Novas paragens
Este blogue foi o embrião do portal www.certaspalavras.com, em desenvolvimento.
Para serviços de tradução, consultar www.eurologos-lisboa.com.
Pensar na língua
Porquê tantas línguas? O que seria do mundo sem Babel? Que teria acontecido se tivéssemos construído a torre?
Haverá uma “alma” de cada língua? O que distingue realmente língua de dialecto?
Quantas línguas há? Estão a desaparecer? Como surgiram as línguas?
BTTB
Todos nos queixamos do português falado e escrito hoje em dia (uma queixa que é comum a todos os tempos e a todos os povos, convenhamos). Não será mal pensado voltarmos a ler, uma vez que seja, pequenas regras que podem ser muito úteis. Por exemplo, recordar os tempos verbais; estudar os pronomes; perceber finalmente o que é uma subordinada. Por aí fora. Para quem já escreve e fala correctamente uma língua, as regras podem ser bem mais úteis do que para quem a está aprender. Para mais, um pouco de reflexão sobre as estruturas que usamos todos os dias não fica mal a ninguém.
Língua de trabalho
Porque é a língua o meu instrumento de trabalho, reunirei aqui recursos, experiências, princípios e reflexões sobre tradução. Poderá ser útil para colegas meus e, muito principalmente (passe o egoísmo), para mim, que aqui terei um local centralizado para juntar tudo isto. Só espero ter paciência e tempo, como sempre.
Blogologia
Já há tantos e tão bons (e tão maus) que bem podemos começar a coleccioná-los (aos blogues). Ir ver os arquivos e ler os inícios; ver a qualidade da escrita; procurar fantasmas e certezas; analisar relações; perceber padrões; compreender toda esta corrente de palavras em rede.
A secção é “blogologia”.
Não me admirava que surgisse, muito em breve, uma disciplina com este nome num qualquer curso de comunicação social refundido. Nunca se sabe.
Princípios – 2
Este é um blogue não de quem vê as palavras num pedestal e a língua como ideal (que, pelo que me dizem todos, anda pelas ruas da amargura), mas antes como um mero operário da língua, ou seja, um tradutor/revisor como tantos outros. No entanto, e aí talvez me distinga de muitos outros operários da língua, gosto verdadeiramente da minha matéria-prima. E, acima de tudo, não gosto de a esquadrar em molduras demasiado apertadas (e por isso começo frases com “e” quando me apetece). Mas repare-se: quebrar regras e criar coisas novas na língua só é válido e positivo quando mostra conhecimento orgânico da mesma; quando mostra ignorância, é grave, mas é, acima de tudo, feio. Em resumo, três ideias: a língua como coisa que mexemos e trabalhamos todos os dias; a língua como realidade viva e não encerrada em dicionários do século passado; a língua como corpo que se usa e abusa (sem pudores) respeitando-o e conhecendo-o — cada vez mais.
Princípios – 1
No início, os blogues são apalpadelas. Não são o que serão depois, digamos assim. Portanto: é às apalpadelas que começo.
E começo como? Em primeiro lugar, este é um blogue sobre palavras, o que parece ser chuva em chão molhado. Entendamo-nos: não o é. Como o carpinteiro tem de conhecer os seus instrumentos, também quem trabalha com a língua (portuguesa e não só) gosta de olhar e compreender o instrumento com que trabalha.
Depois, é um facto: há palavras que escondem mais do que dizem em locais onde a transparência se impõe. Por exemplo, o discurso político: os clichés e as expressões bem desenhadas de muitos políticos escondem algumas intenções: é preciso interrogá-las. Mas também, e esta é uma opacidade mais complicada, o discurso antipolítico, que esconde outras coisas que muitos de nós, na nossa inocência, pensamos ser apenas um reflexo de desencantamento legítimo. Mas isto já é ir longe demais. O que quero é o seguinte: interrogar as palavras.
Além disso, terei o radar atento para coisas que se escrevem e para os blogues vizinhos. Já todos percebemos que a blogosfera é um dos espaços onde, actualmente, se escreve muito bem em português. Irei, portanto, olhar para este espaço analiticamente, sem intenções de polemizar a torto e a direito — será esse, espero, o valor acrescentado deste blogue: o de olhar atentando em como se diz, porque o “como” mostra muitas vezes o “porquê”, o “quem” e muito mais.
Por último, o supremo cliché: “el caminho se hace caminando”. Machado já o disse e quem somos nós para o desdizer. Mas, por favor, lá porque tenho citações, falo de literatura e de línguas, não cataloguem logo o Entrelinhas como blogue de e para intelectuais. O grande objectivo, confesso desde já, é abrir buracos nestes muros que fomos erguendo à nossa volta, muros feitos de certezas absolutas, sintaxes diferentes, perspectivas irreconciliáveis — feitos portanto, em grande medida, de linguagem. Pequenas brechas que exigem, de todos, algum esforço. Consegui-lo-ei? Não sei.
Un sol amor
Diversos són els homes i diverses les parles,
i han convingut molts noms a un sol amor.
Salvador Espriu
Acto de fundação
Como tudo na vida, um novo blogue, feito com algum empenho, é uma aposta e um risco. Vamos a isto.
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