Poema de Fortunata Fialho/tradução de Manuel Nunes

Depois

Depois… o passado não volta a acontecer,
Depois será tarde de mais,
Agora o dinheiro não abunda, temos de esperar.
Depois a saúde pode não deixar.
Depois será sempre tarde de mais.
As estradas da vida não nos permitem retroceder,
Sempre que o tentamos mudam de destino.
Eu já tentei e não reconheci o caminho.
A paisagem mudou, os passos perderam-se,
E o passado não encontrei.
Depois nada volta a ser já e o tempo já passou.
Depois nunca será o momento certo,
O hoje é que necessita ser vivido,
Depois será sempre o momento errado.
Hoje vou aproveitar o momento presente,
Depois logo verei o que me traz.
Depois… não quero deixar mais nada para depois.
Quero viver intensamente este tempo presente.
Somar momentos inesquecíveis,
Beijos e abraços apertados,
Risos e brilhos de olhares cheios de esperança,
Momentos de amor ardente e ecos de risos de crianças.
Depois será amanhã, mas… será nosso esse amanhã?

Thereafter

Thereafter—lo, the past shall not return,
Thereafter cometh late, too late by far.
Now doth our purse lie barren, we must wait,
And yet, what if frail health shall bar the gate?
Thereafter ever cometh far too late.
The roads of life permit no backward stride,
For when we turn, they shift and twist anew.
Oft have I sought the paths I left behind,
Yet found them shrouded, lost to fate’s design,
And all I knew did vanish in the blue.
Thereafter ne’er shall be the time most right,
For only now doth claim the crown of days.
Let me embrace this fleeting, golden light,
Ere time’s cold hand shall steal it from my gaze.
So let me feast upon this present hour,
And cast not all my joys to fate’s delay.
Let kisses burn and laughter’s echoes soar,
Let love’s embrace hold steadfast as the shore.
Thereafter is but mist upon the dawn—
Yet shall we own the morrow, once today is gone?

Momentos que não esperam – Fortunata Fialho

Fortunata Fialho – Momentos que Não Esperam
Fortunata Fialho – Moments that Don’t Wait


Basta!
Basta de palavras prisioneiras.
Basta de dor e mágoas!
Ultimamente as palavras não se soltam,
As mágoas e a dor bloqueiam-nas.
Sufocam-me as frases caladas,
Os sentimentos cativos e as lágrimas escondidas.
Quero que se soltem as letras,
Que se juntem em pelotões de quadras,
Em exércitos de rimas bem sentidas,
Disparando versos metralhados
Bramindo espadas de cânticos de amor.
Basta de palavras engolidas.
Que da boca saiam poemas de revolta…
Poemas, bálsamos para a dor.
Que ecoem versos de esperança e riso,
Poemas felizes, brilhando depois da tempestade.
Soltem-se todas as minhas palavras…
E com elas as nuvens negras que assombram os meus dias.
Quero que as palavras limpem as lágrimas,
Apaguem as mágoas e deixem brilhar a alegria.
Basta…


Enough!
Enough of imprisoned words.
Enough of pain and sorrow!
Lately, words refuse to flow,
Held captive by grief and anguish.
Silent phrases suffocate me,
Emotions bound, tears concealed.
I want letters to break free,
To gather in squadrons of stanzas,
In armies of deeply felt rhymes,
Firing verses like gunfire,
Brandishing swords of love’s refrain.
Enough of swallowed words.
Let my mouth unleash poems of revolt…
Poems, soothing balms for pain.
Let verses of hope and laughter resound,
Poems gleaming after the storm.
May all my words be set free…
And with them, the dark clouds
That cast shadows over my days.
I want words to wipe away tears,
Erase sorrow, and let joy shine through.
Enough…

Hoje o sol nasceu.

Hoje o sol nasceu e a sua luz é maravilhosa.

O ano entrou e o meu coração foi quebrado.

O sol não nascia e os dias eram cinzentos.

Os rios corriam pelo meu rosto desaguando nos meus lábios.

No meu rosto morreram todos os sorrisos,

Os meus olhos não brilhavam e irradiavam sofrimento.

O mundo à minha volta era negro e chuvoso.

Pelo ar não soavam risos e os caminhos eram pedregosos e feios.

As pessoas eram vultos difusos envolvidos em sombras sinistras.

À minha volta o chão fendia em precipícios profundos,

Escuros, ingremes… intransponíveis.

Hoje o rio dos meus olhos secou…

O sorriso voltou a emoldurar o meu rosto.

Pelo ar ecoam risos de felicidade…

O meu coração sarou e a vida voltou.

Subitamente, os caminhos floriram libertando perfumes inebriantes.

Hoje tenho vontade de dançar, cantar e rir… rir muito.

Hoje estou feliz e todos à minha volta sorriem.

Hoje… finalmente… sou feliz novamente.

Fortunata Fialho

Gostava de …

Gostava de …

Hoje alguém se me apresentou como um poliglota,

E, eu senti-me uma perfeita idiota…

Segundo ele, falava francês, inglês, chinês, dinamarquês…

Pensei nas línguas que gostaria de falar.

Subitamente descobri!

Quero falar “Bebézês”, “Passarinhês”, “Baleêz”, “Insectêz” … e tantos mais “…êz”

Dos bebés gostava de entender os seus choros.

Com os pássaros falar de aventuras aéreas,

Paisagens longínquas e de espécies que nunca vi.

Com as baleias descobrir o que se passa nas profundezas dos oceanos,

Atravessar os mares em amena cavaqueira de experiências partilhadas,

Com os insetos aprender sobre tudo o que é tão pequenino

Que os meus pobres olhos não conseguem alcançar.

Com as toupeiras entrar dentro do solo

Perfurar a terra em procura de tesouros escondidos.

Com os peixes, conversar sobre as suas vidas,

Aprender como deixar de poluir as águas e,

Em seu nome pedir aos homens que limpem toda a poluição

Tornando as águas puras e cristalinas.

Agora que pensei melhor, também gostava de falar “Tubarês”.

Assim quando nos cruzássemos nos oceanos

Podia pedir que não me mordesse, pois sou extremamente indigesta

Fortunata Fialho

Basta!

Basta!

Basta de palavras prisioneiras.

Basta de dor e mágoas!

Ultimamente as palavras não se soltam,

As mágoas e a dor bloqueiam-nas.

Sufocam-me as frases caladas,

Os sentimentos cativos e as lágrimas escondidas.

Quero que se soltem as letras,

Que se juntem em pelotões de quadras,

Em exércitos de rimas bem sentidas,

Disparando versos metralhados

Bramindo espadas de cânticos de amor.

Basta de palavras engolidas.

Que da boca saiam poemas de revolta…

Poemas, bálsamos para a dor.

Que ecoem versos de esperança e riso,

Poemas felizes, brilhando depois da tempestade.

Soltem-se todas as minhas palavras…

E com elas as nuvens negras que assombram os meus dias.

Quero que as palavras limpem as lágrimas,

Apaguem as mágoas e deixem brilhar a alegria.

Basta…

Fortunata Fialho

(Imagem retirada do Pinterest)

Não me interessa.

Não me interessa

Se o mundo gira ao contrário… não me interessa.

Se caminho em sentido inverso… não me importo.

Se recuso ir onde me mandam… que se lixe.

Nesta vida caminho sem pressa em busca do meu Porto Seguro.

Num mundo preto e branco eu quero ser arco-íris.

Neste rebanho branco, faço questão de ser a ovelha negra,

Ser imperfeita é o meu mote,

Remar contra a maré torna-me mais forte.

Não me interessa…

Pensar como me pedem ou vestir o que todos vestem.

Não me interessa se me acham bicho raro,

Se os livros que leio ofendem algumas gentes,

Se escrevo o que me vai na alma sem rima latente.

Se na minha cabeça nascem imagens e histórias diferentes.

Se os retrato sem regras impostas mas com sentimento.

Não me interessam…

Criticas destrutivas, rótulos inúteis,

Pessoas tóxicas e mentalidades fúteis.

Só me interessa…

Ouvir risos e ver campos floridos,

Que as pessoas sejam felizes e o ódio desapareça.

Que o ar não seja poluído e que a água seja pura.

Que seja seguro caminhar na rua…

Fortunata Fialho

Mais uma participação.

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