18
Jan
26

2. a espada – a grande saga de lepse-tan

estava acordado a horas, sem abrir os olhos
despertou com uma brisa gelada do dia
e com a luz amarela da aurora, deslizando os dedos
pela entrada, gentil das suas palpebras nuas.
preguiça. onde o mundo que o pecado não erra
pois que tudo ali existia, desde o sempre onde estava
e o que era novo às espécies de lá tinha a graça
a curiosidade gentil, maternal, do bem-vindo

e não havia o canto!
eram pássaros. que saudavam o dia em silencio
de um jeito que toda necessidade seria cumprida
pela caminhada da vida
mas a ele, guerreiro, naquilo tudo havia um vazio
uma falta de atrito, sentido encontrado por quem busca pelas faltas

abriu suas asas à beira do vôo
e seu canto, movido por toda sua história
e memória recentes em furia inaudita, maldita e feroz
agradava aos ouvidos morosos, maneiros do povo
a voz do guerreiro, que contava histórias de mundos distantes
em lingua que desconhecia palavra para abrigar.
ti-ti-ti-ti-ti-ti-ta-ta-ta-ta….
que assim é a vida que aonde aprendia a falar
era o unico aquele a que ninguém entendia

plainava sobre a neve gelada da montanha antiga
gritando as palavras que ele inventava
esperando respostas que nunca ouvia
(que os sorrisos silenciosos não fazem o barulho da guerra)
e dentro de si, tinha a clara certeza de que aquela paz
daqueles gestos de aprovação, alguma coisa de errado havia
uma ausencia, uma falta, alguma razão. de ser.
qualquer coisa que preenchia um movimento
que desconhecia ou não havia em necessidade

se sentia sozinho e amado
debaixo do cobertor de penas amigas e abraços acalorados
de todos que admiravam seus grandes esforços por sentido,
rindo. achavam engraçado o pato enfeitado que grita a manhã.
estavam prontos pra nova espécie, acomodada em ninho novo
uma esposa escolhida por si ou no rumo escolhido da vida,
geraria no ventre uma espécie de canto avassalador.
estavam prontos pra fazê-lo de guerreiro a rei

mas na montanha sagrada, deonde estariam estórias
de uma glória, uma gema afiada,
em que o ódio de um mundo inteiro,
decantado, esperando, calado, juntando, pingado e pingando
no insulto aquietado, no impulso contido
que ninguém sentia no ouvido, ou via
aquela pedra, pensava, responsável por manter uma paz
de um mundo, inteiro – que nem realmente existia –
e será era ela capaz? resistiria?

e no vôo da manhã, cada vez mais largo
cada vez mais quieto, ele sim, aquietado pela força
de um desejo inventado, um capitulo,
da história que ninguém além confirmou
voava mais longe, procurando a visão no seu peito
sabia que estava ali aquilo, que a ele mesmo em si mesmo temia
e não via, sentia que enterrada em alguma estada, um perigo
nesse mundo movido por bem-querença

e nos sonhos lembrava o que ninca via
pedaço de estrela vadia, quebrado, aspergido por uma galáxia
parado, enterrado, enfincado na terra,
e contendo o ódio, a tragédia e o mal disso tudo
qual era?
não conseguia dormir.
sabendo que isso existia

e no ultimo vôo da manhã, com seus olhos fechados
o vento gelado no rosto, o silencio livre, os pecados
as penas dos braços levantandos, esticadas,
e ele, guerreiro, calado
procurando o que ninguém queria, mas que ele sentia que havia
e precisava encontrar, simplesmente por aceitar estar certo

então avistou. no topo de um monte, parecendo inchado
uma fenda, um buraco, caverna no topo da pedra, um fosso
a verdade tornada em realidade, curvando um mundo retilineo
como um deus resignado aos ditames dos sentidos ocultos
de uma sua criatura que precisava de mais razão que bom senso

o cristal fez um corte em sua mão
e vazou pela vista, escorreu, até o coração
quando foi removida da pedra.
liquido-pedra de fogo e foligem brotavam ferozes do chão
e a montanha tremia e da fenda da rocha uma luz crescia
ali era a forja da forma da espada encantada a que procurava
o sentido daquilo que para si faltava.
a lamina crua capaz de conter um mundo inteiro em paz

era agora só sua

transluzia a lamina verde da sua cobiça na mão
o azul de um potencial arrancado da terra
o amarelo vivo do fogo encontrado
a branca e preta realidade incrustada
uma rosa-vermelha do amor contido… violada
luz violeta. e dela brotava do chão o jorro do magma,
lava, treva que esteve contida
e não mais

cosida em seu coração com o jorro fulgurante da terra
fundido na pedra o homem, que em seu coração ficaria,
eterna, o infinito desvio da estrada que rouba da nascente virgem
o presente de estar em tudo, para agora ser só de quem possui um copo
cálice, a dama de um lago de lava, brotava da terra
e cobria o corpo da ave em que a pedra escaldante

era ele agora a jóia
roubada e lançada
no espaço

e aquele mundo nunca mais foi o mesmo
assim com sua morte, fez vitima um planeta inteiro
e as palavras que deixou ficaram, a lava jorrando em agora o vulcão
e os filhos que a dominaram e depois transformaram
então devastaram e depois negaram, e tudo através da inquietação
que o equilibrio é a coisa mais frágil que existe

28
Dec
25

1. o titã – a grande saga de lepse-tan

ainda não tinha aprendido a falar
e nem queria
na terra estranha em que estava
um pária

desprezado inimigo
parte de um povo tigrado
maltratado e maltrapilho
moído, derrotado

uma sociedade inteira
feita de cavernas, becos
em carne mole, poucos ossos
e secos

estudando a vida em bares
desespero – antares
sobrevivendo aos pares
um sustentava o outro
frente aum monstro

titã velho

ao longe, os mares
onde a comida havida
toda ela protegida
sem entradas nem saída

pra ninguém
ainda que pida
era tudo do monstro
o povo, sem

tudo era circunstancia

tudo era da montanha
sobrevivencia
acostumados desde a infancia
a ceder, de logo cedo

e ao rei monstro
o segredo
conveniência, encontros cegos
todos martelados, pregos

e os peixes, belas frutas
muito além daquelas grutas
eram todos do titã

pois que a vida em cidadela
ela mesma
a mesma cela

não conduzia falar

a injustiça era de todos
a revolta um direito
desafio, enorme medo
e clandestino era o respeito,

mas não pra ele, que bonito
não sabia estar contido

lepse-tan

e levantou-se
enfrentando
o titã

gritou o nome do monstro
só aí já era pecado
mas ainda pior, nadando
foi postar-se do seu lado

a espada levantou-se
colossal entre as marés
lamino-minada em lendas
e o gigante agora, em pé

caminhou sobre a cidade
procurando por saber
“quem é que fala aí a verdade?
certamente quer morrer”

ele não via no seu ombro
o herói rindo, a comer

que respondeu de um só grito
um só golpe, no ouvido
que pôs o titã a tremer

(ele era pequena carne,
mas sabia onde bater)

a resposta veio em guerra
não havia novidade
todo titã do universo
desconhece outra verdade

e a espada cortou prédio
cortou casa, cortou gente
cortou tudo que havia
pela frente

e o povo suplicava
que parasse o guerreiro,
mas o quanto monstro batia
menos ficava maneiro

e a espada feito o fogo
o sol em noite transformava
sob sua sombra de morte
convertendo tudo em nada

geográfico metal
de corte continental
atingia suas carnes
e o guerreiro vociferava
para o povo encolhido
“se agarrem na espada
sobem por ela, ao umbigo
usem o vosso osso cortante
e seco de bicho faminto!
é hora de matar gigante,
pois querendo ou não-amigos
tão aqui presos comigo’

…e aquela noite o povo
comeu carne de titã!

– na vida seguinte era ave
essa foi sua coroação
que as penas, sabem heróis,
é um tipo de premiação

20
Dec
25

como acontece: do poder de convencimento ao rob reiner

eu evitei esse texto a todo custo.
acho o auge da minha auto declarada paranoia….
mas essa semana mais uma tragédia aconteceu no mundo da cultura.
o diretor e ator rob reiner e sua mulher michele foram assassinados pelo filho deles, nick.

é mais uma das historias horriveis a sair do universo das pessoas formidáveis. vou lembrar algumas pra dar contexto: toda a vida do michael jackson, os filhos do marlon brando, o suicidio do robin williams depois de uma vida de solidão, jogando videogame online com adolescentes a vida toda, antony bordain que parecia ter tudo, o desespero afetivo da amy winehouse, a exposição criminosa do comportamento adolescente (natural!) da paris hilton, lindsay lohan e britney spears, os estupros estruturais cometidos por bill cosby e harvey weinstein, a condenação publica sem base legal do woody allen, os “surtos” de gente como martin lawrence, wesley snipes e dave chapelle e a solidão em geral profunda da vida de tantos artistas, simbolos do amor ao que mais humano existe em se dedicar uma vida para produzir arte. pelo avanço da humanidade.

o brasil tem uma relação melhor com a cultura. nossos ídolos, apesar de ser um olimpo inviolável, não sofrem violencias parecidas e a cultura negra aqui vive. gilberto gil, djavan, milton nascimento… estão vivos e passam bem!

nos eua não… se voce fizer uma lista com as figuras negras importantes vai notar um padrão de destuição da pessoa ou da figura publica em quase todos… os que não participam de escandalos, morrem cedo, ou passam a vida débeis como o muhamed ali, richard pryor…. deformação moral: michael jackson, bill cosby… neurose difamatória: nina simone, billie hollyday… e figuras como o bob marley tem sido difamados em documentários postumos, agora que não podem se defender

a lsita segue e praticamente nenhuma figura negra importante sobrevive a ela. só consigo pensar no louis armstrong e não sei tudo sobre ele… mas a alguns anos todos os artistas americanos caem na mesma maldição.

ninguém vai acreditar nesse texto…. e eu não me importo.
aqui eu falo de tudo que eu não posso falar em lugar nenhum sem ser ridicularizado ou silenciado… ou qualquer outra coisa… aqui são desabafos. e eu que estou tentando virar um artista no mercado estadunidense, sinto vibrações dessa triagem… o quanto a vida é manipulada “como preparação” para chegar nesse topo e o quanto essa loucura afeta a vida da minha filha.

e essa coisa do filho do rob reiner me perturbou profundamente… por que eu sinto isso na vida da minha filha… minha filha é um amor de pessoa… nunca mataria nem a mim nem a mãe dela… mas ela passa por violencias desmerecidas o tempo todo… seja pra difamar a mim, em nome de alguma conquista moral da mãe, seja o contrário… seja pra manipular a disposição dela de morar em são paulo, seja pra ela ver que é feliz no rio… seja pra ela vir comigo pra um prototipo de futuro na finlandia, seja pra que se torne dona de um pet shop em vargem grande… e muda o tempo todo!

nunca tem uma ideologia ganhando. nunca tem uma direção favorita…
uma hora eu sou claramente um monstro na voz dessas propagandas. a outra, a mãe dela não presta….

eu tinha um emprego, era facil me colocar no mercado, antes do “cresça ou morra”
e agora minha filha tem que reciclar roupas velhas e se reinventar nos estudos vivendo uma vida caótica, sem nenhuma estabilidade…

é uma gente, quem manipula essas informaçoes, esses fluxos, que não tem fidelidade a nada e maltrata a vida alheia por piada. é a mentalidade de quem cria gado. violencia estrutural. normalizada.

e não fosse só isso, nós somos uma familia com habilidades estranhas, sentimos (e eu digo isso por mim) influencias invisiveis… silencio afetivo… minha filha também sente… então, mesmo que fizesse sentido, que tivesse uma intenção clara na manipulação de nossas vidas, não tem alma…

no meu caso, o amor… eu claramente estou ostracizado de qualquer forma de amor…
imaginava que era pra estar livre pra começar um nova vida em outro lugar, mas como brincou o ultimo amigo a quem tentei esclarecer minha condição “é uma velha rica de 95 anos que voce imagina que te quer…” voce pode esperar essa amante abastada que vai garantir suas necessidades por anos e anos e não ser verdade, e se for verdade é uma amante de 95 anos… e se demorar… ela morre

e eu sinto a falta de amor em tudo que essa “opção de vida” me impoe.
e eu sinto que por tras de tudo que eu faço não tem nada meu….
e imagino que nossos filhos, crianças, sensiveis, sentem isso ainda mais que nós, adultos, famintos pela oportunidade que vai nos dar a chance de mostrar ao mundo quem nós realmente somos….

é um sistema criminoso
que não favorece ninguém

que não sabe de amor
só sabe bater

e já perdeu o tempo aqui na terra.
e precisa ser derrubado.

por alguma coisa melhor
pra todos nós

22
Nov
25

a estrela – a grande saga de lepse tan

e a menina era um prisma
entalhada por duas ferramentas cegas
o amor violento do pai
e a calentadora ausencia materna
cintilava agora
nua qual noé, sola
principio ativo de um mundo novo

ovo

jóia

22
Nov
25

aorta

A morte
O corte
O norte
O short
O esporte
O Forte
O porte
A sorte

22
Nov
25

babilonia – a grande saga de lepse tan

embalava confortável
no seio do inferno
afrouxada a gravata
dispensado o terno

havia trocado o lume
de numeros, gavetas
achado o negro gume
e as pernas das letras

simbólica canção
um livro em sua mão
satanica oração
da escrita-mãe, dragão

e o calor do fogo
o jogo
do sentido escrito
a vida

e não havia forja
outra
que existir
em si

saída
ficar era a partida
prisão, pena
cumprida

ela dizia:

só conhece o gozo
quem passa pela fome
e só vence o diabo
quem sabe do seu nome

14
Nov
25

ou apagar – a grande saga de lepse tan

continha as memórias de quem era agora, em um corpo civilizado
tinham todos os rostos inchados do nó da gravata no peito, apertado
e pra além da postura só havia a lembrança do peso de corpos se amontoando
banhados em soluços do ar saído de novos pulmões, soterrados
para nunca mais retornar… um grito de culpa, silenciado … no ar… com fogo… gravado
e agora esse novo mundo, distante da guerra, um paraíso, acessível a uma reza pra ter,
onde não lembrava preço que custara pagar de entrada o derradeiro bilhete

(sacolas de plástico frágeis, carregando o peso de seu corpo em ouro)

passaria a vida inteira com alguma memória atravessada à garganta
ainda não gostava de gente… o pulsar dos corações na memória,
e os sons das risadas… e soluços, cada vez menores… crianças….
tentava ir às festas. sorrir, experimentar romances, mas
a paz não resolvia os problemas que tinha quando precisava fechar os olhos.
quando era preciso dormir e as imagens das vidas, nas mãos calejadas,
o sofrimento que havia dado, pra se alimentar do que era tirado
o concreto armado pressionando contra o pulmão, e o próprio sangue sufocado
a garganta que não consegue puxar nem guardar fôlego…. a risada…. precisava sair dali!
correr em desespero de toda felicidade, e com satisfação se apagava
se trancava em um quarto e estudava economia. administração de empresas.
ou qualquer outra coisa que não o lembrasse das vidas passadas
mas sua própria presença o seguia pra todo canto!
que importa quem eram os seus inimigos? que importava quais vidas tiradas
se o efeito em suas veias era o mesmo, do arrependimento envenenadas
e os gritos, e a culpa, e o reboco, as explosões, e as suas mãos pelo sangue, tatuadas ,
a morte de gente que não lembrava os nomes. as vidas curtas de carnes crentes cortadas .
os numeros! contava… olhava a janela pintada de preto, procurava o cinza. temperava
com os pontos de luz à distancia que traziam o vago som de memórias. risadas.
mas os numeros não ajudavam, nem além das formulas elaboradas
por outras melhor intenções além que a sua, entendia nada
pois não fora feito pra isso pra além da simples sobrevivencia
e tudo que sabia fazer, agora, em uso civilizado
era o que o fazia lembrar. do quanto era bom com uma arma na mão
carregava as memórias da guerra embolada nos objetivos
como quem carrega artigos utilitários sem destinação.
como quem atravessava titanico deserto sem um copo dágua,
carregado de ouro pesado em sacolas frágeis feitas de plástico

civilizado

e depois de algum tempo, a fome o lembrava de muitas outras coisas.
e olhava os numeros, fixava, e cansado e deitava, dormia, apagava…
e sonhava… e gritava… acordava… apagava e apagava o que nunca apagava…

12
Nov
25

o povo cigano – a grande saga de lepse tan

os povos ciganos eram os unicos fora da guerra…
se mantinham em paz com os mortos do mundo, com a terra

estavam seus unicos amigos ali e guardavam seu corpo,
junto com a lenha pro fogo e as utilitárias pulseiras
de relógios velhos sem nenhum valor, no meio das tendas
estruturas do andor, sustentadas no amor, manchas de bolor,
quintais partilhados, recursos contados,
dissipando tragédias tocando e dançando canções, encantados

e ele guardava os seus dentes pobres na presença dessa nobreza
que ensinava a ele esperar, pelas coisas que a vida decide quer dar

enquanto os outros povos lutavam. enquanto os outros povos caíam
erguiam, tomavam, guardavam, tombavam, calavam… explodiam
e diziam que tudo era deles, individualmente, queriam.
as coisas que se esvaiam, ainda que se esforçassem em guardar
e o povo cigano sorria, para quem pudesse entender, em um esgar,
que tudo se não é para todos, é porque também não é de ninguém
e o passado, as historias, somente fiar entre os panos, cabiam.

“por que essa liberdade em meio a nosso desprezo?” – arguiam
respostas cantadas, tão bem fraseadas nas mesmas perguntas que vinham

e a guerra lá fora seguia. soldados andando em linha
passando calados em meio atolados, na neve que enterrava os corpos
para apodrecerem os mortos, mais tarde, na terra, em plena primavera
passavam andando por gente festiva, desprovida à bebida,
aos bandos e à lira, à beira de qualquer fogueira
e ele guardava sua ira guarrdada nos troncos, nos feixes de lenha
procurado, odiado por proprietários de títulos que o caçavam,
não sabia os motivos, no entanto sabia de guerras, sabia odiar
e sabia de dor, perdido, o amor e era isso pra ele o bastante,

que o grito saísse por suas feridas, era o espadachim, finalmente
a vocação da sua existencia, só faltava sua espada inclemente

em sua mão dançava uma lamina parte do peito, invisível
lutava como quem se afirma, desinteressado do resultado
era um homem com maldições arrastadas nos passos atropelados
com manchas de sangue nos rastros e sombras da fome que o impelia
e os soldados, tecidos tigrados, nem sabiam da sorte que tinham,
quando o povo da terra ao abrigado escolhido no aperto de mão
escondiam

e todos da própria maneira
celebrando a necessidade

01
Nov
25

um besouro soltando fogos: a grande saga de lepse tan

não havia disso ali
um besouro soltando os seus
fogos de artificio…

os besouros eram besouros
ficavam todos pelo quintal
roendo folhinhas
e rolando bosta
como todo besouro há de fazer

alguns voavam!
outros coloridos, lindos!
…mas soltar fogos de artifício…
nunca ninguém não tinha visto
mesmo não….

e era no centro da cidade,
não era em floresta escondida
david atemboroughesca…
era de uma espécie conhecida
chrysomelidae
que dava em todo canto
…mas esse só, soltando fogos…

o ano todo também…
não era em data de festa
que acontecia…
até isso intrigava
o por que daqueles fogos
e se nem mesmo era algum
tipo de comemoração…?
e o tempo todo não…
era assim, sem nem aviso
levantava nas patinhas
e começava

parapapá!

e o pior praquele povo,
desprovido do fantástico,
era a pergunta:
“e de onde vem toda essa pólvora?”
“de onde tira esses rojões?”
e eram uns rojõeszinhos de papel
daqueles que comprava na esquina
em época de festa, antigamente

nunca tinha queimado nada grave
uma folhinha ali, uma asa aqui
de mariposa
as mariposas não ligavam
mariposa é um povo doido,
elas voavam em redor
e ele, o besourinho, não parava
pshiu!… pshiu!…
os seus foguinhos coloridos

prenderam ele

botaram em laboratório,
claro
até não ser mais novidade

e nunca mais que teve outro

01
Nov
25

como acontece: diamantes

e que o ímpio descubra o que acontece
quando tenta mastigar diamantes




Archives


Design a site like this with WordPress.com
Get started