Felicis Fossilis Fretum

Felicis Fossilis Fretum

| 28 maio 2023 23:01 | completo| Parte do Arcanum

Dedilhos flautearam

entre zircônias e espadas de cloretos

e um ferimento cantarolou em lábios

o carmesim de uma gota cafezim  

A pedra observada obcecada orvalhada

Obsidiana a fila indiana

das penas dos patos Os brilhos largos do lago

As tantas tremulações

As sagas amadeiradas

dos sândalos e silêncios

vândalos sangrados nos lenços

nos tempos fósseis fôsseis

nos ermos lugares do fretum[1]

Estava o mistério escavado

polido no verniz dessa conformação

Madeira sem nós e oco

Cor encorpada em serpenteio da alma

inerente corrente oculta habena[2]

Em fremor[3] onírico

Dança das penas das sombras

Olhar melífero beija-flor

Saliva incolor

Couro veludo amor

Aí sempre esteve silente

teor branco azulado

uma pedra pingente

mansuetude da ondulação

irradiada com Sol de madrugada

Andante dançante espumante

os pés que perfuram a barra da túnica

se revelam adiante

os olhos que cegaram diamante

em Éfeso em Este e luz

Piso as areias em terno movimento

Luar transpirado talvez lágrimas secas

arestas deste caminhar mastigado

entre as curvas de suas plumas

nas fumaças de suas brumas

no âmago de seu sumo

os álcoois dos arcos das flexas íris

das neves brancas

auréolas lunares gravadas na forja dos lábios

Lábios nos ápices dos cetros dos potros

dos olhos cortantes da ravina

na dança nos ares das asas rapinas

e a ferocidade doce do ferrão melífero

Tudo oculto manifesto na cadência do seu passo

do seu fêmur do osso do tutano de

um movimento absurdo

O silêncio sibilado na corda do vento

nos braços tensos em músculos

as cavidades ensombradas do tenso

dessa ânsia misteriosa e todas as camadas

da idade do tronco O dorso A idade

dessa escultura em curvas dentro das curvas

em seu antigo semblante totalmente

aninhado pelo sonho da redoma de minhas

minhas somente minhas ilusões

dentro das mãos em linhas

Linhas  digitais Sol e Lua dia amantes

O fóssil espanado lavado tocado

obsidiana dor habena

tremulava incessante

como choro calado dentro do peito

dentro do cerne dos vestíbulos

estrídulos dos ventrículos

O coração dentro do coração dentro da era

era o coração dentro do calor

Calor das flâmulas navegantes

nas ondas tremulantes que olhava

enquanto o beija-flor vigia

e sua mão dos dedos de sua língua

_                                           me despia

Fóssil possível

como obsidiana ferira

de dentro da alma saíra

sua cor de cada matiz

Sangrava a tez dessa feroz verdade

Petrificado perene como uma mão Uma luva

que detinha todos os perfumes veludos

caroços carne suculenta da uva

Por todo tempo no chorar da chuva

Assim poderia contar todos os círculos

que nos circundaram

submersos no mar do voo do ar

como flores indescritíveis

das palavras inescritas

Da parte interna

meu dedo se ressente

a textura caramelo

olor habena

pólen deglutido

nódoa de cor úvula

marmorizada no éter

na felicidade efêmera de um sorriso

as peles tatuadas de si mesmas

no encontro pergraphicus[4]

somente por uma noite

de olhar brilhante verão

Assim não preciso insculpir

o amor nas ranhuras

Eterno

ternuras de alturas

tocar das desenvolturas

vertigem de tonturas

Periculum[5]obsidiana!

Contendo fictio[6] festinanter[7] fides[8]

fauste[9] factum[10] fecunde[11] febris[12]

                flabra[13] feruor[14] fictor[15]

                formidamen[16] florus[17] flamula[18]

                forte[19] fraxinus[20] fulmen[21]

                fulgor[22] furtim[23] furia[24]

                futurus[25] flamma[26] fretum

                fideliter[27] fauus[28] fanum[29]      F!

                fax[30] fatum[31] februum[32]

Mara Romaro


[1] fretum, -i Lat. – Estreito, braço de mar. Agitação das águas, o mar. Impetuosidade, agitação.

[2] habena -ae Lat. – (Habeo) Correia. Açoite, chicote. Rédeas, freio, cavalaria. Cordame, velas.

[3] Fremor, fremoris Lat. – Rugido, bramido, estrépito, gritaria.

[4] Pergraphicus,-a, -um Lat. – Feito de maneira bastante primorosa, perfeito, completo.

[5] Periculum, -i Lat. – Experiência, tentativa, ensaio. Perigo, risco. Processo, ação, julgamento, causa. Sentença.

[6] Fictio, fictionis Lat. – Ação de modelar, formação, criação, modelagem. Ficção, invenção. Suposição, hipótese.

[7] Festinanter Lat. – Apressadamente. Com precipitação, com solicitude.

[8] Fides, fidei Lat. – Fé, crença. Promessa solene, juramento, garantia. Confiança, convicção. Boa fé, fidelidade, lealdade, confiabilidade, honestidade. Crédito, segurança, confiança. Proteção e auxílio.

[9][9] fauste Lat. – felizmente, auspiciosamente.

[10] Factum, -i Lat. (facio). Feito, ação, empresa, obra. No plural: Os feitos notáveis.

[11] Fecunde Lat. De modo fecundo, abundantemente, fertilmente.

[12] Febris Lat. – Febre.

[13] Flabra, -orum Lat. (flo) O soprar do vento. Viração.

[14] Feruor, feruoris Lat. – Fervura, calor, ardor. Efervescência, fermentação. Arrebatamento, fervor.

[15] Fictor, fictoris Lat. – Escultor, modelador, artífice, autor, criador. Pasteleiro, o que faz os bolos sagrados.

[16] Formidamen, formidaminis Lat. – Espectro, fantasma. Espantalho.

[17] Florus, -a, -um Lat. – Florido, brilhante.

[18] Flamula, -ae Lat. – Pequena chama.

[19] Forte Lat. (Fors) – Talvez, por acaso, casualmente. (difere de fortis, forte).

[20] Fraxinus Lat. Freixo (árvore). Dardo.

[21] Fulmen, fulminis Lat. – Raio, corisco, clarão. Violência, impetuosidade. Catástrofe, desgraça.

[22] Fulgor, fulgoris (fulgeo) Lat. – Luz, brilho, fulgor. Honra, posição de destaque. Raio, relâmpago.

[23] Furtim Lat. – Às escondidas, furtivamente, em segredo.

[24] Furia, -ae (furo) Lat. – Fúria, delírio, acesso de loucura. Raiva, cólera. Peste, flagelo. (N.A.: sentido de intensidade).

[25] futurus, -a, -um Lat. – Futuro, que há de ser, de acontecer.

[26] Flamma, -ae Lat. – (flagro) Chama, fogo, incêndio. Paixão, amor ardente. Brilho, resplendor.

[27] Fideliter (fides) Lat. – Fielmente, lealmente. Com amizade, com constância.

[28] Fauus, -i Lat. – Favo de mel, bolo de mel, mel.

[29] Fanum, -i Lat. – Lugar consagrado. Templo.

[30] Fax, facis Lat. – Tocha, archote, facho. Facho nupcial, himeneu. Luz, astro, estrela cadente. Estímulo, incitamento, instigação, violência, ardor, fúria. Flagelo, praga. (N.A. no sentido de fogo, astro, luz, estímulo e ardor)

[31] Fatum, -i Lat. Destino, fado. Fatalidade, desgraça. Tempo fixado pelo destino, morte. Predição, oráculo. (N.a.: no sentido de destino, tempo concedido para alma, jornada, a predição sobre as dívidas e tarefas, fatalidade não como morte mas jornada espiritual).

[32] Februum, -i Lat. – Oferenda expiatória.

Ponti Spiritus Cordis

Ponti Spiritus Cordis

|20260123 13:25| Preparo desde 10h, quaerere 10:30 às 11:30 | Dança Praesul como algo especial em relação à dança ecstática. Medidatação de Spiritus, alento no coração contendo todas as experiências para este ensejo dadivoso.

Os tilintares de cristais despertam nas horas que não ousam respirar, nem piar, antes que, das cobertas que desdobram de um mar de florezinhas que retomam sua vivacidade com as cores que ondulam pelo ar frio crepuscular, nas cores pulverizadas entre estrelas e neons, entre quasares e turbilhões, entre sons e voz das conchas. A arpa já fazia andarilha sem perceber as arestas duras, os martelos que surgiriam, a constelação ansiava beber em meu céu, meu mar, minha caverna.

A janela abri, e o olor me falava aos olhos, provendo cristalinos em que se traduz concernente convergente nas memórias de três dias, como presságio decifrado, como adágio desse embeber de visão, specto adspectus[1].  

Recente me ressinto. Nas passadas que ganham um chão como areias, e o céu azul descortina suas cores como vidraçaria das janelas, em amplidão esmeraldina biconvexa nas lentes difratando uma claridade de estrela recém nascida, em sericorum[2]. O caminho das folhas se bronzeando no areado verde da grama esmeralda, o vento que anteriormente tilintava os sinos de taquara, davam um bafejo como o hálito do Spiritus, do alento que me deu essa flamejante receptrix força que acalenta como mantilha meu coração,

_Espera! Espera criatura! Que já te contarei!

Assim em pés que levitavam e dançavam como um ato retumbante anual, nos ápices, vértices, rendilhados e tramas de linho da Ilha da Madeira, o céu esgarçava-se em algodão e um mar invertido tremulante.

Somente eu sentia ver e andar dependurada nas ranhuras de luz que murmuravam. E de lá contemplava, horizontino tecer de ilusão, não como as rosas mosquetas, não, eram a impregnação daquela emoção, a emoção vespertina.

Minha caminhada entre o retorcido das árvores centenárias, as folhas amarelecidas espreitando um outonal vento, os passarinhos vibrando suas asas despenteadas quando o outro dá-lhe a bicada de um fruto no bico, e a luz que penetra em restos da chuva antes da evaporação, e as gotas horizontinas sorriem, sorriem como as pessoas me olharam depois do acontecido. Com a fenda dos olhos em cristais de lágrimas, com brilho de comoção e gestos dulcíssimos que nem merecia. Os olhos oblongos me reconheceram como parte de uma pintura de cada pensamento eu supunha. E em mim também. Era um inesperado regozijo, não era? Diz-me tu!

Enquanto um jazz balançava e meus cabelos pendiam à revelia para trás, a montanha detinha uma cor bronzeada enquanto como sabre a luz tocou meu rosto, meus olhos, as lágrimas de emoção que me agasalhavam da presença, da presença Karisma[3].

E se tinha um rio de água azul, ali estava nesse hoje, nessa caminhada. E após esse arpejo, nas notas musicais que me reacendiam a lembrança daquela última segunda-feira, eu descia do assoalho do carro, subia a rampa de acesso, apoiando na bengala de fé retorcida. Vestida em cores em que me derretessem num vertedouro, adentrei no átrio e recepção em numeral me cantarolou, embora as frondes à janela me hipnotizassem em um ar até meio sisudo para esticar as cordas dessa dor perene e me fazer esquecer nos choques elétricos as espinheiras enodoadas dentro, bem dentro de meu eu solidão.

As pessoas cada uma na sua. Conversas nasciam e morriam como borboleta de asa desfalcada, e três atendentes andando lado a outro com suas demandas.

Uma senhora bem idosa fazia os exercícios falando interjeições inesperadas, e seu jeito animado tinha ganhado minha atenção fugaz.

Eu é que fui fazer demais exercícios ao seu lado, sem foco, esqueci por instantes o adspectus, serenum serpyllum[4] adentrou, em meu escrínio criou seu noturno celeste brilhar de cristais. Essa constelação de que falei desta manhã.

_Não vais acreditar no que ocorre em seguida!

A senhora se levantou para o exercício de alongamento na rampa de fronte donde eu fazia movimentos segurando bastão de madeira acima abaixo.

Seu semblante se coloriu e eu me concentrei em entender de onde tinha visto a mulher. A mulher me recordava uma pessoa que visitava nossa casa de infância, mas não devia ser… Minha mãe se viva teria noventa e seis, então, achei confuso saber. De soslaio ela olhou.

Voltada para os corrimãos ela murmurou: – Ai meu santo Antônio de Pádua! -Era seu jeito de chispar a dor muscular.

Enquanto eu refazia a face e voz da portuguesa que nos ia vender enxovais, a voz amendoada e os esses carregados do alento das ladeiras de Lisboa, eu tecia em bordados como me intrometer. Enquanto…

_ Mas olha! – Virou-se para a sala de fisioterapia chamando atenção. – Estou cá vendo a cara estampada da minha querida Dona Myriam! Você conhece? – Voltou-se o diálogo certeiro para o centro do meu alvo.

_ Minha mãe! – Sorri timidamente enquanto um som flatus[5]percorre como mãos do Sol a todos.

_ Ahhh! Pois minha querida amiga, sabia que éramos confidentes? Nossa você está tal ela. É como se eu estivesse vendo bem na minha frente!

_ Você é Dona Alice? Lembro-me de você e o seu marido irem na minha casa, lá na praça da Santa Casa. Vocês venderam meu enxoval!

_ Vocês moravam mesmo lá na praça da Santa Casa. Nossa! Eu vendia artigos de linho que sua mãe comprava. Da Ilha da Madeira! Artigos finos, bordados. – Pronunciava o eira de Madeira como subindo a ladeira.

_ Eu sei. Fiquei com alguns! Ainda tenho! – Disse entre sorrisos amendoados nos olhos lacrimejantes.

_ Tenho noventa e três anos! Superei três cirurgias! E na cabeça que a gente supera!

A cena tomou todas as mãos e olhos das pessoas!  A técnica fisioterapeuta estava com um sorriso em linha do mar. O homem me examinava com os olhos curiosos.

Eu fiquei aturdida, trêmula, feliz de sentir esse reconhecimento! Que lindo momento.

_Sua mãe era uma pessoa boa demais. Já te disseram? Ela me deu um bule, toda vez que relembro dela, rezo. Quanto tempo faz que ela faleceu?

_ Quase vinte e seis. – Assenti e sorri benevolente em dor interna, contabilizando esse oceano de sua falta, tão grande quanto mar.

_Estou emocionada! – Dona Alice curvou sobre os corrimãos escondendo o rosto entre a face que era a mesma que via, parecia anos setenta.

Eu via assim através das persianas da varanda, em suas haletas cor goiaba, verde, azul calcinha, amarelo desbotado, entre as partículas de poeira, para a vidraça em L recortada pela escadaria de mármore de caquinhos, que davam a um portão verde. O chão da varanda azulejado de um antigo motivo, arabescos pretos sobre cor areia. As três poltronas de imbuia com as almofadas em motivo xadrez de marrom amarelo e listras vermelhas.

A conversa entre mamãe e o casal de portugueses era sempre animada, e os artigos ficavam espalhados pelo tapete, cadeira, mesinha, entre xícaras de café esvaziadas numa bandeja, e a curiosidade que meus olhos cercavam.

Dona Alice e mamãe pareciam mesmo amigas, eu lembrei que eles moravam perto da casa em que mudamos nos anos oitenta e que experimentara o vinho que o Seu Antônio preparara.

_ Era muito amiga de sua mãe! – Ela redarguiu como quem desejasse minha mãe em pele e osso. _ Acho que você nem era nascida.

Ela pronunciava o s antes do c.

_ Era sim. Eu até provei do vinho que seu esposo fez. Ele ainda é vivo?

_ Sim! Tem noventa e sete e ainda dirige! – A sua cara percorreu todos os rostos de estupefação na sala com prazer imenso, assim na simpatia daquela artista que atuou no Conduzindo Miss Daisy.

_ Nossa! Que bom!

_ Ai estou emocionada! Posso te pedir uma coisa antes de eu ir?

_ Sim! – Eu disse assim meio assustada no que ela iria querer….

_ Um abraço! Assim vou estar a abraçar minha amiga!

_ Claro!! – Andei em sua direção.

Fez-se um átimo de expectativa geral. Nessa altura todos estavam congelados, inclusive eu sem saber quais movimentos tivera completado e não. Mas não importava. Ela andou com passos inseguros, assim como uma maria-seca, andar elegante e garboso, afinal com noventa e tantos era mesmo uma real ostentação.

Encontramos em um abraço, com ininteligíveis palavras grunhiram e entre nós formou-se o nimbar dessa comoção, como uma aura, expandiu-se como nuvens de luz serpenteando as faces dos corações em pessoas que nunca tinha visto, nesse ato meu como receptrix[6].

 _ Sua mãe era uma pessoa tão bonita. Estou emocionada. – As pessoas murmuravam como um som que fazemos a um bichano. Face de meiguice. Face de ternura. Nós em lágrimas-sorrisos de saudade.

O abraço desatou, ela se despediu andando lentamente, murmurando ainda as rendas bordadas em franjas e linhos, farfalhando toalhas engomadas perfeitas dos anos setenta, em cores carismáticas, em luz de pores do Sol, em alentos que arrebatam os corações de coragem, esperança e fé. No douro dessa filigrana o sol boceja e os movimentos fisioterápicos recomeçam preguiçosamente.

Por dias esse alento deu esse xale sobre o meu coração, quando a chuva caía batendo suas lágrimas na vidraça, meu coração era um atabaque, era um dançarino, um praesul[7] que me comandava, fortalecido, não como ilusão, mas como um benjoim[8] que faz o curativo lembrar que ainda existem pessoas boas, que as atmosferas de verdadeiras amizades se replantam e são eternizadas na consideração mútua que geraram. Não pode ser como se vê em pessoas que dirigem seus carros como se quisessem não apenas tirar uma fina, mas na sombra mais escura de um espírito bem no fundo dessa escuridão que refusam em saber, queriam atropelar. Tanto ego e vaidade inútil, e ruindade que vejo como contraste.

Por isso, voltei pra casa e contei ao meu querido ambacto, como sentia minha pele pinicar com a sensação de que minha própria mãe estivera entre nós naquele ensejo de reencontro e reconhecimento.

 Toda a elegância vestiu meu olhar nos momentos dessa cercania, como o mar estivesse sobre meus ombros, como a luz nascesse do pontus [9] e tão plena em branco, cegava, as minhas gatas estavam incrustadas na grama pouco crescida, entre a brisa de luz, essa nuvem despedaçada no céu azul profundo, em cores esmeraldinas impossíveis que somente a magia das mãos de minha mãe tinham em um anel tão elegante enroscado nas serpentes de sua sabedoria e tantas outras virtudes. Minha mãe pousou sua mão de benção nesse acontecimento. Eu sei.

Acredites, isso ocorre sem que percebas. Os alentos de quem amamos sopram os perfumes que nunca podemos saber, mas de alguma forma, nosso coração a esculpe praedicabilis[10]; de fato, em especial a minha mãe era, em tanto esperei reconhecimentos, e da forma mais improvável a luz transpassou o biconvexo e em mim guardou, desse reencontro, essa Ponti spiritus cordis.

Mara Romaro

| Muito obrigada por ler


[1] Specto -as -are -aui -atum Lat. Olhar fixamente, fitar, observar, contemplar. Assistir a, ver (um espetáculo),. Considerar, apreciar, estimar. Objetivar, ter como meta, aspirar. Examinar, experimentar, testar. Ter relação com, ser pertinente a, referir-se a. 

Adspectus adspectus [m.] U Lat. aparência, aspecto, vulto, ato de olhar, visão, visagem, horizonte, linha do mar. N.A. Toda significação na essência das palavras, como imersão na visão e ponte para o horizonte.

[2] Serica -orum (n.) Lat. Vestidos de seda.

[3] Karisma – gr. Dom, graça. Carisma – Conjunto de dons espirituais extraordinários (Glossolalia, milagres, profecia, visões) concedidos pelo espírito santo a um grupo de indivíduos. 2. Individualidade notória, caráter mágico, magnetismo pessoal… [LR6] N.A. O sentido mais substancial para a representação da evocação de uma presença longínqua.

[4] Serenum -i Lat. Céu claro, tempo bom.

Serpyllum Lat. rastejante.

[5] flatus – us (m.) Lat. Sopro, hálito, respiração. Sopro na flauta, som da flauta.

[6] Receptrix, receptricis (f.) (receptor) Lat. Receptadora, a que fornece abrigo. Dissimuladora. N.A. Eu diria que era totalmente como a que fornece abrigo. O abrigo do coração para o coração, vice-versa.

[7] praesul, praesulis (m./f.) (praesilio) Lat. O que dança, salta na frente, que dança em público (especialemte dançarino dos Salii, que anualmente dançava e pulava pela cidade, carregando escudos sagrados). Presidente, diretor. Patrono, protetor.

[8] Benjoim – bálsamo aromático extraído do benjoeiro.

[9] Pontus -i Lat. Mar, alto mar, mar profundo. Onda, vaga.

[10] Praedicabilis, praedicabile Lat. Louvável, digno de elogios.