Em 2000 o MIT, partilhou na comunidade académica o conceito de Open Educacional Resources (OER). Como principal interesse/novidade foi o facto de ser disponibilizado à comunidade académica interna (alunos e docentes) um número significativos de disciplinas e respectivos conteúdos através da Internet.
O crescente desenvolvimento e a utilização intensa dos OER nos Estados Unidos nas comunidades universitárias de maior prestígio conduziram a uma medida de divulgação que passou pela tradução de alguns conteúdos em vários idiomas.
Por outro lado, OCDE definiu os OER’s como produtos digitalizados para utilização no ensino, na aprendizagem e na investigação, de forma livre e aberta por alunos e docentes.
POTENCIALIDADES
O recurso a Open Educacional Resources (OER) possibilita à comunidade académica o acesso a informação de qualidade, reutilizável, disponível em qualquer momento e em qualquer lugar. O facto da informação/conhecimento estar acessível a todos (membros da comunidade académica ou não) permite uma vantagem acrescida às universidades que é a de adquirirem visibilidade a uma escala global, que ultrapassa as fronteiras físicas da sua localização.
OPORTUNIDADES
A partilha de conhecimento através de OER’s possibilita à comunidade académica global:
1) o acesso a material didáctico sobre múltiplos suportes (texto, imagem, apresentações, vídeos, outros);
2) a partilha de material formativo a uma escala planetária a partir do acesso à rede (World Wide Web);
3 )a formação ao longo da vida, permitindo a interacção numa mesma base, entre aqueles que têm mais experiência e aqueles que iniciam uma actividade;
4) o debate de ideias e a partilha de experiências entre as múltiplas comunidades académicas / universidades.
RISCOS / AMEAÇAS
Qualidade da informação, gerada e disponibilizada na rede, entendida como veículo para potenciar de o desenvolvimento teórico e prático dos seus utilizadores.
Nunca perder de vista a função e o papel da Universidade enquanto instituição de formação, onde a presença dos diferentes agentes (formandos, formadores e sociedade) é imprescindível.
A sustentabilidade do sistema educativo / formativo assente em plataformas OER, para além do investimento inicial, ou seja não se pode descurar a manutenção nem o seu desenvolvimento dado que este modo de ensino é muito dinâmico e os desafios serão constantes.
A vulnerabilidade dos sistemas se as Universidades optarem por sistemas fechados em detrimento de sistemas universais desenvolvidos em Open Source.
DESAFIOS
A sustentabilidade do sistema de financiamento da instituição Universidade tendo em consideração a importância de uma formação com o apoio a recursos OER.
As formas de certificação dos estudantes (TUOMI, 2006) permitindo aos utilizadores (formandos) a obtenção de certificados de habilitação.
A promoção da banalização do computador na perspectiva do conceito de Serviço Público como o MIT sugere.
Vencer a inércia de alguma comunidade docente universitária tendo em vista a partilha de informação com recurso a OER’s.
Generalizar o Creative Commons Licences e o GNU Free Documentation Licence como forma de reduzir/eliminar os aspectos relativos à desconfiança sobre a propriedade intelectual e formas de licenciamento.
Monitorizar de forma constante os conteúdos em suporte OER partilhados na rede com vista a assegurar a sua qualidade.
NOTAS FINAIS
A investigação que fiz sobre OER trouxe-me confortos e incertezas. Apesar de ser um utilizador da Web e de software Open Source, não utilizo muito os chats nem outros sistemas livres existentes por receio de perda de privacidade.
Após esta experiência, nem sempre assídua, reconheço que alguns destes suportes serão úteis para um melhor desempenho da minha função docente. No entanto, depois de ver alguns vídeos de divulgação do MIT fico com o receio de que estes recursos possam ser um trilho para que as grandes Universidades ‘canibalizem’ as mais pequenas, com menos recursos e também aquelas que oferecem mais resistência à mudança.