horas. Como se diz a propósito do livro que refiro “terra de todos e de ninguém”, cidade que era o fim ou o início das viagens dos fugitivos da II Guerra Mundial. E porque me parece uma característica de Lisboa tão actual, com os seus fluxos e refluxos de outras guerras ou outros interesses.

Dessa cidade que conheci tarde da vida, apenas de relance e em Outubro de 1968, haveria de juntar mil e uma, muitas mil, imagens. Cuja relação causa/efeito daria um livro de memórias, décadas seguidas. Com amigos e com família. Com museus e ruas, com jardins, com parques, com comidas diferentes, com escadas e vielas: com amor.

Sabia que era branca e azul. Nunca pensei que o meu coração batesse lá, que desde há anos veja o Meteo para saber como está o tempo no lugar dos meus mais queridos. E quase me sinto desterrada aqui: longe de amores maiores. Não posso, pois, ir buscar mais fotografias que me dão tanta saudade...

Dia 28 – “Por quem os sinos dobram” - Ernest Hemingway, publ. 1940

Esta frase da adolescência em que os livros eram, para mim, como o forro do futuro. E um refúgio para dias isolados. O tema do romance, a Guerra Civil Espanhola, refere a citação de um poema de John Donne (1572-1631): “Não perguntes por quem os sinos dobram, eles dobram por ti.” A fotografia é da simplicidade da Igreja Matriz de Marmelar. Terra de oliveiras, símbolo de paz.


E surgem as outras, os outros sinos e igrejas, o outro silêncio.

Esta igreja era em Vaqueiros, sobre a alvura das casas,


... e a inquietação das cegonhas 




 


 

Esta entre sobreiros, sem sino, apenas o espaço, em S. Pedro-de-vir-a-corça, Monsanto.

E finalmente, aquela que prefiro pela sua singularidade. Ali na fachada lhe nasceu uma oliveira: em Amareleja 


 
São lugares apaziguadores. E todas guardam segredos e tradições. Quem sou eu para as questionar: apenas lhes rendo homenagem, à beleza e às intenções.