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Do exílio não se regressa

Do exílio não se volta,
Da prisão não se foge,
Não há de a alma ter fome,

De nada lhe vale fugir,
Regressar onde não cabe,
Onde lhe dizem que se cale,

O caminho fez-se pra pôr fim
À lonjura, não à distância,
Que tudo afasta e consome,

O que fica pra trás é som
Que não se ouve perfeito,
Não me diz quem sou ao certo,

Julguei-me à própria vida preso,
Apenso à alma que venho,
Como a todas as coisas de í fora,

Me manda ser eu, sem escolha,
Sem vontade de ser outra coisa
Senão símbolo d’coisa f’rida,

De quem nada se espera.
Igual à fedida loucura,
Do exílio não se volta,

A menos que alguém sorria
Autêntico, do lado que os vivos
Usam estar da vida.

Jorge Santos 09 Dezembro 20/25

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Parece que me dividi

Parece que me dividi
Entre presente e passado,

Como quase sempre
Me acontece com o que

Não é real, com o que
Não é meu, nem minha é

Esta vida, este céu meloso
Passivo e sonhado,

Dividido entre, sou o que
Sinto e o que vejo,

Duas margens do mesmo
Rio e eu – o meio – suposto,

Todo ele sonhado, todo eu
Sonho, sem dar por isso, em mim

Fingindo que durmo “dormeço”,
Adormeci sem fim

Nem início, consciência disso
Não tenho, começo

Nego que alguém no entanto
O tenha,

Perdid’a lembrança ao que vim
Perdi-me de mim, também

Sim, mais-valia nem a querer
Lembrar, assim digo sou

Como quem diz fui, ou vice-
Versa eu, esse.

Joel Matos 06 Dezembro 20/25

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Esperança perdida.

Esperança perdida.

Minhas mãos são já coisas,
Impostas e formais, peças
Normais que funcionam
Em cadeia, negam desejo,

Vontade minha, nenhuma.
Minhas mãos já são “feias-
-Coisas” d’vontade própria,
Mesmos dedos, mesmos

Gestos práticos incompletos,
Básicos até nas texturas,
Semelhantes a outras coisas
Que há, não em nome da fé,

Do céu que invocamos em vão,
Mãos nobres, gestos pobres
Apelos vãos, fracos os deuses,
(Oxalá fossem menos severos)

Virá dia semelhante às fábulas
Em que as coisas serão mais
Coisas e os olhos se perderão
Da alma, então o último virá

Em primeiro e minhas mãos
Não serão mais coisa alguma,
Causas fortes leva-as o vento
E a mim mal me alembram,

Se é que as tive, mãos coisas,
Coisas mãos, agora que tenho
Inda a vontade, débil o desejo
Confrange-me o sentir d’outros,

Básicos práticos, incompletos
Até na textura de braços mãos,
Lamento não possuir em minhas
A medida ideal, igual aos seios

Da perdida esperança menina.

Jorge Santos 21 Novembro 20/25

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Atrai-me o medo

Atrai-me o medo, a volúpia,
A dor curta e a angústia
Que passa veloz, a palavra
Egoísta far-me-á justiça,

A inveja e a vaidade,
Veleidade d’carácter, também
Assim com’o fracasso
Antecipado, afligem-me

Ideias de sucesso,
Sonhos falsos que nem
Foram construídos pra mim.
Não passo dum projecto,

Uma espécie de filosofia
Andante, quotidiana, dramática
E incurável, estranha coisa
Essa’onde existiu Homero,

E uma versão do universo,
Que não é bem d’verdade,
Embora a mesma dor breve,
E uma pergunta em aberto,

Ou meu sonho se perdeu,
Ou me perdi eu do sonhado,
Sendo que o sonho sou eu,
E o auditório está vazio,

O mundo continua parado,
Tranquilo como sempre
Existiu, os galos cantam,
Tardia a natureza emudece,

A noite fria prossegue,
É um facto que não surpreende,
Já o constante medo,
Em que paradoxalmente vivo,

Não me causa temor,
É um vício, tem vida, definição
De corpo, qualquer coisa
Indefinida entre eu e eu…

Joel Matos 25 Novembro 20/25

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Todo eu sou qualquer coisa

Todo eu sou qualquer coisa, aquilo que me mente e por mais que de mim me afaste, sinto-me uma versão banal de outros quando de mim demais me aproximo por ser tão vulgar quanto o que falo e digo, via de regra sinto nojo da extrema limpeza da pele e de limpas tabernas, da qualidade duvidosa dos que se esmeram por agradar aos que passam e dos que nunca entram pra não se macular de mosto ou de cevada, murmuram e se muram de lantejoulas tal qual travesti de Madona,/Dali, usam vestido o vazio nas mentes redondas como batatas,  negras mentes no escuro, baratas de luz pacata em móveis, imóveis para se não destacarem, se esconderem da claridade do dia, dizem-se vulgar e virtualmente puros, dos poucos possuidores da arte da erudição, hipócritas castrados e pestilentos, agentes da “antipoética”, que não conhecem a musicalidade das esferas celestes, o misticismo que é necessário para ser poeta/profeta e transformar dragões em anjos, anjos em inflamados cometas, o hálito de sabor amargo das bestas bravas, da bonança e o pó da estrada em esperança.
Nós pertencemos à raça brava, com o sabor análogo ao do solo prenhe, a limbo, a terra nova e descoberta, somos de resignação violenta, os nossos dedos acariciam a erva e os musgos nos regatos, à beira do abismo nos braços da natureza perene.

Os meus passos têm a leveza das aves dos céus, salmão dos mares, quando me perco, como sendo “Prometeu” ou seus pares do Atlas ao Taurus.
Sou imenso, sinto e peso um cosmos em mim, não consagro o meu tempo à banalidade, à mediocridade, sinto nojo de dualidades e de almas sôfregas de ruído.
O imbecil é e será sempre um ser colectivo coletivizante  e ostracizante, todo eu sou qualquer coisa que aguarda apenas o soar da meio-dia “à janta”, a alternância de quem gira em torno de si mesmo, como uma esfera, comum Terra, o sino, o címbalo, o Olifante, a trombeta para o qual a minha atenção se dirige, ao longe, muito longe, no único andar do mundo que não muda, aguarda apenas, aguarda suspenso e fixo num ponto mudo, o nó do mundo, o futuro de tudo-e-todos …a contenda dos moribundos na cidade berço de “Ananda”…o nó mudo em Mandala-papel.

Conquanto penso e vejo-me sentado, solene onde decorre o meu juízo e penso ser um pouco de tudo que é impassível e resulta certamente em mim, não me posso perceber, contudo conheço-me mais que tudo, giro em torno de mim mesmo, assim como um pêndulo em torno de Foucault e apenas aguardo …aguardo apenas, de cima o som que é mudo, do nó do mundo o troar do sino, o soar da “janta”, o hino ao fim do mundo !

“E orgulho-me todavia de minha humilhação, e por estar condenado a tal privilegio, quase desfruto uma salvação odiosa: acredito ser na memória humana o único exemplar vivo de qualquer espécie a ter naufragado um navio, num deserto de pó e areia.”

Não minto quando me dispo do que poderia ser dito entre o dito e não dito do que realmente digo, sim “Eu jamais parti” mas não digo não, pois poesia não sai de mim, foi-me dada assim, é a minha água pura, a minha força motriz, nem se compara ao ar, infinito o que respiro, é o que a voz me diz, por isso direi mesmo depois do fim, serei futuro ou estarei realmente aqui, no que digo de alma e corpo “Eu jamais parti” … “Eu jamais parti”

Um hiato entre o que, ou por quem me tomo e o que sei sou ou sonho todavia subordinado a ser e será o eu verdadeiro enquanto o sonhei que na prática é o que sou e como me vejo, um resíduo, um suborno de sensações anteriores ao pós nas quais creio antever ou antecipar algo como se fosse o meu reflexo real ao espelho e eu espectador fictício de mim mesmo mas com relevo falso artificial e uma memória de outra espécie de elefante que abdicou de si mesmo para se tornar uma outra realidade ciente e sem substancia incorpórea apesar de humana ainda, quem sabe eu mesmo (arte e forma) pois sou aquele que nasceu sem se conhecer, pra quem tudo é estranho e diferente, performance magnífica ou repúdio caustico à boca de cena e ao palco.

Ando sentindo-me mímico e semi “desfraseado” de nitidez de modo que não consigo equilibrar duas palavras que façam cabal sentido separadas ou uma de cada vez, nem temperar com sal sentidas palavras como cal e mostarda ou alho Francês , mascara-las e dividi-las por dúzias de compartimentos íntimos como se fosse eu do país do um Dali da intuição, Catalão (espero que passe breve,) assim junto algumas de um, dois mestres e uma mestrina regrada a estouvados sonhos semivividos semi-sonhados, persegue-me a mim a sensação morfológica de jamais partir e assim retorno constantemente embrionário à ideia minha de verdade onírica de jamais conseguir alcançar a substancia líquida de que são feitos eles mesmos os sonhos e modelar os meus lexicalmente viventes em vividas catarses , depurações de uma alma imperfeita, impura, apesar de lúcida (…)


Não sei ser útil mesmo sentindo”, posso dizer que sinto, nem que seja porque é essa a única, minha e verdadeira causalidade, (“esse o problema de beber”), o sintagma basilar do que me resta de real, a liberdade magnifica, mergulhada em ácido ou caustica como uma traição, a de tecer em contos fábulas e contar o que realmente é prosaico e por demais gasto, o que reside inconsciente na” consciência da passagem do tempo”.

Lembro-me da menos valia de Augusto, de Magno, César-do-mundo-anterior ao meu e do desgaste do tempo que conheço, do padrasto desgosto de não compreender no rosto a mãe da pitonisa das dores, maquilhando-se de mar e coragem à medida que se afunda no Egeu Atlântico a oeste da ilha dos Amores …

Os vocais e sílabos constroem-me como se fosse eu um puzzle, uma historia desfocada de “nitidezes”, sinto-me evidente e focado face aos sírios e pálpebras de todos, que de outra forma não me concluo, nem me concluirei de facto “nem me dá gana” continuar sustentando o insustentável, o imponderável que é, como se sabe, criar contradições e complementos a partir da bílis e do esperma e a propósito de coisa alguma e do nada mais, pois que é disso que se trata quando se constrói, destrói-se o útil e o apenas, fica o transversal, a nossa pseudo alma, o pseudónimo exuberante e vital de quando se entorta um prego, a realidade numa outra forma também básica, prosaica de metal / ferrugem mas quiçá mais real que esta agora e de sempre que, não por se honesta, me basta.

E é isso mesmo na atitude, o escrever simplesmente, ele mesmo, o mito qual nos transforma em crianças “incompreendedoras” crónicos filósofos da graça e da descrença, ínfimos promíscuos até nos crermos inexistentes como flutuantes aliados ao infinito na forma de alheamento alado, somos maravilhosos enquanto bons pensadores e/ou escritores desafinados, assim o desejo, ele também.

Por palavras doutros e não minhas dou hoje o sempre o que digo e escrevo, escravo das cores que não tenho, doem-me as crostas nas minhas toscas e roucas palavras, compactuas, emprato-as, exponho-as e exponho-me em francas paredes, brancas, singelas no meu pensamento, tão úteis para pensar como para me despertar, pra desertar de mim próprio e provocar noutros o sentido de intimidade exposta e a exporem-se também e/ou expressar ideias novas e há depois momentos em que temos de apagar, apagar-nos, dormir para despertar instintos adormecidos, o equilíbrio e o sonho aparecem e nos tornam numa balança, na memória do elefante e a razão ambivalente, essa que nem sempre o é, não parece nem corresponde à ideia que dela temos, não somos longos suficiente para nos validarmos nem aos nossos ideais bem ou mal seguros, não nos validamos suficientemente, nem justo seja o que for, mas ao duvidarmos de nós mesmos declaramos possuir poderes mágicos que nos permitem descrever o belo em imaculadas paredes que mesmo sendo derrubadas são intensamente nossas pois as mensagens são eternas para quem as sabe decifrar e mesmo as curtas pausas e as pontuações caladas são agentes secretos das palavras dadas, usadas, emprestadas a nós por d’outros e assim sucessivamente até ao fim desta espécie falante mas não omnipotente, hominídeos símios, q.b de bravos gloriosos e valentes tanto quanto fracos e indecisos.

Por palavras minhas e não d’outros parto à bolina num trem sem carruagens e com um semi-talento atrelado , eu sentado na esquina da maquina de escrever, (chavões à parte e às paginas tantas), algo que não controlo pleno é uma locomotiva a pleno vapor no Tejo ou no Sado eu não cometo abalroamentos quando navego à bolina , planto e dito assim mesmo, como que ao vento, também ele mau conversador, faço de bruto, um pouco menos ou mais que conversa cúmplice de maus presságios, vou de faca afiada nos dentes e já que de palavras lidas está o molhe cheio e o bote transborda aqui e acolá, por vezes vai ao fundo, as palavras são o que me fazem ser e querer ser tal como formiga d’asa.

Serve para dizer por palavras que ouço como se fossem minhas, eu próprio na musicalidade em Oboé das ramagens dos carvalho gigantes e velhos e nas coisas como fosse o som da caminhada que é conjunta e sagrada, estamos juntos nessa estrada longa que é escrever, pois escrevamos …

E viva a poesia

Não sei ser útil mesmo sentindo

Obrigado sou eu e muito à vida que tive, que vivi e que ainda vivo e possuo, sinto-me embriagado de hidromel ,-a respeito de Druidismo,  a magia Célica-Celta como factor inexpugnável da crença Célica- Gaélica, o Juiz da Clareira Ou Druida mágico e mago era sumariamente um ente antropomorfo ou a identidade humana mais próximo dos “deuses” todos (bem mais que mil) ou entes e em comunicação vocal e comunhão espiritual com estes (e ainda o é ou ainda o são embora em pequenas comunas, fortes mas dispersas) Juiz da aldeia do aglomerado ou da tribo, o incumbido ecuménico de fazer respeitar a lei natural, a justiça do Carvalho ou a chamada “Demência Mútua” pois que é atribuição de uma única espécie num tributo a toda a floresta e à natureza em nome de um individuo mais antigo e central pois que possui o dom de fazer uma clareira em seu redor este este é, além disso, o individuo capaz de fazer justiça imparcial baseado na filosofia do natural e na ancestral tisiologia enquanto cabia ao Vate a obra de escrever ou decorar e divulgar pela arte também, não só como o jogral medieval mas num sentido mais lacto amplo e abrangente.

Toda a minha vida é feita de coisas, eu pendurado nas coisas que existem dentro e que sofro sempre que as abraço em silêncio, coisas que existem como se dentro dos olhos, estilhaçadas, agoniadas. Corro ao redor de cadeiras que não se ocupam e eu pendurado nas coisas que existem em mim dentro e os fantasmas a correr pelas paredes

Como diria Napoleão em Alba, “esta é a minha casa esqueçam-se de mim”, nasci para ká’star tb, agora aqui e já, elegi-a, elegemos nós ser livres como opção primeva e privilegiada de pensamento em detrimento de outras e, na minha casa, na nossa escrita, na nossa “terra” não permito, não permitirei nem permitiremos a febre maléfica dos feios, nem do contágio decadente que o polua, e o que constitui a minha interpretação de espaço livre comum e de critica criativa construtiva, as expressões poética querem-se, quero-as vazias de exterioridades egoísticas, assim como a caixa onde o gato defeca diariamente se quer limpa de dejectos para que a verdade da agua pura flua e escorra por entre as vistosas pedras em cascata numa montanha livre de doenças parasitárias malignas e esterilizáveis de pensamento e ideias, que o som das águas nos acompanhe e não o cárcere da infâmia e a lâmina da ignomínia com que muitas vezes sou reclamado a cooperar e reitero desde já um voto pelo bom funcionamento desta democracia bicéfala, que posso e devo chamar assim, para que não se abra a tampa e pandora invada as nossas oníricas quimeras e as transforme em terríveis sensações decrépitas bem acima da linha do cabelo, bem hajam poetas verdadeiramente livres, amantes da escrita poética, guardiões do conhecimento, da pureza da palavra escrita e célica…

Em geral

No seu teorema mais básico e como fiel de balança, é missão da escrita mais pura, a confissão da loucura e esta consiste na exponencial capacidade de cada um em incestar termos, palavras/verbos, inventar temas, escrever novas frases, fundir em poemas inovadores ferro e magma, sinos e signos tão finos que brilhem no conteúdo e no escuro, que treinem os nossos corações atletas e os mais profundos medos, emoções, metas na condição de amanhecerem na lua, do lado magro e a sermos exímios maestros, mestres magos, gregos tanoeiros, não só mas também, nos nossos humilhantes fracassos e crassos erros. Insistamos, incestemos almas, matérias-primas e espíritos! Não há caminhar outro, suave e louco, embora o caminho não seja curto, crio (criamos) um longo e magno paradigma, não importa que nos indiciem de loucos e ansiosos…A minha, a tua ambição é amanhecer na Lua, do lado magro, nos outros longos ombros, largos de ombro a ombro , o espaço infinito e vasto, debaixo de um só braço e o comando de uma qualquer nave.

Outubro 20/25

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Jorge Santos /Joel Matos

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Meu, sou eu

Meu, sou eu

Sou tudo o que a vida não é,
Certo que viver seja o que é
Pra outro que nem vida tem
Nem que comigo se cruza,

Dia a dia,

Que vida não tenho, a não
Ser que me pousem na mão
Vidas soltas que minhas
Nem tanto, assim com’agora,

Parecendo

Que me disfarço de gente,
Pra mostrar o que não tenho,
Que é vida própria, e viver
Não sei, da forma dum outro,

Que me ignora,

Que por mim passa sem m’ler,
Me ouvir, me ver tampouco,
Cientes de estar vivos, estando
Mortos pra vida, seja o que for,

Seja o que seja,

Estar morto, estando eu vivo
Mas só no mundo, assim
Como num sótão isolado,
Recluso forçado a’ssim ser,

Assim permanecer,

Sendo tud’o que vida não é,
Inclusive a memória do que
Tive, do que fui e do que sou,
Não é certa ou sequer minha,

Mas o engano, esse sim
É meu, sou eu …

Joel Matos 23 Novembro 20/25

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Da interpretação ao sonho

A interpretação do sonho,

O próprio sonho me castiga,
Com sensações supostas,
Opostas direções indicadas
A dedo, impondo-me vias,

Caminhos que não pretendo
Seguir porque não, apenas
Porque cansei de ser esse
Misto de concreto e oposto

Certo o que se esconde,
Incerto o que se mostra,
O próprio sonho tem’quartos
Estranhos, nem abertos

Nem fechados, depende
Do lado pra que se olhe
Ou da janela que s’encontre
Aberta à brisa da tarde,

Não paro de tentar perceber
Assim como cego plo ruído
Que só ele vê ou se plo futuro
Por escrever do vidente bruxo,

Suposto era eu ser no sonho,
Oculto príncipe, assumo-me
Espírita cuja espírito não é meu
Mas doutro que me murmura

Haver céu acima e sonho que
Me mente, ou serei d’mentira, eu
Irreal in/verdadeiro, impermanente.

Jorge Santos 21 Novembro 20/25

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“Ave atque vale”

Escolho nem chorar, pretérito
Mais que perfeito, tu’imagem
Calma no espelho, Imperador
Humano, que eu amei, amo,

“Ave atque vale pater meus”
Escolho nem a tristeza chorar,
Subjuntivas manifestações, dor
Toma aos poucos, tons-cinza,

“Pater meus” Caravaca crux,
Almirante da minha coragem,
Mais as rosas que os triunfos,
Perfeito sonho minha infância,

Meu começo, o teu propósito
Que houvesse melhor mundo,
Melhor do que conheceste tu,
No fundo deste tudo por mim,

Pai que eu amo, amor perfeito,
Imperador Humano, bondoso
Teu rosto, em poucas palavras
Dizias tantas coisas, conversas

Outras.

Joel Matos 19 Novembro 20/25

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Me dói tudo isso

Me dói tudo isso

Existem coisas iguais,
Mas nada é realmente
Igual, salvo erro a vida,
Tal como a conheço,
Ainda rindo de mim.

Se existem coisas iguais
A mim, desconheço o mural,
À margem de mim nenhum
Outro rio corre, corro eu
E a paisagem é única,

É a que eu observo, vejo
Da janela e à frente,
Entreaberta, é onde
Ponho os olhos, postos
No que puder, posso ver,

Vendo no que me dói
Encanto, no que se esconde
Um mundo, escondido me atrai,
Convida a vista e o coração,
Sendo coisas diversas,

Minhas todavia são,
Coração e vista, morto
O instinto, a natureza toda,
Anseio o vento, a chuva
Personificação do sagrado,

Essência de mim, horizonte
Daqui perto, incógnito incólume,
Coberto por tud’o que possa ser
De facto, e realmente igual
A mim, me dói tanto tudo isso,

Dói tal qual natureza morta.

Jorge Santos 19 Novembro 20/25

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Deito-me ao comprido

Deitado ao comprido,
Sinto a vida ao passar,
No passo que passando,
Passa entre ser e haver,

Assim achando, passo
Duma vida q’apenas passa
Por achar prazer, passo
S’ta vida por’achar,por’ser

Entre o que me pesa,
E o que pesa esta dor
Minha, antiga amarga.
Querer é perder-me,

Eu acho e sinto nela,
O desprezo, que o tem,
Sinto-o quando passa,
Bora não o veja passar,

Invejo-a com a raiva,
Que me rói a alma,
Arranha mais fundo,
Qu’tudo que é rombo,

O desprazer suposto,
Duma vida por sonhar.
Simulo-me profeta,
Deito-me ao comprido,

Noutros trilhos, coutos
Extintos, causa-morta.

Joel Matos 19 Novembro 20/25

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