O post (bem curto) de hoje traz os slides (disponiveis nesse link aqui) de uma palestra que eu farei hoje na UFRJ (em razao do seminario EDAI) a convite do meu amigo Jairo Bochi. De modo resumido, os slides discutem o uso (por V. Delecroix, P. Hubert e S. Lelievre) dos expoentes de Lyapunov do chamado cociclo de Kontsevich-Zorich no estudo das taxas de difusao de trajetorias no modelo do vento nas arvores de Ehrenfest (uma proposta de modelo para os chamados gases de Lorenz). Espero que voces gostem da leitura! Ate a proxima!
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Para os interessados, os slides da minha palestra (sobre superfícies quadriculadas) no I Colóquio de Matemática da Região Nordeste estão disponíveis aqui.
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Ola! Ontem eu coloquei no blog em ingles um pequeno resumo e os slides (em ingles) de uma palestra proferida por mim em Orsay (30 de Abril).
Por enquanto e so! Ate breve!
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No dia 15 de Abril (duas semanas atras), o presidente do Brasil Luis Inacio “Lula” da Silva visitou o IMPA – Instituto de Matematica Pura e Aplicada – para discutir alguns aspectos do ensino e pesquisa matematicas no Brasil. E interessante notar que esta e a primeira vez que o presidente da Republica vista o IMPA. O leitor pode conferir algumas fotos do evento aqui.
Como brasileiro e ex-aluno do IMPA (onde obtive meu titulo de doutor), fico contente com a iniciativa do governo Brasileiro de dar a merecida atencao e suporte as ciencias basicas, especialmente a Matematica (apesar da atual politica ainda possuir diversos pontos fracas na sua implementacao: ma distribuicao de concursos publicos nas univerdades, etc.). Em todo caso, eu apreciei bastante as declaracoes do presidente Lula (as quais dispensam comentarios) enquanto fiquei bem chateado com as declaracoes demagogicas do governador do Rio (Sergio Cabral) o qual disse: “… O Impa já organizava uma olimpíada voltada para escolas particulares e o que faz o presidente? Pega o Impa que é reconhecido no mundo inteiro e tira o Impa de um pedestal acadêmico e traz ele para a vida como ela é, para o povo brasileiro, realizando a olimpíada da matemática…” Voce pode encontrar um resumo das declaracoes de Lula e Cabral aqui.
Para finalizar, se o leitor me permitir, farei alguns comentarios sobre as absurdas frases de Cabral:
- sobre o IMPA organizar Olimpiadas voltadas para as escolas particulares: primeiramente, o objetivo central do IMPA e a pesquisa matematica em alto nivel e a formacao de doutores em Matematica; logicamente, o IMPA apoia outras atividades matematicas tais como as Olimpiadas de Matematica (cedendo espaco fisico para o treinamento dos candidatos, etc.), mas e obvio que este nao e sua tarefa principal; alem disso, a Olimpiada de Matematica apoiada pelo IMPA (OBM – Olimpiada Brasileira de Matematica) sempre foi completamente aberta: todos tem o direito de se inscrever e participar das competicoes classificatorias; porem, o fato da maioria dos estudantes “bem-sucedidos”(ie, aqueles que conseguiram fazer todo o caminho ate ganhar medalhas na IMO – International Math. Olympiad) serem oriundos de escolas particulares nao tem nenhuma relacao com a afirmacao de Cabral que a OBM e “voltada” para escolas particulares! Isto tem que ver com o puro e simples fato das escolas publicas brasileiras serem bem fracas! (alias, um dos problemas que os nossos governantes ja deveriam estar atentos desde ontem)
- sobre as frases envolvendo as palavras “pedestal academico” and “vida como ela e”: esta e uma repeticao (mediocre) da classica comparacao entre Matematica com uma “torre de marfim” – a imagem de uma ciencia austera onde os cientistas sao voltados para eles mesmos sem possuir nenhum compromisso com a sociedade (e toda essa baboseira – com o perdao da palavra), etc., de modo que essas frases nao merecem mais explicacoes.
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Durante meu curso de Analise Complexa no mestrado do IMPA (com o saudoso professor Carlos Isnard), um topico que sempre me fascinou foi a teoria de funções univalentes (e em especial o belissimo teorema de unifromização de Riemann). No post de hoje, eu pretendo falar de um topico não mencionado durante o curso do prof. Isnard (por falta de tempo e em detrimento do teorema de uniformização), a saber, a desigualdade de Bieberbach e o teorema 1/4 de Koebe.
–A desigualdade de Bieberbach–
Teorema (Bieberbach). Seja um biholomorfismo entre o disco unitario
e um dominio aberto
. Escreva a serie de Taylor de
como
.
Então, . Mais ainda, a igualdade ocorre se e somente se
é uma semi-reta fechada apontando para
.
Observação Historica. Motivado por este resultado, Bieberbach conjecturou que para todo
. Note que a igualdade nessa conjectura (e a fortiori no teorema) é atingida por
onde . Atualmente, esta conjectura é um teorema devido ao (dificil) trabalho de Louis de Branges (apos os esforços de diversos matematicos dentre eles C. Löwner o qual criou a chamada equação de Löwner, uma ferramenta que veio a ser decisiva em um ramo da probabilidade chamado teoria da percolação, para mostrar que
). O trabalho de de Branges utiliza a teoria de Hilbert de funções holomorfas (além da equação de Löwner).
A prova do teorema de Bieberbach é bem simples uma vez que saibamos a seguinte estimativa:
Lema 1 (estimativa de area de Gronwall). Seja um biholomorfismo entre o complementar do disco unitario e o complementar do compacto conexo
. Assuma que
tem série de Laurent
Então, a area de é dada pela formula:
.
Uma consequência direta interessante deste lema é:
Corolario 1 (Gronwall). Nas condições do lema 1, temos . Mais ainda, a igualdade ocorre se e so se
é um segmento de reta.
Prova do corolario 1. Como , o lema 1 implica que
. Em particular,
. Por outro lado, a igualdade ocorre se e so se os coeficientes restantes da serie de Laurent são todos nulos:
.
Fazendo uma rotação na coordenada e uma mudança linear de coordenadas em
(se necessario), podemos reduzir a série de Laurent de
a
, uma transformação levando
no segmento de reta
.
Por enquanto, vamos assumir o lema 1 e provar o teorema de Bieberbach:
Prova do teorema de Bieberbach. A menos de trocar por
, podemos assumir que
e
(i.e.,
e
). Agora fazemos
e
, de maneira que cada ponto
(resp.
) corresponde a dois pontos
(resp.
). Calculando a série de Laurent de
em termos de
e
, temos
Esta aplicação leva biholomorficamente numa vizinhaça simétrica
do infinito. Pelo corolario 1, vemos que
, i.e.,
). Além disso, o corolario 1 diz que a igualdade ocorre se e so se
é o complementar de um segmento de reta (o qual deve estar centrado na origem por simetria de
). Expressando isso em termos das coordenadas
e
iniciais, temos que
é o complementar de uma semi-reta fechada apontando para
.
–Prova do lema 1 (estimativa de area de Gronwall)–
A idéia aqui é bem simples: para cada , a imagem do circulo de raio
por
sera uma curva em
limitando uma região de area
contendo
de modo que
. Portanto, nosso trabalho consiste em calcular
. Isto pode ser feito utilizando a formula de Green:
onde e a integração é feita na imagem por
de
. Substituindo a série de Laurent
com
na formula acima, obtemos
.
Como a integral acima é não-nula (e igual a ) se e so se
, segue que
.
Fazendo , o lema 1 fica provado.
–O teorema 1/4 de Koebe–
Para encerrar este post, daremos a prova do importante (em dinamica complexa p. ex.) teorema 1/4 de Koebe como uma aplicação do teorema de Bieberbach.
Teorema (1/4 de Koebe). Seja um biholomorfismo entre o disco unitario
e um aberto
. Então, a distância
entre
e o bordo
de
satisfaz a estimativa
.
Além disso, a igualdade ocorre se e so se
é uma semi-reta apontando para
e a igualdade
ocorre se e so se
é um disco centrado em
.
Um corolario imediato muito interessante (para a dinâmica complexa) é o seguinte fato:
Corolario 2. Dada uma função holomorfa univalente (i.e., injetiva) com
e
, então o aberto
contém o disco
de raio
centrado na origem.
Prova do teorema 1/4 de Koebe. Trocando por
, podemos supor que
e
. Fixe
um ponto do bordo realizando a distância
entre
e a origem
. Nosso objetivo é mostrar que
.
Compondo com a transformação de Möbius
(enviando
para o infinito), obtemos uma transformação holomorfa univalente
em
da forma
Pelo teorema de Bieberbach (aplicado para e
),
e
. Logo,
, i.e.,
. Mais ainda, a igualdade
ocorre se e so se
e
. Pelo teorema de Bieberbach,
implica que
é o complementar de uma semi-reta fechada apontando para
. Com isto mostramos a primeira parte do teorema de Koebe.
A segunda parte deste teorema é uma consequência do teorema de Schwarz: supondo que , segue que a transformação inversa
envia
dentro de si mesmo,
e sua derivada na origem é
. Por Schwarz,
é a identidade (donde
e
é o disco unitario centrado na origem).
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Olhando hoje os topicos matematicos em portugues mais procurados (segundo a lista na minha conta para este blog), vi que alguém deseja ver a demonstração da formula classica de Euler para a soma dos inversos dos quadrados:
.
Logicamente, esta bela formula possui varias demonstrações e muitas deles estão expostas em inglês na Wikipedia (alem desta referência aqui a qual contém 14 demonstrações dessa formula).
O objetivo deste post sera expor em portugues a prova deste belo resultado. No que segue, irei me basear neste artigo da Wikipedia em inglês sobre o problema de Basel (para a solução de Euler) e na referência aqui com 14 demonstrações (da qual falarei apenas da primeira prova).
–A idéia de Euler–
Como podemos esperar de L. Euler, a sua idéia é muito esperta: ele comeca com o fato elementar de que todo polinômio pode ser fatorado com polinômios lineares da forma
sempre que
é uma raiz de
e assume que o mesmo pode ser feito com séries infinitas (de fato, Euler anunciou esta solução em 1735, mas a justificativa rigorosa so foi aparecer em 1741 precisamente por causa desse ‘propriedade’ para séries infinitas que ele assume).
Mais precisamente, Euler olha para a expansão em série do seno:
Dividindo por temos
(1) .
Por outro lado, sabemos que os zeros de ocorrem exatamente nos pontos
com
. Em particular, supondo que podemos fatorar esta série em fatores lineares (em analogia com o caso de polinômios) obtemos
.
Observação 1. Normalmente, quando fatoramos um polinômio, escrevemos ele como produto de polinômios lineares da forma . No entanto, na expressão acima estamos trocando
por
na esperança de obter uma expressão que resulte em um produtorio convergente (com efeito, a analise de convergencia de um produtorio é feita olhando a distância do termo geral para 1).
Agora, separando o ‘coeficiente’ de no produtorio acima, obtemos
.
Entretanto, o coeficiente de na expansão (1) em série de Taylor de
é
. Logo, temos a identidade
,
ou seja,
.
Observação 2. Obviamente, como ja advertimos anteriormente, esta derivação não é rigorosa.
–Uma prova rigorosa da identidade –
Veremos agora uma derivação rigorosa da solução de Euler do problema de Basel (retirada de um artigo expositorio de Apostol). Começamos por observar que
.
Pelo teorema da convergência monotona, segue que
.
Fazendo a mudança de variaveis , obtemos
(2)
onde é o quadrado de vertices
e
. Usando as simetrias desse quadrado, vemos que
.
Integrando, temos
(3) .
Para a primeira integral usamos que , donde
(4) .
Ja para a segunda integral, fazemos a mudança , segue que
e
, ou seja,
e, a fortiori,
. Portanto,
(5) .
Substituindo (4) e (5) em (3), segue que
.
Colocando essa informação em (2), concluimos que .
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Normalmente eu evito discussões politicas em meus blogs porque basicamente dedico eles somente a Matematica. Entretanto, como eu ja escrevi no blog da minha esposa, resolvi abrir uma exceção pelo seguinte motivo: dois amigos e matematicos Iranianos foram impedidos de entrar na Alemanha e Franca por razoes arbitrarias (para ver minhas duas justificativas para a denominação ‘arbitraria’, veja o post em portugues ou em ingles).
Bom, todos aqueles que desejam apoiar a causa, por favor juntem-se a nos no seguinte blog (fundado pelo Ali e Hossein):
http://iranianmath.blogspot.com/
Me despeço aqui! Ate mais!
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Oi! Estou passando para dizer duas coisas:
- apesar de ja estar um bom tempo sem postar nada, eu não abandonei este blog: de fato, eu tenho 3 posts (os quais ainda estou escrevendo) que estão atrasados porque os assuntos tratados neles serão abordados em mini-cursos a serem dados em breve; como eu pretendo assistir estes cursos, acho melhor ‘atrasar’ um pouco a publicação dos posts para com isso ganhar mais clareza na hora de expor os resultados;
- nessa semana eu postei no arXiv um paper junto com o Giovanni Forni (e fiz uma palestra na Universite Paris 13 sobre esse assunto, Villetaneuse) onde nos exibimos um novo exemplo de superficie de Riemann (de genero 4) tal que o cociclo de Kontsevich-Zorich sobre esta orbita é isométrico; quem estiver interessado em ver uma descrição geral com as motivações e um pouco mais de detalhes pode ver o meu post no meu outro blog em ingles.
Bem, sem mais para o momento, fico por aqui! Até ja!
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Lembramos que o teorema de Kaloshin e Rodnianski é:
Teorema. Dois elementos genéricos (no sentido da medida de Haar)
são fracamente Diofantinos no seguinte sentido: existe uma constante
tal que
para toda
palavra de tamanho
nas letras
.
Conforme adiantamos no post anterior, vamos utilizar a seguinte notação: dados , denotamos por
os ângulos de rotação de
e
o ângulo entre os eixos de rotação
de
. Sem perda de generalidade, iremos assumir que
esta normalizada de maneira que
é o eixo
em
. No mais, denotaremos as palavras
por
. Para trabalhar melhor com as palavras de um dado tamanho, introduzimos multi-indices
onde
e
podem ser zero mas os outros
inteiros são todos não-nulos. O tamanho
do multi-indice
é
. A palavra
parametrizada por
é
.
Com esta notação e utilizando o fato da medida de Haar em
ser equivalente a medida de Lebesgue
no espaço de parâmetros
, vemos que o teorema de Kaloshin e Rodnianski equivale à:
Teorema. Para
quase todo
, existe uma constante
tal que
para todo
.
Dada uma constante , defina
e
.
Como ja antecipamos na discussão anterior, um argumento simples usando o lema de Borel-Cantelli mostra que o teorema acima é uma consequência do seguinte fato:
Teorema 1. Existe uma constante
tal que
.
No que se segue, iremos nos concentrar na prova do teorema 1. Para isso, adotaremos a seguinte estratégia:
- a idéia basica seria utilizar a representação quarteniônica de
para escrever
como um polinômio trigonométrico (e usar os lemas classicos de Dani, Kleinbock e Margulis para estimar o tamanho da vizinhança dos zeros destes polinômios); entretanto, por motivos técnicos, procederemos como nos dois passos abaixo;
- veremos que estimar
corresponde moralmente a estudar o tamanho do conjunto dos parâmetros
onde a derivada
da palavra
com relação a variavel
é pequena;
- em seguida, estimamos o conjunto destes parâmetros usando a representação quarteniônica de
para estimar
(o que sera tecnicamente mais simples).
–Redução do teorema 1 ao estudo da derivada –
Defina . Para comparar as medidas de Lebesgue de
e
, precisaremos do seguinte lema:
Lema 1.
Prova. Os elementos de podem ser escritos em representação quaterniônica como
onde é o ângulo de rotação e
é o eixo de rotação. Nesta representação, temos
.
Derivando duas vezes em , obtemos
.
Isto encerra a prova do lema 1.
Com este lema em mãos, podemos mostrar sem dificuldades o seguinte fato:
Lema 2. Dado um multi-indice de tamanho
, temos
.
Prova. Dado , vemos da definição de
e do lema 1
.
Em seguida, dividimos o circulo em
intervalos de tamanhos iguais e denotamos por
o intervalo contendo
. As estimativas acima e o teorema de Taylor implicam que
.
Logo, obtemos que a medida de Lebesgue do conjunto dos tais que
é
. Juntando estas estimativas sobre todos os
intervalos
e usando o teorema de Fubini, temos a prova do lema.
–A derivada como um polinômio trigonométrico–
Lema 3. Cada palavra de tamanho
esta associada a um polinômio
de grau
com coeficientes inteiros tal que
.
Prova. Isso segue de um calculo explicito usando a representação quaterniônica para (veja a prova do lema 1).
Como ja comentamos, a proxima etapa consiste em utilizar a informação do lema acima para estimar o tamanho do conjunto . Mais precisamente, temos o seguinte teorema:
Teorema 2. Existe uma constante
tal que
para todo multi-indice
de tamanho
suficientemente grande.
Antes de entrar nos detalhes do teorema 2, vejamos que o teorema 1 segue do teorema 2.
Prova do teorema 1 (assumindo o teorema 2). Observamos que o numero de palavras de tamanho é
. Portanto, o teorema 2 e o lema 2 dizem que
para todo grande. Em particular, o resultado de somabilidade desejado segue.
Para encerrar o post de hoje, vamos fazer um esquema da prova do teorema 2 na proxima seção.
–Estimativas para polinômios e eliminação de variaveis–
Lembramos ao leitor do seguinte lema de estimativa de polinômios em uma variavel:
Lema 4 (Dani, Kleinbock e Margulis). Seja um polinômio real de grau
e denote por
. Então, para todo
intervalo compacto e todo
, temos
A prova deste resultado usa interpolação de Lagrange ao longo de um conjunto de pontos bem-escolhidos. O leitor curioso por mais detalhes pode ver a (curta) demonstração do lemma 2 do meu post em ingles sobre o teorema de Fayad e Krikorian (cuja prova é, por sua vez, baseada nestes argumentos de Kaloshin e Rodnianski).
Logicamente, o lema 4 não pode ser aplicado diretamente ao nosso caso porque nossos polinômios possuem varias variaveis (as quais possuem relações entre elas). Entretanto, esta dificuldade técnica pode ser contornada através do método de eliminação de variaveis. Para explicar como este método funciona, consideramos
dois polinômios em duas variaveis
. O estudo dos zeros comuns de
pode ser reduzido ao estudo dos zeros de um polinômio em uma variavel do seguinte modo: fixando
, sabemos dos cursos de Algebra que a existência de raizes comuns
de
é completamente determinada pelo anulamento do polinômio resultante
(o qual depende apenas da variavel
). Ou seja, a questão de entender zeros comuns de polinômios com duas variaveis pode ser reduzida ao problema de entender os zeros de um polinômio de uma variavel (com grau ligeiramente maior). Logicamente que para a aplicação desta idéia no contexto do lema 4, precisamos de versões quantitativas do método de eliminação de variaveis. Felizmente, isso foi feito por Kaloshin e Rodnianski no lema 6 do artigo. Entretanto, para fazer o método funcionar no nosso caso é necessario acompanhar todas as constantes e graus dos polinômios envolvidos na eliminação, o que é um trabalho técnico que não pode ser descrito em detalhes em um post. Porém, podemos dar uma idéia geral de como o processo ocorre.
Pelo lema 3, a prova do teorema 2 fica reduzida a uma estimativa do tamanho de conjuntos da forma
.
Com esse intuito, notamos que, fazendo e
, essa tarefa essencialmente equivale a estudar o conjunto de soluções comuns para as equações polinomiais
e
.
Em seguida, aplicamos o método de eliminação de variaveis três vezes na seguinte ordem: primeiro eliminamos a variavel através do polinômio resultando
entre
e
; depois, eliminamos (de modo analogo ao anterior)
através da resultante
entre
e
; finalmente, eliminamos
obtendo um polinômio
.
Para justificar porque a eliminação fornece boas estimativas, precisamos saber
que é um polinômio não-degenerado (i.e.,
não é identicamente nulo). No nosso caso, o processo de eliminação nunca é degenerado porque a resultante entre
e
identicamente nula implicaria que a função
é degenerada (i.e., constante). Entretanto, desde os trabalhos de Hausdorff no paradoxo de Banach-Tarski, sabemos que elementos genéricos de
geram um grupo livre, de modo que a função
não pode ser constante (isto pode ser visto diretamente da representação quarteniônica: veja o lemma 2 de Kaloshin e Rodnianski).
Com isso, o esquema da prova do teorema 2 esta terminado! Ate mais!
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