domingo, 25 de janeiro de 2026

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Shusei Nagaoka / Androla in Labyrinth | 1984 |: Futurismos. 

3/12 STARRY EYES FOREVER: Só mesmo Grant Morrison para imaginar a colisão entre os universos Marvel e DC como um encontro amoroso entre duas entidades cósmicas, que termina com elas agarradas ao telemóvel para avaliarem o desempenho romântico. 

Fascinating: Research Find That Fantastical Programming Impairs Cognitive Attention In Children: Fico com a sensação que este é um daqueles estudos que martela dados para provar a sua premissa - a de que as crianças devem ser expostas a conteúdos factuais, e não aos que despertam a imaginação. 

E se…: Seria um muito bem vindo regresso, a voz do Candeias faz falta por aqui.

Science Fiction’s Secret Weapon: The Info Dump: Há quem diga que este é um dos malefícios, ou vícios estilísticos, da FC. Eu, confesso, sou suspeito - adoro um bom infodump, fascinam-me esses voos elevados de especulação informada.

Spotify Wrapped Is Everything That’s Wrong About Our Outsourced Musical Taste: Ou, o triunfo da aurea mediocritas algoritmizada.


Coronado Cuarto Centennial Issue: Note-se o bigode. 

Google’s AI model is getting really good at spoofing phone fotos: Também já notei isto, as imagens geradas pelo nano banana têm um realismo indiciador da origem dos dados usados para treinar o modelo. Se se recordarem dos telemóveis android com as suas galerias cheias de imagens, ou dos milhões de jpgs no photos, percebem o porquê desta tendência do nano banana. 

Kohler's Smart Toilet Camera Not Actually End-to-End Encrypted: Confesso que a minha primeira reação não é "ah, que incompetentes, não aplicam encriptação decente no produto", mas sim "porque raios é que alguém iria querer câmaras na sanita"? 

How AI Is Changing How Architecture Is Conceived: Não uma ameaça, mas uma ferramenta para potenciar a criatividade. 

Microsoft's Copilot+ AI PC plan fizzled, but it still served a purpose: Faz sentido. Uso primordialmente um copilot pc (não surface, claro, há mínimos), não perco tempo a usar as suas funções de IA, comprei-o pela capacidade e durabilidade da bateria. 

OpenAI Is Suddenly in Major Trouble: Não surpreende muito. Apesar de todo o investimento, a OpenAI construiu-se a partir de tecnologias desenvolvidas na Google. E esta é um gigante, que não só tem acesso a uma quantidade enorme de dados para treinar os seus modelos, como é uma empresa multimodal, que se pode dar ao luxo de perder dinheiro a desenvolver IA porque tem outras fontes de receita, ao contrário da OpenAI. 

Como fazer uma ampulheta LED com Arduino: Uma ideia gira, bom projeto para fazer na pausa natalícia. 

If artificial sentience were to emerge today, we would almost certainly fail to notice it: No cerne, está a questão do que é a inteligência, e a dificuldade que temos em compreender sinais de inteligência para lá do nosso quadro de referência humano. 

The AI that has Colonized our Creativity: De facto, um dos problemas que vejo na adoção entusiástica da IA é a forma como tantos confundem formalismo com criatividade, pensando que produção a metro replicando estéticas banais é uma forma de expressão criativa. 

McDonald's ha hecho un corrosivo anuncio antinavideño corrosivo. Pero el mayor de sus problemas es cómo lo ha hecho: con IA: Sinceramente, o que incomoda no anúncio não é o ter sido gerado com ferramentas de IA. É a mensagem, de profundo late stage capitalism, a dizer-nos que o conforto e a conexão se encontram nas suas lojas de hambúrgueres e não nas ligações humanas. É um l'enfer c'est les autres, cooptado para vender sandes de carne e refrigerantes.

The Verge picks the standout tech of 2025: Os dispositivos e gadgets marcantes do ano.

'Godfather of AI' Says Students Should Still Learn to Code: Obviamente. É fácil cair na tentação da sapiência via chatbot, pensar que ter às mãos uma ferramenta que parece ter todas as respostas nos demite de adquirir conhecimento. Na verdade, é o oposto. Para se fazer uso eficaz da IA, temos de ter o conhecimento, qualquer que seja a área em que estejamos a usar. Senão, estamos a caminhar cegamente para desastres, por não sabermos se os outputs estão corretos e funcionais.

AI Framework Translates 2D Images into G-code for AM: Ferramentas que dão jeito.

Stop using ChatGPT for everything: The AI models I use for research, coding, and more (and which I avoid): O problema dos modelos multimodais é que, enfim, servem para um pouco de tudo. Faz mais sentido usar modelos otimizados para usos específicos.

How the creator economy destroyed the internet: O dilúvio de conteúdo de baixa qualidade dos influencers viciou as plataformas digitais, e nem sequer é diretamente rentável.

The State of AI: A vision of the world in 2030: Para onde caminhamos, quais as perspectivas de futuro próximo?

Guide to Boards 2026: Super (Tiny) Computers: A Make: apresenta as suas análises às placas programáveis contemporâneas, um mundo cada vez mais diversificado e poderoso.


USA 1986: Kaijus a petiscar. 

How the Disappearance of Flight 19, a Navy Squadron Lost in 1945, Fueled the Legend of the Bermuda Triangle: Um daqueles mitos que hoje se desvaneceu, mas houve tempos onde se discutia com toda a seriedade os estranhos desaparecimentos numa zona oceânica que tem sido das mais sulcadas desde os primórdios da colonização das américas. 

Avenida de Roma: Outros tempos de uma zona onde cresci. 

A esquerda não pode deixar a nostalgia para a direita: Muito bem visto. A direita evoca a nostalgia de passados de suposta glória e perfeição, que na verdade eram pobres e bafientos. À esquerda, temos de reclamar a nostalgia das utopias. 

Cruce de cables: tres libros sobre cómo los materiales que necesitamos marcan nuestra relación con el mundo desde hace siglos: Recordar que as infraestruturas de que dependemos dependem dos mais humildes e pouco conhecidos materiais e processos.

America has identified its greatest enemy: Western Europe: Já o tínhamos percebido, mas agora está no papel. Para a américa trompista, as democracias liberais progressistas são o inimigo, e a UE um alvo a abater como bloco que reúne nações que individualmente não teriam capacidade para se afirmarem no palco global. Devemos ficar preocupados com esta estratégia? Em parte, não, porque é mais uma declaração de intenções, mutável ao sabor das administrações e difícil de implementar, a menos que haja um foco extremo e competência de quem está a gerir, duas coisas que já se viu que falta nos políticos americanos de hoje. Mas devemos ficar preocupados. Em primeiro lugar, porque isto vai encorajar todos aqueles grupelhos de escroques e aspirantes a cleptocratas, que agitam as bandeiras do nacionalismo, racismo e regresso aos valores tradicionais. E, ao nível macro, colocar a UE no centro da mira demonstra que o governo americano se juntou ao grupo das autocracias, e quer erodir um bloco unificado que investe nos seus países e pessoas. O grande problema que a UE levanta para esta gente, dos putins aos trumps, dos xis aos maduros, é que representa para os cidadãos dos seus países uma visão alternativa de vida, onde os recursos públicos são colocados ao serviço dos cidadãos e não para engordar os bolsos das grandes empresas e dos amigalhaços dos ditadores; onde há liberdade e legalidade, acesso à saúde e boas perspectivas de vida, em contraste com a miséria progressiva que as autocracias infligem aos seus cidadãos. A outra grande razão para nos preocuparmos, como europeus, é o risco de pensar que isto é temporário. De achar que estas ideias e projetos são um fenómeno trompista, e que quando este se eclipsar depressa se desvanecem e se regressa à antiga normalidade. É uma possibilidade, a história americana mostra que é um país propenso a acessos de loucura política que depois se retificam. Mas notem que caso isso aconteça, vai demorar muito tempo, e entretanto as autocracias insistem e atacam. É, também, creio, um erro pensar o trumpismo como epifenômeno. Temo que vá mais fundo. Trump não é um dínamo que galvaniza as massas no seu ideário (que nem existe), é um catalisador que dá a cara por setores muito fascistas da política norte-americana. Trump desaparecerá (até porque está a ficar velho e senil), mas aqueles que o apoiam continuam a existir, e pior, a administração trompista tem sido notável na forma como purga os aparelhos políticos e governamentais, assegurando que os seus lacaios se instalam nos locais de poder e gestão intermédia. Trump é o sintoma, mas a metástase faz-se da miríade de sequazes que se está a entranhar no aparelho de governo americano.

Europe is under siege: Não tenhamos ilusões. E é uma guerra que não se trava com tanques e aviões de quinta geração. Trava-se com desinformação, ciberguerra, IA, jogos económicos, manipulação das teias de comércio global. O objetivo é muito claro - erodir a governança assente na legalidade, a democracia liberal progressisa, os direitos humanos e sociais à escala global.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Odisseia


Homero (2003). Odisseia. Lisboa: Livros Cotovia.

A eterna narrativa do péripo de Odysseus é uma daquelas histórias que quase todos conhecemos, nas suas linhas gerais, mas é provável que poucos a tenham lido integralmente. Alguns leram as versões simplificadas de que falamos na escola, e isso já lhes dá um vislumbre do poder deste texto milenar. Não escrevo isto como alguma forma de observar superioridade intelectual por me ter atirado a esta leitura, apenas reflito que é um texto cujas traduções originais são relativamente difíceis de encontrar, e caras. A tradução de Frederico Lourenço é excelente, erudita e cuidada, e feita de forma que contribui muito para a legibilidade, mantento o leitor envolto na poesia das palavras e nas desventuras do herói de mil ardis. Por cá, os clássicos não são muito acessíveis, penso enquanto recordo livrarias florentinas ou londrinas onde havia secções inteiras que lhes eram dedicadas, com uma profusão de obras e traduções para todos os bolsos.

Não me vou dedicar a dissecar ou analisar uma obra tão longeva e complexa, tantos outros mais habilitados já o fizeram. Apenas refiro que ao ler, finalmente, a versão integral deste texto senti na pele, nas entranhas, o poder desta história que já se conta há milénios. Uma história profundamente humana, onde o herói não é um ser perfeito (bem pelo contrário, é volúvel e violento, apesar de no seu cerne pemanecer fiel à ideia do lar e do regresso), deuses caprichosos e mesquinhos intervém, os homens se revelam em grande parte pela ganância e cobiça das riquezas dos outros ou pela fidelidade inabalável mesmo quando sentem o desprezo dos que os rodeiam - algo que também se aplica às mulheres, apesar da grande personagem feminina ser a encarnação da perfeição maternal do lar, na figura da eternamente fiel Penélope que não renega a memória do marido perante toda a pressão social para que escolha outro para casar, levando para outra casa as riquezas e o poder da ilha de Ítaca.

O texto é poderoso, e como já observei, a tradução de Frederico Lourenço é magistral, tratando-o com uma elegância literária que contribui muito para que o leitor sinta a sua empolgância, desespero e apelo.

Não resisto a uma partilha muito pessoal, que senti ao chegar àquelas estrofes da Odisseia que deixam qualquer pessoa que, como eu, adora cães com uma lágrima no olho:

"E um cão, que ali jazia, arrebitou as orelhas.

Era Argos, o cão do infeliz Ulisses; o cão que ele próprio

criara, mas nunca dele tirou proveito, pois antes disso partiu

para a sagrada Ilion. Em dias passados, os mancebos tinham levado

o cão à caça, para perseguir cabras selvagens, veados e lebres.

Mas agora jazia e ninguém lhe ligava, pois o dono estava ausente:

jazia no esterco de mulas e bois, que se amontoava junto às portas,

até que os servos de Ulisses o levassem como estrume para o campo.

Aí jazia o cão Argos, coberto das carraças dos cães.

Mas quando se apercebeu que Ulisses estava perto,

começou a abanar a cauda e baixou ambas as orelhas;

só que já não tinha força para se aproximar do dono.

Então Ulisses olhou para o lado e limpou uma lágrima.

(…)

Mas Argos foi tomado pelo negro destino da morte,

depois que viu Ulisses, ao fim de vinte anos."


Quem tem cães, compreende. Quem ama ler, sente o fascínio de palavras vindas de um tempo tão longevo nos tocarem tão profundamente - notem que se o texto escrito tem mais de dois mil anos, a tradição oral é ainda mais antiga.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Histórias à Sombra do Montado

(2022). Histórias à Sombra do Montado. Odemira: Javali Mágico.

Confesso que quando o João Campos amavelmente me oferceu estes exemplares para a minha biblioteca, não esperei muito. Pensei ser um fanzine temático, patrocinado pelo município de Odemira, dando espaço de edição a jovens criadores locais. E nada de errado seria se fosse isso, mas ao abrir as páginas dei com histórias escritas e ilustradas por alguns dos autores mais conhecidos da BD portuguesa contemporânea. Mosi, Joana Afonso, Marta Teives, Nuno Saraiva,  Joana Bértholo, Bernardo Majer ou Afonso Cruz são alguns dos nomes que não esperava encontrar nestas páginas.


(2024). Histórias à Sombra do Montado nº 2. Odemira: Javali Mágico.

O tema das antologias prende-se com o território do concelho de Odemira, as suas raízes culturais, o ecossistema do montado de sobro, mas também as transformações que sofre trazidas quer pelos exilados afluentes das grandes cidades que buscam no campo um bucolismo idealizado, ou pelos imigrantes trazidos para trabalho nas explorações agrícolas.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Code Ecstasy: Atomisation

 






Regresso à galeria ZABRA, para a segunda edição da Code Ecstasies, exposição de arte digital e IA Generativa. Desta vez com maior destaque para os grafismos lumínicos possíveis com o trabalho de luz. No que toca às obras selecionadas para mostra de IA, noto um pormenor interessante - são vídeos habitualmente vistos no pequeno ecrã do telemóvel, no formato 9:16 preferido do instagram ou tiktok. Vê-los num ecrã de grandes dimensões sem as escorregadelas do deslizamento infinito dá-lhes uma nova dimensão, levando-nos a uma imersão mais profunda no seu surrealismo hiperreal.

A boa notícia: esta exposição temática tornar-se-á uma edição recorrente na galeria.

domingo, 18 de janeiro de 2026

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Alan Daniels, c. 1982: Um futuro menos brilhante. 

The Grant Morrison Jokes That Marvel Rejected In Batman/Deadpool: Confesso que me surpreende que deixem Grant Morrison à solta nos comics mainstream, e este crossover entre os universos Marvel e DC é completamente insano. 

El nacimiento de un movimiento anti-lectura: cada vez más personas admiten utilizar la IA para resumir libros: Vou escrever uma heresia - e até faz sentido. Claro, se a ideia for usar a IA para mero resumo, sim, é um sinal de estupidificação (equivalente aos que no meu tempo de juventude se gabavam de ler os resumos das grandes obras literárias para poder marrar para os exames). Por outro lado, experimentem usar um serviço como o Notebook LM para cruzar a informação de vários livros, fazer resumos e análises, e é toda uma forma interessante de interagir com a informação textual que abre novas possibilidades. 

The Best Korean Myth and Fantasy Books, recommended by Minsoo Kang: Leituras para conhecer os mitos que estruturam a cultura pop oriental correntemente mais admirada. 

What Possesses People To Want To Own More Books Than They Can Possible Read?: No meu caso, nunca perco a esperança de os ler. Mesmo que passem décadas desde o momento em que os comprei. 

A Short Stay in Hell – Steven L. Peck: Uma das leituras mais inesperadas que fiz nos últimos tempos, este livro onde o inferno é uma infinda biblioteca. 

Award-Winning Sci Fi Novels of 2025, recommended by Sylvia Bishop: Livros que se notabilizaram por terem sido galardoados com distinções literárias. 

50 libros imprescindibles para zambullirse en la literatura española: de la Edad de Oro a los autores más recientes: Uma grande lista de sugestões para mergulhar a fundo na literatura do nosso país vizinho. 


Gino D'Achille’s original: Fantasias marcianas.  

The Vatican is the oldest computer in the world: No seu essencial, a computação é o tratamento e processamento de informação. E nada melhor do que uma burocracia religiosa para ilustrar essa essência. 

The World Still Hasn’t Made Sense of ChatGPT: De facto. Os chartbots são aquela tecnologia que todos afirmam ser revolucionária, mas na prática, apesar de terem algumas utilidades, não são tão potentes quanto isso, e para descompor o ramalhete, tornaram-se incentivadores de más práticas éticas. 

South Korea’s Experiment in AI Textbooks Ends in Disaster: Aplicar modelos propensos a alucinações em manuais escolares. Quem diria que iria correr mal? 

La revisión de 6.000 aviones Airbus A320 es un inquietante recordatorio de que nuestra tecnología está a merced del Sol: Esta história da necessidade de atualizar o software das aeronaves para prevenir um erro que poderá acontecer sob condições específicas de radiação solar, fez-me recordar um conto de FC de Ted Chiang. Não recordo o título, mas recordo a premissa - um homem sente-se culpado pelo acidente automóvel que vitimou a sua mulher, mas na verdade o despiste fatal foi causado por uma partícula de elevada energia que alterou o estado de um componente num chip de 0 para 1. 

ChatGPT Encouraged a Suicidal Man to Isolate From Friends and Family Before He Killed Himself: Notem, isto é um corolário lógico. Os chatbots encontram o padrão de uso num pedido, e reforçam-no. É por estas que a ideia de delegar nestas ferramentas sistemas de apoio à saúde mental é muito má ideia. 

A terrível pesquisa do Windows 11: A pesquisa dentro do Windows só é má, se estivermos a pensar como utilizadores que apenas querem usar a caixa de pesquisa para encontrar os ficheiros ou funções do sistema que precisam. Mas se pensarmos como uma empresa, um sistema que nos enfia publicidade e links inúteis quando apenas queremos localizar um documento cuja localização exata não nos recordamos é perfeito, como uma oportunidade de nos obrigar a cair nas suas parcerias pagas. Aliás, o Windows tem sido notório nos últimos tempos pela forma como retira liberdade aos seus utilizadores, ou como bem coloca o articulista, "vá-se lá imaginar ter um computador e sistema operativo que se limite a fazer aquilo que o utilizador quer fazer.." 

Ucrania ha dinamitado a la gran amenaza rusa. Se llama Sea Baby y una IA lo lleva hasta cualquier punto del Mar Negro: A espantosa capacidade de inovação ucraniana no campo dos drones militares. 

An AI model trained on prison phone calls now looks for planned crimes in those calls: A profundidade dos dilemas éticos trazidos por isto é imensa. 

Instant Sketch Camera Is Like A Polaroid That Draws: Uma combinação intrigante - algoritmos de visão computacional e máquinas de desenho. 

La basura visual de la IA es tan omnipresente que ya está desatando una corriente estética a la contra: el neo-brutalismo: E faz todo o sentido. O output da IA generativa tem um estilo próprio, entre o barroco e o kitsch, a simplicidade e um certo desleixo intencional é o antídoto certo para isto. 

The People Outsourcing Their Thinking to AI: É difícil ficar animado com a humanidade, apesar de sabermos que é uma reação natural: "The trouble with AI tools is that they seem to “exploit cracks in the architecture of human cognition,” as Requarth has written. The human brain likes to conserve energy and will take available shortcuts to do so." 

City Beneath the Sea, 1971.: Mundos submersos. 

Scientists Find Evidence That Humans Made Out With Non-Human Creatures: Bem, a tendência masculina para andar atrás de qualquer rabo de saias já é bem, bem antiga. 

Misoginy for You: Leitura essencial, muito incómoda mas a retratar uma realidade conhecida por quem está no terreno (aka salas de aula), está nas redes e vê o resvalar acelerado da sociedade em direção ao autoritarismo, misoginia, perda de direitos civis e sociais. 

Alchemy: Do valor da arte, não como produção em massa de conteúdo, mas como expressão da sensibilidade humana. 

O Substack não é um paraíso intelectual nem a solução para o brain rot: Não é um espaço inútil, apesar de ter os seus contras. O modelo de monetização extrema torna-se algo irritante. É apenas mais uma imperfeita solução para o problema de quem quer partilhar de forma coerente e consequente o que pensa no mundo online - uma solução para alojamento de páginas. 

Living in Public and Other Modern Agonies: Graças ao João Campos, descobri esta belíssima reflexão sobre a tentação da vida pública online (algo de que também sou culpado), entre as fases de enfado com a cupidez das plataformas e o mau ambiente das curadorias algorítmicas, e o impulso que nos leva a usar os espaços digitais para partilhar o que sentimos e pensamos. 

The New German War Machine: Notas de uma Europa que se rearma. É apoquentador, mas os últimos tempos mostram bem que o soft power diplomático, político e cultural não vale de muito sem algum hard power por detrás. Durante alguns anos, a Europa conseguiu tirar férias da História, mas infelizmente os ventos que sopram são aziagos. 

Ha caído una bomba sin explotar activando una caza inédita: la de EEUU tratando de encontrarla antes que el resto de potencias: Parece enredo de filme de ação, mas mostra o quanto a guerra moderna assenta no jogo de avanços tecnológicos. 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

A Realidade morreu - Viva a Realidade Aumentada!


Luís Martins (2017). A Realidade morreu - Viva a Realidade Aumentada!. CreateSpace.

É deprimente constatar que um livro destes, novidade em 2017, é agora o tipo de obra que se encontra abandonada em alfarrabistas. A obra é uma visão introdutória abrangente sobre a realidade aumentada, e seria injusto apontar que se tornou obsoleta. Claro, muitas das plataformas e aplicações nomeadas ou já não existem, ou não ganharam a tração esperada. Mas o essencial, a análise das capacidades e potenciais da RA como tecnologia, não perdeu atualidade e é um excelente ponto de partida para a compreender. 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Espírito da Aventura


Kenji Tsuruta (2025). Espírito da Aventura. Lisboa: Sendai.

Diria que se queremos ler manga realmente interessante em português, temos de prestar atenção ao catálogo da Sendai. Esta editora é muito consistente nas suas propostas, e traz sempre livros desafiantes para os leitores. Que me perdoe A Seita, que também tem trazido algumas leituras bem interessantes, e a Devir, que tempera o seu catálogo de mangá para adolescentes com obras de maior fôlego. Mas, para trabalhos independentes, fora da caixa, inesperados ou de estéticas inesperadas, é a Sendai que nos alimenta.

O trabalho de Tsuruta já é conhecido por cá, graças à edição da ficção científica poética e romântica dos vários volumes de Emanon, que ilustrou com argumentos de Shinji Kajio. Espírito da Aventura é um trabalho a solo, que reúne um conjunto de contos interligados entre si que foi desenhando ao longo de décadas. É ficção científica pura, mas féerica, pejada de personagens obcecadas com as suas investigações em tecnologias etéricas ou de teletransporte. Não são histórias a pensar na especulação verosímil. Podemos esperar velhotes que vão a Marte de dirigível, aventureiros obcecados em descobrir os tesouros dos avós nas cidades submersas, ou formas de projeção que permitem ir à Lua, sem na verdade ter de sair da Terra. Como podem perceber, não se trata de FC clássica, mas sim da sua apropriação poética. O traço sublinha isso, com um elegante barroquismo algo vitoriano na sua estética, sem que se tenha uma noção concreta de tempos passados ou futuros.

domingo, 11 de janeiro de 2026

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Carl Zoschke: Na lua.

O regresso de Stargate: Fico com a sensação que o decair das indústrias culturais para um modelo de conforto em que se recicla o que já existe e não se arrisca criar nada de novo, está a entrar em modo rapar o tacho, quando até as séries mais obscuras arriscam a regressar em modo reboot.

Half of novelists believe AI is likely to replace their work entirely, research finds: e, pessoalmente, percebo a tendência. Para as indústrias culturais, os livros são conteúdo, e tal como na música ou outros media, haverá empresas que querem explorar o mercado dos conteúdos descartáveis produzidos a metro. Não é novidade, basta ver o modelo televisivo generalista que há muito nivela pelo mais baixo denominador (numa busca constante de rebaixamento), como se nota pelas paisagens televisivas cheias de concursos, reality shows e outras patetices completamente desprovidas de qualidade.

Cuando el público vio por primera vez esta escena de terror no pudo mirar la pantalla. Ahora sabemos que lo que ocurría no era ficción: Recordar a mais icónica cena do arrepiante flme Carrie.

Marvila Comics 2025 + Lançamento: Atrahasis: Não vou conseguir ir ao Marvila Comics, mas estou mortinho por ler o mais recente livro do David Soares.

AI-Written Children’s Books Are Flooding The Marketplace. Is This Bad?: Resposta muito rápida: Claro que sim. É o reduzir ao estatuto de consumo descartável do tipo de leitura que ajuda a formar a mente nos primeiros anos de vida.

Make Culture Weird Again: De facto (e tenho discutido isso bastante por aqui), as culturas pop e mainstream andam demasiado conservadoras, no sentido de não apostarem em nada de novo e se resumirem ao recauchutar de conteúdos com décadas de existência. Falt criatividade e vitalidade.

Vincent Di Fate, “Refueling Station”: Futuros clássicos.

Return to the year 2000 with classic multiplayer DOS games in your browser: Um duplo elogio - à jogabilidade dos jogos clássicos, e às capacidades dos browsers contemporânenos, que nos permitem reviver os clássicos via internet.

Who is AI nostalgia slop even for?: Novas gerações a envelhecer representam novos mercados de nostalgia.

Video shows DragonFire laser taking Down high-speed drones in NATO first: Uma tecnologia revolucionária, vinda do Reino Unido.

The enshittification of Arduino begins? Qualcomm starts clamping down: Não surpreende, esta deriva. Passando para a alçada de uma empresa, o lado open source do Arduino é demasiado apetecível para que esta tenha lucros fáceis, apropriando-se do trabalho desenvolvido pela comunidade.

Google ha abierto una puerta que muchos temían: ya está probando anuncios dentro de las respuestas de IA de su buscador: Poderá a merdificação da interner ficar pior? Ora pois claro que sim. Depois dos resumos de IA nas pesquisas, que tal anúncios injetados nesses resumos?

HP and Dell disable HEVC support built into their laptops’ CPUs: Quando as capacidades da tecnologia colidem com a propriedade intelectual.

A Piece of Internet History the Internet Almost Forgot: O problema clássico do link rot, e a perda cultural que implica.

The music industry is all in on AI: No fundo, a IA representa o sonho húmido dos executivos da indústria musical - geração infindável de música a metro, sem a chatice de ter de pagar a compositores, músicos e artistas.

So Long, Firefox, Part One: Esta, é inesperada - o venerável navegador, símbolo do open source, está a perder a sua boa imagem junto da comunidade de software livre.

Google tells employees it must double capacity every 6 months to meet AI demand: Construir toda esta infraestrutura tem custos, e é este tipo de visão que nos ajuda a perceber a dimensão da bolha da IA generativa.

Something Disturbing Happens When You “Learn” Something With ChatGPT: Não é novidade - usar os LLMs de forma oracular atrofia o sentido crítico. Ou melhor, quem confia nos LLMs como oráculos não tem, à partida, grande vontade de exercer as suas faculdades críticas e de raciocínio.

In 1982, a physics joke gone wrong sparked the invention of the emoticon: E daqui, nasceu a nossa capacidade de comunicar emoções usando símbolos do teclado.

Education Before AI Was Still Highly Problematic: Recordar que os problemas que apontamos à IA na educação - o faciltismo de respostas, a desonestidade académica, já têm um longo historial e antecedentes.

Premium: The Hater's Guide To NVIDIA: É que no fundo, é isto - "The single-largest, single-most-valuable, single-most-profitable company on the stock market has got there through selling ultra-expensive hardware that takes hundreds of millions or billions of dollars (and years of construction in some cases) to start using, at which point it...doesn't make much revenue and doesn't seem to make a profit". Tudo isto é insustentável a médio prazo, e temo que quem pagará a fatura, não serão os que lucram.

La IA nos está convirtiendo en editores de nosotros mismos. Aprobamos lo que ya no sabemos crear: Ontem, despacho uma apreciação de formação com algumas frases geradas por IA. Hoje, partilho um artigo que nos recorda a displicência intelectual e moral de confiar as nossas respostas à IA. Paradoxal? Nem por isso. Não tenho problemas em delegar na IA uma tarefa menor, que sei que tem pouca importância (e provavelmente nem será lida). Se vale a pena, dedico o meu esforço mental.

Meta had a 17-strike policy for sex trafficking, former safety leader claims: Isto é inacreditável, e deveríamos estar a exigir responsabilidades públicas por estes comportamentos. Não é aceitável esta displicência na gestão de contactos de menores. E recorda-nos qual é o verdadeiro objetivo destas plataformas - lucrar o mais possível com os nossos dados, sem olhar aos danos colaterais.

Los fabricantes chinos están lanzando coches eléctricos a un ritmo infernal. La respuesta de Toyota: filosofía Kaizen: Qualidade em vez de saturação, a pensar que os automóveis não são objetos tecnológicos descartáveis e tem de haver compromissos de atualidade e manutenção a médio prazo. O ritmo de lançamento constante de novidades implica que os automóveis sofram os mesmos ciclos de desatualização do que os gadgets, algo que não é sustentável.

Welcome to the Slopverse: O decair da confiança nos consensos sobre o que é o real, numa paisagem mediática saturada de lixo gerado por IA.

MS estraga Notepad com funcionalidades AI: Gosto do bloco de notas. Para escrever, não há melhor, sem miríades de opções distrativas. É só o pensamento, o teclado e o fluir das palavras. A sua simplicidade é a virtude, mas a Microsoft quer-nos enfiar IA pela goela abaixo e está a atravancar o simples Bloco com funções de utilidade inexistente.

Four Ways AI Is Being Used to Strengthen Democracies Worldwide: Não é o ponto de vista habitual. Normalmente discute-se os perigos para a sociedade e democracia trazidos pela IA, entre o ai slop, desinformação ou a ignorância disfarçada de sapiência por delegação de processos cognitivos e aprendizagem em chatbots. Mostra que os usos da IA são uma escolha pessoal e social. Não tem de ser catastrófica. Podemos escolher aplicar a IA para o progresso social e económico, ou para aumentar lucros, acicatar a ganância e facilitar a sede de poder. Usar a IA para um mundo melhor, ou para piorar os males sociais que já padecemos, é uma escolha consciente. Ou seja, estamos tão tramados, não estamos?


Good To The Last Straw: Old school non-ai slop.

F-16 Fighter Jet Outmatched By Türkiye's Kizilelma Drone In Successful Unmanned Air Combat Test: Duas notas sobre este teste. A mais óbvia tem a ver com a evolução das capacidades dos UCAVs. A outra, sobre a tecnologia que sustenta este drone não ter sido desenvolvida pelos suspeitos do costume, as empresas de topo da indústria da defesa não estão envolvidas nisto.

IAF LCA Tejas Crashes at Dubai Air Show, Pilot Killed: Quem segue o mundo da aeronáutica já se apercebeu da enorme falta de competência da indiana HAL. Nada o demonstra melhor do que tentar vender um caça algo ultrapassado (mas em desenvolvimento há décadas) no Dubai, e este despenhar-se.

World on fire: Não consigo conceber melhor metáfora sobre o aquecimento global e alterações climáticas do que este incêndio em plena conferência internacional sobre o clima.

(Some) MAGA Girls Just Wanna Have Fun: Não é o tema deste artigo que me interessa, é este detalhe: "Like many Trump voters, Debono supports the president for reasons that are less to do with policy and more to do with the freedom to offend". É, talvez, a mais óbvia motivação por detrás do crescimento exponencial da extrema direita, em versão troll, esta vontade de dizer e fazer o que lhes apetecer, por desumano, ofensivo ou revelador de total falta de ética que seja.

A Inteligência Artificial vai salvar a economia?: Talvez, mas para isso, temos de ultrapassar as fases de deslumbramento baseado em marketing puro, com que as grandes empresas da IA nos querem convencer.

Lawmakers want to let users sue over harmful social media algorithms: Tem a ver com a realidade europeia, mas é algo que faz cada vez mais sentido. O viés introduzido pelos algoritmos das redes sociais está a ser catastrófico em termos sociais, mas os responsáveis por isto estão a passar incólumes e intocáveis.

Llevamos años hablando de los cañones de riel sin ver su daño real. Japón acaba de mostrar una imagen que lo dice todo: As armas eletromagnéticas a darem passos contretos para aplicação militar real.

The Murky Plan That Ensures a Future War: Realmente, este suposto plano de paz para a Ucrânia é de uma incompetência atroz, parece ter sido feito à medida dos desejos do invasor, e soa demasiado ao passado, com ecos históricos da anexação alemã do país dos Sudetas na antiga Checoeslováquia, a que as potências de então deram o seu acordo numa estratégia de apaziguamento do regime nazi (em parte, porque quer ingleses quer franceses sabiam que não estavam preparados para uma guerra). E deu no que deu. Esta proposta à Ucrânia é inaceitável sob todos os quadrantes.

How the Elite Behave When No One Is Watching: Um artigo sobre os ficheiros Epstein, mas não sobre pormenores escabrosos. O foco está na rede de plutocratas, académicos e políticos que extravasa limites geográficos, para quem o tráfico de influências e o domínio da informação é fundamental. Neste aspeto, fez-me lembrar um John Brockman (outro caído em desgraça), mas sem pretensões intelectuais e com violação de menores à mistura.

Ryanair se ha cansado de jugar al gato y al ratón: le ha bastado un ajuste técnico para hundir un 40% a eDreams en un día: O poder dos quasi-monopólios, e esta é mais uma razão para evitar esta companhia aérea.

Ukrainian Pilot Touts Mirage 2000’s Effectiveness in Combat: Um dos elementos interessantes da guerra ucraniana é ver a forma como tecnologias aparentemente datadas se revelam altamente eficazes no campo de batalha.

On contrarian history: Tão, tão certeiro. A história é contada não só pelos vencedores, mas pelos afluentes, os que detém o poder e os meios - "You will never be able to convince me that the society that starved a native population so a couple of rich guys could have a fancy house and go watch prisoners of war be killed for sport is better than the one that sees the average person become healthier and live a longer life. I do not care if those rich people were enjoying goods imported to the region from North Africa. Those rich people were a vanishingly rare segment of the population and their consumption patterns were only made possible through horrible crushing violence perpetuated on average people".