Na boa, sem chorar

Hoje comecei a cantarolar uma música da Sandy e Júnior e comecei a lembrar que tinha uma música que eu amava ouvir, no rádio que juntei dinheiro por mais de 1 ano para comprar.

Lembro da alegria de ter comprado um micro system que tocava cd, fita e rádio. É claro que eu fui em uma lojinha da cidade e comprei alguns cds piratas (sorry), um deles foi a Sandy e Júnior (Sim, era as quatro estações, mas obviamente por ser pirata nunca tive a experiência de trocar a capinha).

Sei que pode parecer feio eu admitir que comprava Cds piratas, mas eu não tinha acesso aos originais, tanto que a primeira vez que vi um CD original do The Calling (da irmã mais velha da minha amiga) fiquei encantada! Mas eu nunca tive um CD original (infelizmente).

Voltando ao assunto da música que eu amava ouvir da Sandy e Júnior e que não era tão famosa (pelo menos eu não me lembro de ter ouvido tocar no rádio), depois de ouvir algumas música do jeito antigo (pelo Youtube) e sem lembrar nadinha da letra, encontrei, amém! O nome dá música é Na boa, sem chorar , eu lembrava que era uma das últimas músicas do CD.

Engraçado que quando começamos a ter uma boa lembrança ela puxa outra e mais outra.

Lembrei também que eu tinha um amigo que também amava Sandy e Júnior e ele tinha comprado um CD que tinha acabado de ser lançado, aquele que toca o turu turu (Quando você passa). A gente ficou ouvindo o CD inteiro durante uma tarde, eu queria muito um e ele gravou todas as músicas em uma fita para que eu pudesse ouvir em casa. E eu ouvi muito, até que um dia perdi a fita e nunca tive coragem de contar para ele (crying).

A Sandy era o meu ideal de cantora, de beleza e de comportamento. Eu sempre gostei muito de ouvir música e de cantar (embora eu não tenha talento e nem seja afinada).

Eu tinha várias revistinhas dela e do Júnior (primeiro crush da adolescência).

Foi muito bom viver essa época, mesmo sem nunca ter ido a nenhum show deles.

É isso, um post cheio de saudade e nostalgia, da forma mais blogueira raiz possível! ❤

Caminho de volta

Em algum momento da vida, sem perceber, a gente se afasta de quem sempre fomos.

Na infância é tão fácil existir, a inocência faz com que tudo ao redor seja tão simples…

Completar 30 anos faz a gente olhar para a vida como se estivéssemos em uma sala vazia, em que o silêncio é tomado pelo tic-tac do relógio, é se dar conta de que talvez não tenhamos tanto tempo pela frente, é perceber que as folhas do calendário estão caindo mais rápido que as folhas das árvores.

E o que foi feito de nós? Que lugar ocupamos no mundo? Onde estamos e para aonde vamos?

Não importa quais experiências tenham nos trazido até aqui. De alguma forma parece que viramos astronautas e estamos flutuando, vendo a vida acontecer e sem coragem, nem força, para pôr os pés no chão.

Afinal como é mesmo que é ser feliz? E por que parece que está todo mundo tão cansado?

Como crescer sem ter que deixar um pedacinho de nós pelo caminho?

Sabe, um dia eu me olhei no espelho e me senti fragmentada. Eu olhava para o passado com arrependimento e para o futuro com medo e sem perspectiva. Uma parte de mim, tentava recolher e colar os pedacinhos, outra; espalhava tudo pelo chão. E eu sofria, porque eu não conseguia mais ser eu mesma e quanto mais eu tentava, mais eu me afastava de mim.

Tive que tomar um bocado de decisões difíceis…

Mas isso me deu um fôlego, uma esperança de que talvez eu pudesse fazer o caminho inverso e me reencontrar…

Primeiro eu fechei os meus olhos, depois eu olhei para dentro de mim e senti muita pena. Eu comecei a chorar e recolher sozinha cada pedacinho meu que ficou pelo caminho, mas percebi que eu nunca iria conseguir juntar todos eles, que eu precisaria refazer algumas partes.

Aos poucos eu consegui voltar para mim, mas encontrei outra pessoa.

Não dá para voltar a ser o que se era depois que quebramos, mas depois de olhar bastante tempo para as cicatrizes passamos a nos acostumar com elas e compreender que elas podem não ser bonitas, mas que fazem parte da pessoa que somos agora. E ser a gente mesmo pode doer, mas dói mais ainda se perder e não saber mais quem se é.


Notas: Esse texto foi escrito inspirado em fragmentos: de uma conversa que tive com a minha amiga Márcia há alguns anos atrás, quando eu tinha só 20 e tantos e ela já tinha quase 40; da leitura de um post no blog Hey Iḿ with my Band e das minhas próprias inquietudes da vida no 30+.

Espero que toda vez que a gente se perder que possamos procurar o caminho de volta para nós mesmos, compreendendo que nada vai ser igual, mas que pode ser bom também existir em um tempo diferente, com outros pensamentos e outras experiências.

Triste não, só cansada.

Fico imaginando quantas Clarices, quantos Manuéis, quantos Mários e Vinícius estão por aí, escondidos escrevendo em diários, em cadernos escondidos nos fundos de suas gavetas, nas notas do celular ou nas páginas de um blog empoeirado.

Quanta gente talentosa com as palavras, mas sem destreza nenhuma para gravar um vídeo curto para postar em uma rede social qualquer.

Sem palavra-chave, sem se preocupar em ocupar a primeira página de pesquisas do Google, sem se preocupar com o número de palavras escritas por dia.

Será que tem poetas de olhar cansado (reza a lenda que eles costumam ter insônia) escrevendo milhares de poemas pensando na mulher amada e no amor impossível deles?

Ou há uma mulher que parece ser triste, mas só está cansada. E que escreve como se fosse salvar a vida de alguém e sem perceber está se salvando da correnteza de sentimentos que a atormentam no decorrer do dia?

Feliz Dia das Mães aí no céu

Faz um tempinho vi alguém falando sobre uma música que o Emicida fez chamada “Mãe”. Nessa música tem um trecho que diz: “…Esses dias achei na minha caligrafia a tua letra e as lágrima molha a caneta”. Foi engraçado porque naquela semana, eu tinha escrito, em letra cursiva, uma palavra com S maiúsculo e lembrei da tua letra. É claro que eu me emocionei, porque tudo aquilo que me fez lembrar você mexe com as minhas emoções. Fui procurar a música e achei outros trechos que pareciam ter sidos escritos por mim, destaco mais um que diz assim: “…Em tudo eu via a voz da minha mãe, em tudo eu via nóis.” Sigo ouvindo a sua voz a cada passo que vou dar e tentando inventar um conselho que você daria para aquela situação.

Sabe, mãe. Eu te vejo em tudo, em cada mínimo detalhe do meu dia.

E, mais uma vez, vi alguém citar um trecho da música “As canções que você fez para mim”, da Maria Bethânia, para homenagear um ente querido e vou pegar esse trecho emprestado para te homenagear também, esse trecho bem bonito diz assim: “…É tão difícil olhar o mundo e ver o que ainda existe, pois sem você meu mundo é diferente, minha alegria é triste”. Eu já tinha ouvido essa música algumas vezes, mas a partir desse dia ela passou a ter um significado diferente. O mundo ficou muito mais chato e triste sem você, minha mãe!

Eu poderia citar mais um milhão de músicas que me fazem lembrar de você ou que as letras ganharam um significado diferente depois que você partiu. Isso porque eu gosto muito de ouvir música, uma paixão que herdei de você e do meu pai, porque em nossa casa sempre teve um rádio ligado ou alguém cantarolando pela casa.

Mas para finalizar o meu repertório musical de hoje, termino parafraseando aquela clichê do Nelson Rodrigues que diz: “…Naquela mesa está faltando ela e a saudade dela está doendo em mim.”

E no final, com aquele S maiúsculo, que parece com o seu, escrevo (e sinto) SAUDADE.

Feliz Dia das mães aí no céu, mãe!

Este texto não faz sentido nenhum

Não fale assim.

Seja assado.

Assim você assusta.

Você precisa aprender a se posicionar.

Pare de dizer sim.

Você precisa ser mais maleável.

Pare de ser tão crítica.

Como você pode concordar com tudo?

Você é medrosa.

Não sabe comandar.

É autoritária demais.

Mude o seu jeito, ninguém vai gostar de você assim.

Me espremo, me encolho, tentando me encaixar dentro do quadradinho de expectativas dos outros. É óbvio, não me cabe. Mas de longe até dá para enganar. É tão apertado! Olha como os meus pés ficam para fora buscando fuga…

Eu não queria estar aqui…

Não queria me encaixar em quadrado nenhum, queria poder ser livre para pular de quadrado em quadrado, já que não me encaixo em nenhum deles.

Aqui dentro está escuro, mas daqui, veja só: eu consigo ver as estrelas. E, na minha solidão eu posso ouvir o silêncio e ele faz um barulho enorme.

E a minha mente é a minha única companhia. Sabe e eu queria ser artista, daqueles que sobem em um palco e recebem aplausos, mas Deus me fez poeta. E poetas sempre são sozinhos.

Só memória

Em um dia quente de setembro, no finalzinho da tarde, sentei em frente a minha casa e fiquei observando o tempo passar.

Hoje deve ter feito uns 40º C, sensação térmica: abriram as portas do inferno e esqueceram de fechar.

Mas no finalzinho do dia começou a ventar.

Fiquei em frente de casa para poder refrescar um pouco.

Olhei para o céu e para a única árvore que consigo enxergar de lá. O vento batia na árvore de uma forma que quando eu olhava para ela parecia que ela estava o tempo todo me saudando. Achei graça.

Os últimos tempos, têm sido “aqueles tempos”. Sabe “aqueles tempos” que a gente quer que o vento leve embora? Que o tempo passe mais rápido que o Papa-Léguas e, que a gente guarda na gaveta das “memórias indesejáveis”? Pois é.

Essas memórias são aquelas que no futuro a gente diz: “Foi foda, mas superei!”

Mas até chegar no momento de virar só memória eu fico aqui, esperando o tempo passar enquanto aceno para a árvore mais simpática da vizinhança.

Programa eleitoral

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A juventude passa bem na frente dos nossos olhos. Nossa vida é um curta-metragem.

Se você levantar para ir ao banheiro perde uma boa parte.

Tem vários figurantes, que por vezes passam despercebidos aos nossos olhares. Desconhecidos que acompanham nosso roteiro do começo ao fim.

Promessas no programa eleitoral.

Lembra quando éramos mais novos e nossa maior preocupação era com as festinhas dos finais de semana?

Naquela época as coisas pareciam ser mais simples. Aliás, elas não pareciam, eram.

Embora o nosso grupo de amigos sempre tenha se destacado por ser muito politizado, nós sabíamos separar bem as coisas. Nossos pais tinham candidatos a gente não.

Quantas vezes subimos em caminhões, para participar das carreatas de comemoração, sem se importar quem era que tinha vencido. Não nos importava qual letra viesse na sigla do partido.

O importante era celebrar;

Celebrar aquela juventude que nos permitia ter menos responsabilidades.

Mas daí a gente cresceu e vieram as responsabilidades e o título de eleitor.

Quando foi que candidatos puderam influenciar tanto nos relacionamentos?

Eu achava mais legal quando eles eram só uns caras de terno que falavam falácias na televisão. E não deuses. E não mitos. Só pessoas que selecionavam palavras difíceis do dicionário para parecerem mais inteligentes e não palavras de ódio e destruição. 

Saudade de quando a nossa vida era muito mais que os minutos de uma propaganda eleitoral que atrapalhava a novela preferida da nossa mãe. 

 

Esperando você voltar

(achei essa imagem no Tumblr)

Você bem sabe que eu te vi partir e voltar uma infinidade de vezes. Desde sempre eu soube: você tinha que ir, mas sempre iria voltar. Sempre.

E foi assim que eu cresci acreditando: não importava o tempo, não importava a distância a qualquer dia você iria aparecer na porta de casa.

Mas por algum motivo, que eu até hoje não sei explicar, em uma das muitas despedidas eu senti que eu iria ter perder para sempre e angústia desse pensamento fez com que eu me desesperasse e ao te ver subir naquele ônibus estiquei os braços, em prantos e gritei:

— Mãe!

Você olhou para trás e começou a chorar muito, mas não tinha o que fazer, então foi em frente e os meus olhos perderam os seus na escuridão daquele ônibus cheio de cortinas fechadas em mais um inverno de nossas vidas.

O tempo passou e outros períodos de frio e escuridão aconteceram, mas nós estávamos juntas de mãos dadas em uma estrada quase vazia, assim como naquele sonho que eu tive e te contei.

Na véspera do pior dia de nossas vidas, do soco no estômago, do flutuar dos passos em um corredor gelado. Um déjà-vú, um incômodo, mais uma vez, em uma rodoviária em uma noite fria de inverno. Porém, dessa vez, com outros personagens, no mesmo horário, mas não no mesmo canal. Uma despedida, um até logo, mas uma sensação esquisita. Um incômodo que ecoava no peito e ultrapassava o espaço e o tempo. E me levava de volta para aquele dia, o choro, os braços abertos e você indo embora de novo, só que dessa vez, o peito apertou mais forte e você não estava há apenas alguns metros de distância, mas sim a quilômetros, em um lugar que os meus braços jamais poderiam alcançar.

No dia seguinte, o assustador barulho do telefone celular — que até pouco tempo ficava no silencioso, jogado no fundo da bolsa, mas que agora ficava sempre a mão com medo do barulho da chamada e com o alívio quando ele não tocava — a voz do outro lado em prantos pedia a minha presença, pois as próximas horas eram incertas.

Cega com a minha fé inabalável e com a ideia de que era apenas mais uma viagem com passagem comprada de volta. Eu fui, esperançosa, tranquila. Não fui preparada para vê-la, mas um acaso do destino me colocou dentro daquele quarto enorme, silencioso e barulhento, ao mesmo tempo. Fui porque devia cumprir uma promessa: a de estar ao seu lado nesse momento. As palavras saíram da minha boca ininterruptamente, sem roteiro. Eu falei sobre amor, sobre Deus e sobre o futuro. Peguei em uma mão gélida, de um corpo estático, era como interagir com uma imagem. E, disse: “Estou aqui, você não está sozinha”. As máquinas começaram a apitar, uma a uma. Eu fingia que não era nada. A esperança me fez de boba. Me apeguei em mínimos detalhes, eu te vi partir para não voltar nunca mais. Mas você me surpreendeu e invadiu os meus sonhos e me deu o abraço que faltou, aquele eu tanto esperei. Que saudade de você, minha mãezinha.

trinta e um

Oi, eu do futuro.

Ou eu do passado.

Ou eu do presente.

Feliz aniversário, fia.

O legal de escrever é poder eternizar um momento, como ainda não inventaram uma máquina do tempo eu viajo enquanto escrevo, deixo mensagens para a posteridade.

Enquanto eu escrevo isso ainda tenho 30. Mas em, mais ou menos, uma semana completo 31.

Que viagem doida! Tenho bem marcado na minha lembrança aquele maio frio em que eu fiz 4 anos: o primeiro aniversário que gravei na memória, o primeiro aniversário que me fez entender o que era “fazer aniversário”.

Na minha viagem do tempo, eu pulo para os treze anos, que idade feliz! Naquela época, quem tinha 30 parecia tão velho… e agora quem tem 40 parece tão jovem. E, não é porque o pessoal descobriu uma fonte da juventude, mas sim porque o meu olhar agora enxerga de outro ângulo.

Eu adoraria contar para a minha versão 3.1 que a gente realizou todos os sonhos de antes dos 30, mas não foi bem isso que aconteceu. A vida girou mais que aquele “chapéu mexicano” que a gente viu quando era criança, só que dessa vez a gente tava lá no meio girando e a vida nos virou do avesso, no mínimo, umas três vezes. E vou te contar: foi doido! E foi doído também. Fomos do fim do poço ao começo dele diversas vezes. E se fazer trinta já causa uma crise existencial normalmente, imagina fazer 30 no meio de uma pandemia mundial, enfrentando desemprego, doenças na família. Eu não gosto de xingar, mas puta que o pariu, que fase!

Agora as coisas acalmaram um pouco. E um pouco é melhor que nada.

Eu queria falar para o meu eu que vivemos o nosso sonho americano: que a gente está caminhando em um bairro com as casinhas todas parecidas, que estamos em Nova Iorque com nosso café nas mãos enquanto esperamos por um táxi amarelo, mas continuamos na mesma cidade, vendo as mesmas casas, os mesmos rostos e a mesma seringueira que é cartão postal da cidade.

Porém agora sinto que algo mudou dentro de mim e não é comodismo, juro, mas aprendi a amar viver onde vivo e conhecer cada pedacinho daqui, mas ainda assim, me surpreender no pequenos detalhes cotidianos que uma pequena cidade traz: conhecer todo mundo, poder observar o pôr do sol com calma, tomar o melhor sorvete da face da terra!

E, apesar de um monte de sonhos terem se embolado no meio do caminho, outros tantos desenrolaram e se tornaram reais. Além disso, outras coisas que saíram totalmente do script que eu pré-estabeleci foram incríveis!

Não estou no meu melhor momento, mas hoje eu sei e entendo que esses momentos desafiadores também fazem parte da vida. Então me permito ficar triste e brava quando algo não está bem. E me permito também sorrir e ser grata pelos pequenos momentos de felicidade do cotidiano.

E eu repito como um mantra: “é só um momento ruim, não um dia ruim.”

Fazer trinta e um anos me fez perceber os pequenos milagres que ficam escondidos enquanto a gente espera os grandes.

Esse post está meio atrasado, mas o que vale é a intenção, né? kkkk Comecei a escrever com trinta e terminei com quase 31 anos e 1 mês. (:

A linda convidada parte I

A festa

Em um subúrbio de uma grande cidade vive Loren, uma mulher madura, digamos assim, os números de vida chegam próximos do 50, mas ela não conta a idade oficial para ninguém.

Loren mora sozinha, mas não vive desacompanhada. A vantagem de morar sozinha é que pode fazer festas quando quiser, a desvantagem é que todos têm de ir embora em algum momento.

No último sábado, a solidão cresceu dentro da velha casa de madeira. E ficou tão grande que parecia não sobrar espaço para a própria Loren, que começou a sentir o coração palpitar, as mãos suarem, uma dor no peito… Doutor Monteiro receitara ansiolíticos, mas ela tinha um remédio melhor. Como acabar com a solidão? Enchendo a casa de gente.

Decidiu fazer uma festa. Chamou alguns homens jovens e bonitos da vizinhança. Mas as coisas saíram do controle, cada convidado levou ao menos mais um convidado e logo a casa encheu-se de pessoas desconhecidas.

Dentre vários rostos estranhos, um se destacava: o de uma moça linda, de feições delicadas, olhos grandes, a boca parecia um coração. Ela olhava para todos os lados, passa por Loren e, pergunta:

— Oi, me disseram que o Tadeu estaria aqui. Você sabe onde ele está?

— Vi ele indo ao banheiro, não faz muito tempo.

— Obrigada. Você pode me dizer onde é o banheiro?

— Claro. Desça as escadas e vire à esquerda, você vai ver uma porta azul. Lá é o banheiro.

— Muito obrigada. — Diz a moça enquanto passa algumas mexas do cabelo atrás do cabelo.

Ela parecia preocupada, mas Loren ignorou-a.

Passaram alguns minutos e a moça sai da casa, sem o Tadeu. Ela passa constrangida no meio daquela multidão de gente esquisita.

Loren acompanha cada passo daquela moça até ela chegar ao portão da casa. Repentinamente a bela desconhecida olha para trás e seus olhos se cruzam com o de Loren. Aqueles olhos castanhos escuros e marejados seria uma visão da qual Loren jamais esqueceria.

Tadeu vem logo em seguida, com os cabelos pretos caindo sobre os olhos enraivecidos, um cigarro recém aceso e a face enrubescida. Ele passa empurrando as pessoas com seu corpo forte. Ele se vira e olha para Loren mas sem prestar muita atenção em quem estava ao redor.

Tadeu sai e bate o portão com força.

Todos estão alheios ao que está acontecendo e Loren decide se juntar a eles não dando importância as cenas que havia presenciado.

Nem ela, nem qualquer outro convidado daquela festa, imaginava o que estava aconteceria nos próximos dias.