Antes de começar, é preciso dizer que este post é total e completamente parcial. Não é a jornalista, não é a espectadora. É a fã quem vos escreve.
Fui assistir PJ20, o documentário do Cameron Crowe sobre uma das bandas que considero fundamentais: Pearl Jam. Saí do cinema meio atônita. Foram duas horas de sessão, e quando terminou, virei pro meu namorado e disse: “Ficaria mais três horas assistindo, tranquila”, mas tive que me contentar somente com os créditos – até o último caractere, na esperança de alguma surpresa final.
Verdade seja dita, algumas coisas foram omitidas em PJ20. Mas o essencial estava lá. E foi assistindo aos depoimentos do magnífico Eddie Vedder que tive uma epifania e vi o porquê de eu ter gostado tanto de uma banda desde os 12, 13 anos – eu preciso deixar claro aqui que eu nunca fui tiete de nada nem de ninguém.
Eddie Vedder se doa. Em toda e qualquer letra que ele escreve, há muito dele. E ele faz questão de frisar isso durante os depoimentos usados por Cameron Crowe. Obviamente, essa exposição fez que muita gente, desejada e indesejada, soubesse da vida do vocalista. Eu imagino como isso deve ser chato. Em 2008, o Pimenta da Boa era essencialmente pessoal. E era pra foder o cu do palhaço a quantidade de gente que queria satisfações da minha vida. Fiz por merecer, é verdade. Não tenho argumentos contra. Escrevi, estava ali, e que viessem as perguntas. Obviamente, eu não sou uma rockstar. Foi só um desabafo.
Continuando
Mais do que a sonoridade do Pearl Jam e do fato do vocalista ter se pendurado por aí nos shows e se jogado na galera
(representando o que, para muitos é a vontade da juventude se livrar das amarras e, para mim, eram só umas pancas passageiras do Eddie), é impossível não notar nos caras o teor de suas letras. Bato na tecla porque, pra mim, as letras são fundamentais pra eu passar da primeira faixa de um cd, qualquer que seja.
E não tem como não se emocionar com versos feito
“Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, if I didn’t I’m a fool you see
No one knows this more than me”
Ou (uma das mais lindas, pra mim)
“I know someday you’ll have a beautiful life, I know you’ll be a star
In somebody else’s sky, but why, why, why
Can’t it be, can’t it be mine”
(Merece video)
Quando o Pearl Jam nasceu, ele poderia muito bem ser rotulado como a carniça do Mother Love Bone. E se ele não foi, deve-se justamente ao Eddie Vedder, sua voz e sua postura – ou a falta dela.
Vocês já repararam no olhar dele quando ele canta? No jeito perturbado com que ele olha pra cima, treme da cabeça aos pés e fica com raiva? E vocês sabiam que esses gestos começaram justamente por ele estar irado diante de uma situação em um show, quando seguranças agrediram um fã diante dele? Eu não sabia. Cameron Crowe me disse isso. E foi ele que disse também, ao fazer a crítica do Pearl Jam Unplugged, na Rolling Stone: “It’s Eddie at his most emotionally naked, literally howling for a woman who left him behind.”
PJ20 mostra que cada um na banda tem o seu mérito. É perceptível, ao longo do documentário, que tudo é feito para que o Pearl Jam se desvincule da imagem do Eddie Vedder. Quem dá mais depoimentos é o guitarrista Stone Gossard. E Cameron mostra como um dos destaques do documentário o célebre dia quando o Pearl Jam – sem o Vedder – tocou com Neil Young. “Vocês conseguem, vocês tem o nível do Eddie”, disse Young.
É fato: o grupo parece que não funcionaria desmembrado. Mas também não funcionaria sem Eddie. Assim como o Mother Love Bone não vingou sem Andy Wood, após sua morte por overdose. Temos aqui, na minha opinião e certamente na das pessoas que foram assitir ao documentário, uma grande banda ainda em atividade. Com um grande frontman, com grandes composições e ainda com tesão.
No aguardo de novembro, então.






