Sobre mim

Escrever sobre mim é como tentar capturar um arco-íris: cheio de cores vibrantes e nuances que mudam com o tempo. Sou muito mais do que uma lista de qualidades e defeitos. Assim como uma montanha-russa, minha vida é marcada por altos e baixos, um constante movimento entre os extremos.

Estou em constante construção, como um quebra-cabeça em que cada peça revela um pedaço da minha jornada. Vivo em dois mundos, buscando incessantemente um equilíbrio entre eles. Para alguns, posso parecer demais; para outros, talvez seja pouco. Sou quem sou, tanto com as máscaras sociais quanto sem elas.

Acredito que alguns me veriam de forma equivocada se me vissem sem essas máscaras, enquanto outros poderiam se encantar com minha liberdade. Navego entre a histeria e a depressão, dias de intensidade variável, mas sigo o fluxo da vida com determinação e coragem.

Prazer, sou CEBOLA, cheia de camadas.

Fundo do poço

Eu me sinto como se estivesse no fundo de um poço, sem saber se há algo lá em cima me esperando.
Tudo parece tão pesado, e mesmo que racionalmente eu saiba que isso vai passar, o que eu sinto agora não tem espaço para essa racionalidade. O que sinto é um buraco, é uma dor tão profunda que não sei mais como respirar. Sinto o peso da solidão, da perda, da sensação de estar tentando fazer tudo dar certo e, no fim, me afundando mais.

Agora, estou sozinha. Tentando encontrar o aconchego de Deus.
Orando desesperadamente, com soluços e lágrimas que me roubam o ar, mas Ele não aparece como eu esperava. Não vejo, não sinto. Só creio que Ele está aqui, mas não tenho como tocar essa presença.

Tenho fé de que não estou sozinha. Mas, por dentro, a solidão é tão intensa que me dói em cada célula. A cada passo, a cada tentativa de me levantar, a sensação de estar sendo puxada para o fundo é mais forte.

Eu não tenho mais forças pra lutar.
Tudo o que queria era me perder em algum lugar seguro, onde alguém pudesse me abraçar, onde eu não fosse obrigada a me manter firme, onde eu pudesse chorar sem ser a “forte”, sem ser a “inabalável”.
Mas não há ninguém. Não tem abraço. Só a dor e a sensação de que, por mais que eu grite, ninguém vai me ouvir.
Eu sei que tudo isso faz parte do meu processo. Mas neste momento, a verdade é que eu não consigo ver mais nada além da dor. Não sei quando vai passar, e não sei como seguir.

Ainda assim, eu continuo aqui.
Com as forças que me restam.
Mas, por dentro, estou pedindo, desesperadamente, para alguém me encontrar.
Porque nesse momento, sou só eu. Eu e o buraco que me consome. E não sei se há algo mais além disso.

Como se fosse um Nada

Há um aperto no meu coração… Dói tanto que as palavras me fogem. Queria conseguir chorar, queria um abraço onde pudesse descansar, queria um colo para me esconder. Mas o que sinto é solidão. De repente, sou adolescente outra vez – as feridas que julgava cicatrizadas agora sangram de novo.

Carrego um arco-íris dentro de mim, mas ele não encanta, não mais! Tenho tantas cores lindas, mas só enxergam sombras em mim. E agora, é como se eu tivesse morrido. Estou de luto por mim mesma. Como se minha existência tivesse se perdido. Agora, sou a cor da lama, o cheiro de água estragada, a imagem daquilo que julgam abominável. Agora, sou marginal. Sem nome, sem moral. Agora, sou o que eles chamam de má influencia. Não tenho mais decência. Agora, sou apenas… bom, reticências.

Eu sei o valor que tenho, sei de quantas vezes me escondi todas as minhas cores para caber no amor, conheço minha força, ousadia, conheço as belezas que carrego dentro de mim. Mas é estranho sentir gosto amargo de ser quem sou. O gosto de ser vista apenas através dos olhos alheios. Olhos cheio de preconceitos. Olhos que um dia me olharam com tanto amor, agora nem olham nos meus olhos, como se fosse um NADA.

Minha Musa

Conheci uma mulher que me tira o fôlego.
Do beijo quente, cheio de vontade, ao toque leve na ponta do nariz,
ela me desarma.
É inteligente, fala com paixão,
e enquanto passeia por curiosidades, detalhando cada pedaço,
me pergunto: como é que ela sabe tudo isso?

Ela transita entre formas de ser,
se perde em seus próprios pensamentos,
e entre a sala e o quarto, vi tantas versões dela
que parecem mundos diferentes.

Ela diz que é doida.
Eu digo que é complexa.
Não consigo defini-la.
É como um cubo mágico que não precisa ser resolvido,
porque cada movimento revela uma arte única.

Ela me tocou e me derreteu com tanta facilidade
que isso me assusta.
Mas toda vez que lembro dela,
meu corpo pulsa,
como se a presença dela fosse impossível de apagar.

Leal

Pode até me chamar de clichê,
mas não mergulho em relações rasas, no efêmero.
Não sei dividir minha essência entre várias mãos,
não sei beijar bocas sem deixar algo meu.

Não é sobre fidelidade ao casual,
mas lealdade a quem sou, ao que sinto.
Porque não sei ser metade,
não sei ser pouco,
e muito menos repartir minha alma em plurais.

Prefiro carregar o rótulo de antiquada
a perder quem sou
só para caber nos métricas que não são minhas.

R


De você, eu recebi muito. Tanto que não pude controlar a onda que se ergueu quando tua alma invadiu meu oceano.

Você olhou minha imensidão, mergulhou e percorreu minhas profundezas, explorando minhas águas mais quentes e cristalinas. Contemplou meus corais, admirou as múltiplas cores e os biomas diversos que coexistem em mim.

Senti teu calor nadando em minhas águas, vi teus olhos atentos me observando, medindo, admirando. Suas mãos quentes me tocaram, e o calor se dissipou em ondas que alcançaram até as rachaduras dos vulcões submersos e adormecidos.

Agora estou fervendo, borbulhando, meu solo erodindo, tremendo… E você, subindo à superfície para respirar e não se queimar.

Ah, meu bem, ri! Como não imaginou que mergulhar profundamente no desconhecido poderia desequilibrar um sistema? Se decidir voltar a mergulhar, venha preparada para ferver comigo.

Você sabe, meu amor, da imensidão que eu sou. Não se atreva a me tocar sem a intenção de se tornar uma comigo.

Transitei

Foto por Valentin Antonucci em Pexels.com

Me deixei ir! Mas foi apenas de corpo, a alma ficou. Nutrindo pequenas lembranças dos dias bons. Senti, como se sente na despedida, como se sente no ultimo beijo antes do Adeus, uma esperança de tudo voltar a ser como antes. Mas nada volta a ser como antes. Assim como eu não voltarei. Um ponto final!

Engraçado como acordei e mundo tinha voltado para lugar, não sinto mais a dor correndo em meus ossos, nem meus olhos ardem mais, cadê aquele frio na boca do estomago? Agora tenho sorriso nos lábios e olhar leve e um vontade enorme de viver não muito distante de mim. Cortei aquele pequeno fiapo de fio que ainda me mantinha olhando pra trás.

Caminho sem pressa a passinhos lentos; Sinto a temperatura do ambiente, sinto calor dos toques, a frieza das palavras; Me arrisco até dar passos largos e ao primeiro sinal de incomodo volto rápido para onde me era confortável; Mergulhei profundamente no lago chamado “me permiti”, sinto fluir de sensações. Curiosidade, adrenalina, Umidade, calor, arrepios, euforia…

Transitei entre os meus próprios limites, mudei o marco da linha tênue do certo e errado, as divisas parecem mais longes, as métricas invisíveis. Não sei onde fincarei as próximas placas limite, talvez nem queira fixar. Não há delimitações para um explorador empolgado.

Desatando nós

Foto por Vinur. em Pexels.com

Declarações de amor em Extasy
Mas que amor estranho esse que nem se quer levanta o dedo para evitar o fim?
Amanhã a gente conversa e ver o que isso vai dar… Nosso “nos” virou apenas “isso”!

Não vou esperar “isso” virar lágrimas, virar maguas, virar um desafeto…estou indo, mas queria tanto que me pedisse para ficar.
Mas não tentou puxar , consertar, só disse tudo bem. Tão fácil.

Silêncio…

Escuto agora ecos do meu Adeus.

Deveria ter ouvido seus amigos e aceitando que disse sim por impulsividade.
Devia ter me dito Adeus antes de fazer nós cegos em mim, que agora quero tanto desatar. Mas foi eu que te ensinei amarrar porque queria demais me prender.

Agora tenho esse emaranhado na sala, no quarto , na casa, na minha agenda vazia , em mim para organizar. Parece tão difícil, tão grande, tão apertado.

Hoje eu encontrei a ponta da corda, amanhã quem sabe quantos nós vou desfazer? Mas não tenho pressa! Pouco a pouco , nó a nó, sinto desenrolar e partes de mim retornar.

Enquanto a saudade doi

🎵 Tenta acreditar

Não, eu não vou me afundar em álcool, festas ou em bocas como forma de escape. Eu quero sentir. Sentir essa dor. Sentir falta. Sentir as lágrimas correrem pelo meu rosto quando sentir seu cheiro em flores de papel, quando chegar a sexta-feira e só restar o silêncio em casa. Quando eu chegar tarde da noite e não tiver uma mensagem dizendo: “Estava só te esperando chegar para poder dormir”.

Não, eu não vou evitar a saudade indo a bares e me jogando em corpos que não são o seu.

Vou sentar aqui e lembrar da sua última mensagem: “Melhor deixar do jeito que está”… Você lá e eu cá.

Vou ficar aqui, até conseguir me levantar dessa cadeira velha de macarrão, até conseguir tirar do meu dedo esse anel de prata que ainda me prende a você. Vou sentir tudo, até conseguir exaurir, em tragadas de cigarro, a parte de você que ainda habita em mim.

Quem sabe, então, possamos até nos cruzar, em uma rua qualquer, sei lá! Estarei de coração curado, olhando para você como se olhasse para um retrato de um passado.

“Que tempo bom aquele em que nos conhecemos, éramos felizes juntas. Uma bela recordação do passado.”

Mas, até lá, ficarei aqui! Enquanto a saudade dói.

Sobra Eu

Cozinhar, cuidar do jardim, escrever um novo texto, ir à praia, ver o pôr do sol, ouvir minhas músicas favoritas, assistir ao meu filme preferido, tomar uma taça de vinho e contemplar o silêncio da minha própria companhia.

Sempre estive aqui, perdida nos pensamentos, tocando meu violão, maratonando filmes de Harry Potter. No entanto, nem sempre me dei conta de estar presente. É fácil me abandonar quando a mente está cheia de coisas para lidar, coisas que eu mesma coloquei: pessoas, estudos, família, sempre os outros. Quando existe o outro, não há espaço para mim, e sem mim não há dor, responsabilidade ou consequências. Fico tão ocupada que evito lidar com minhas emoções, incômodos e desejos.

Mas o que sobra quando o outro não faz parte da equação? Sobra eu, contemplando o pôr do sol na praia, observando a dança dos pássaros na brisa do lago. Sobra eu, ouvindo minhas músicas favoritas e colocando em dia os textos da faculdade.

Fazia tempo que eu não me encontrava aqui. Que bom que hoje resolvi cuidar da casa, das plantas, colocar em dia aquele texto atrasado, visitar a vó. Parei para olhar as estrelas e regar as plantas. Observei o sol. Quanto tempo faz…

Ando quieta no meu canto, aproveitando meus momentos sozinha. É uma sensação estranha perceber quanto tempo tenho para cuidar de mim. Há tanto tempo que me sobra o ócio. Não é ruim, apenas preciso me acostumar.

Há tanto tempo… para cuidar de mim. Um silêncio… Um vazio desconfortável e confortável. Impreciso e, ao mesmo tempo, preciso. Haaaaa tempo para mim e isso é bom.

 

Cale a boca!

Tem culpa impregnada em mim, passeando bem abaixo da minha pele toda vez que o incômodo chega.

Essa culpa anda, veste, conversa e até ri de mim.
— Olha você aí de novo, estragando tudo que toca.

Não é como se ela fosse minha, mas ela se instalou  feito parasita em mim. Quando foi que a autorizei a ficar? Não me lembro. Mas já está aqui há tanto tempo que se tornou íntima.

Ela mente, eu sei! Cada acusação dela é só ilusão. Cale a boca! Olhe para mim e veja que suas besteiras não me afetam. Mas… e se ela tiver razão?

Mas, mesmo que eu tivesse feito diferente, o que garante que os resultados teriam sido outros? Nada! A vida é incerta e não tem manual de instruções. E como teria, se existem tantas possibilidades?

É paradoxal viver assumindo responsabilidades ao mesmo tempo em que não se pode assumi-las. Culpar-se e eximir-se da culpa.