estava acordado a horas, sem abrir os olhos
despertou com uma brisa gelada do dia
e com a luz amarela da aurora, deslizando os dedos
pela entrada, gentil das suas palpebras nuas.
preguiça. onde o mundo que o pecado não erra
pois que tudo ali existia, desde o sempre onde estava
e o que era novo às espécies de lá tinha a graça
a curiosidade gentil, maternal, do bem-vindo
e não havia o canto!
eram pássaros. que saudavam o dia em silencio
de um jeito que toda necessidade seria cumprida
pela caminhada da vida
mas a ele, guerreiro, naquilo tudo havia um vazio
uma falta de atrito, sentido encontrado por quem busca pelas faltas
abriu suas asas à beira do vôo
e seu canto, movido por toda sua história
e memória recentes em furia inaudita, maldita e feroz
agradava aos ouvidos morosos, maneiros do povo
a voz do guerreiro, que contava histórias de mundos distantes
em lingua que desconhecia palavra para abrigar.
ti-ti-ti-ti-ti-ti-ta-ta-ta-ta….
que assim é a vida que aonde aprendia a falar
era o unico aquele a que ninguém entendia
plainava sobre a neve gelada da montanha antiga
gritando as palavras que ele inventava
esperando respostas que nunca ouvia
(que os sorrisos silenciosos não fazem o barulho da guerra)
e dentro de si, tinha a clara certeza de que aquela paz
daqueles gestos de aprovação, alguma coisa de errado havia
uma ausencia, uma falta, alguma razão. de ser.
qualquer coisa que preenchia um movimento
que desconhecia ou não havia em necessidade
se sentia sozinho e amado
debaixo do cobertor de penas amigas e abraços acalorados
de todos que admiravam seus grandes esforços por sentido,
rindo. achavam engraçado o pato enfeitado que grita a manhã.
estavam prontos pra nova espécie, acomodada em ninho novo
uma esposa escolhida por si ou no rumo escolhido da vida,
geraria no ventre uma espécie de canto avassalador.
estavam prontos pra fazê-lo de guerreiro a rei
mas na montanha sagrada, deonde estariam estórias
de uma glória, uma gema afiada,
em que o ódio de um mundo inteiro,
decantado, esperando, calado, juntando, pingado e pingando
no insulto aquietado, no impulso contido
que ninguém sentia no ouvido, ou via
aquela pedra, pensava, responsável por manter uma paz
de um mundo, inteiro – que nem realmente existia –
e será era ela capaz? resistiria?
e no vôo da manhã, cada vez mais largo
cada vez mais quieto, ele sim, aquietado pela força
de um desejo inventado, um capitulo,
da história que ninguém além confirmou
voava mais longe, procurando a visão no seu peito
sabia que estava ali aquilo, que a ele mesmo em si mesmo temia
e não via, sentia que enterrada em alguma estada, um perigo
nesse mundo movido por bem-querença
e nos sonhos lembrava o que ninca via
pedaço de estrela vadia, quebrado, aspergido por uma galáxia
parado, enterrado, enfincado na terra,
e contendo o ódio, a tragédia e o mal disso tudo
qual era?
não conseguia dormir.
sabendo que isso existia
e no ultimo vôo da manhã, com seus olhos fechados
o vento gelado no rosto, o silencio livre, os pecados
as penas dos braços levantandos, esticadas,
e ele, guerreiro, calado
procurando o que ninguém queria, mas que ele sentia que havia
e precisava encontrar, simplesmente por aceitar estar certo
então avistou. no topo de um monte, parecendo inchado
uma fenda, um buraco, caverna no topo da pedra, um fosso
a verdade tornada em realidade, curvando um mundo retilineo
como um deus resignado aos ditames dos sentidos ocultos
de uma sua criatura que precisava de mais razão que bom senso
o cristal fez um corte em sua mão
e vazou pela vista, escorreu, até o coração
quando foi removida da pedra.
liquido-pedra de fogo e foligem brotavam ferozes do chão
e a montanha tremia e da fenda da rocha uma luz crescia
ali era a forja da forma da espada encantada a que procurava
o sentido daquilo que para si faltava.
a lamina crua capaz de conter um mundo inteiro em paz
era agora só sua
transluzia a lamina verde da sua cobiça na mão
o azul de um potencial arrancado da terra
o amarelo vivo do fogo encontrado
a branca e preta realidade incrustada
uma rosa-vermelha do amor contido… violada
luz violeta. e dela brotava do chão o jorro do magma,
lava, treva que esteve contida
e não mais
cosida em seu coração com o jorro fulgurante da terra
fundido na pedra o homem, que em seu coração ficaria,
eterna, o infinito desvio da estrada que rouba da nascente virgem
o presente de estar em tudo, para agora ser só de quem possui um copo
cálice, a dama de um lago de lava, brotava da terra
e cobria o corpo da ave em que a pedra escaldante
era ele agora a jóia
roubada e lançada
no espaço
e aquele mundo nunca mais foi o mesmo
assim com sua morte, fez vitima um planeta inteiro
e as palavras que deixou ficaram, a lava jorrando em agora o vulcão
e os filhos que a dominaram e depois transformaram
então devastaram e depois negaram, e tudo através da inquietação
que o equilibrio é a coisa mais frágil que existe