Ainda bem que tudo era incomparável

Cheguei à Escola Superior de Educação de Santarém como veterana, já com 37 anos, uma licenciatura e alguma experiência no mercado de trabalho precário. Em comum com a minha anterior experiência universitária apenas o facto de ambas acontecerem no âmbito do ensino superior. O resto, ou seja, quase tudo, era incomparável (Braga e Santarém), a começar por mim mesma, quase vinte anos mais velha do que as minhas novas colegas, ao passo que da primeira vez estávamos todas no mesmo barco.

Não se podem comparar diferentes gerações, mas podemos aprender tanto umas com as outras, apesar de todos os desafios. Aprendi isso mesmo – a respeitar essas diferenças que no início chocaram-me e foram difíceis de digerir. Talvez por isso fizesse todo o sentido estar ali durante estes últimos três anos com miúdas como colegas que vi a crescer, a desabrochar talentos, a tornarem-se mulheres.

Penso que ao fim do primeiro ano desisti de fazer comparações e percebi finalmente que tudo era incomparável. E quando isso aconteceu pude, finalmente, aproveitar cada momento e ser feliz. Sim, fui feliz, ri muito, tanto nas aulas online como nas presenciais. Estudar sem constrangimentos, sem medo do que possam pensar, sem inseguranças (estamos aqui para aprender), mas com aquele friozinho na barriga nas apresentações dos trabalhos, nos testes, em todas as avaliações…

Tanta coisa que levo comigo e tão grata que estou por estes três anos de desafios superados. Não mudaram a minha vida, não mudaram assim tanto a minha bagagem, mas ensinaram-me a ser uma pessoa melhor, mais atenta aos outros, mais empática, não a aceitar mas a admirar a diferença. E é essa diferença que torna tudo (pessoas, mundo, vida… ) tão especial!

Só tenho a agradecer e esperar que os próximos dois anos em Lisboa sejam, no mínimo, tão bons como estes últimos três em Santarém. Obrigada!

25 de abril sem medo

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Nasci depois do 25 de Abril de 74 e cresci em liberdade. Aprendi que devemos lutar pelos nossos direitos e defendermo-nos de quem atenta contra esses direitos. Para mim, falar sem medo e questionar é tão natural como a minha sede e a minha fome,  graças ao 25 de Abril, a todos os que o fizeram acontecer e a todos os que morreram ao tentar fazê-lo.

Recentemente, vivi uma experiência que considerava algo impossível em 46 anos de liberdade. Gerações mais novas que têm medo de questionar, de perguntar, de defender os seus próprios direitos em troca de uma “paz podre”, onde uns mandam e outros obedecem, numa espécie de ética em que não se deve importunar “os superiores” porque eles podem vingar-se. E é melhor ficar calado… E obedecer. Por momentos, parecia que estava a contactar com as gerações mais velhas que sofreram a opressão salazarista, que têm o medo e a obediência entranhado até às vísceras, que sofreram de facto as consequências de um regime ditatorial.

Não consigo conceber um cenário onde não se possam fazer perguntas, dizer não a abusos e denunciar esses mesmos abusos. Não há argumentos que me convençam do contrário. Não há ética que justifique o ficar calado para não irritar as pessoas que nos podem causar problemas porque sim, porque lhes apetece. Faz-me lembrar a esposa que faz tudo para agradar ao senhor marido, que diz sim a tudo porque se ele se chatear pode lhe bater e isso ninguém quer, por isso é a esposa que deve fazer tudo para evitar a violência doméstica. Esta inversão é tão ridícula, é tão fascista!!

Fizemos o 25 de Abril para quê? Para que estas aberrações fossem isso mesmo: aberrações! Que as vítimas não fossem condenadas e os agressores não se transformassem em falsas vítimas.

É chocante que o medo, que a ética invertida, que o parecer bem se sobreponha ao correto, estejam ainda tão presentes nos mais novos. Se há medo em fazer apenas uma pergunta, para onde caminha o nosso 25 de Abril? Por isso hoje (e sempre) quero gritar ainda com mais força: liberdade sim, fascismo nunca mais!

 

fotos e outras memórias

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De vez em quando lá estou eu nas arrumações de fotos, das recentes às mais antigas, acabam por ser momentos de recordação e muito pouco de organização. As fotos são o registo do nosso passado, uma memória factual, não deturpada pela interpretação que fazemos desses instantes. Existiu, aconteceu, usamos mesmo aquelas roupas e penteados e sim, eram nossos aqueles sorrisos ou olhares perdidos.

É uma espécie de espelho. Olhamo-nos no passado e muitas vezes não reconhecemos esse eu no presente, como quando procurámos nas nossas fotos de infância traços físicos do que hoje somos. É uma busca de nós próprios. Perceber o que mudámos, o quê e quando mudámos. E porquê. O que nos levou por aquele atalho ou longo desvio, que momentos e que pessoas encontramos que nos mudaram, que viraram a nossa direção. As respostas vão surgindo nas fotos posteriores.

Dizem que o passado não interessa para nada porque já passou e não há nada que o possa mudar. Mas é no passado que nos conhecemos, que encontramos o rumo do presente, a origem do que nos atormenta ou nos faz feliz. É lá que estão as nossas mágoas e desilusões, a nossa coragem e força, o nosso eu que nos segura hoje. É pelo passado que valorizo o presente, que agradeço cada dia, cada momento de mudança. cada pessoa que cruzou na minha vida e me ensinou algo. É de lá que vem a saudade dos amigos que desejo abraçar e das pessoas queridas que já partiram.

Não quero apagar o passado. Pelo contrário. Quero lembrá-lo por tudo o que me pode fazer viver no futuro, pelo agora que vivo intensamente, pelos momentos felizes que vou festejar, pelos menos felizes que me vão ensinar tanta coisa…

E volto às fotos. Às minhas amigas do colégio e do secundário, às visitas de estudo, ao grupo de teatro e à banda, ao conservatório e às inúmeras fotos que nunca tirei na universidade. Aos aniversários, às comunhões e aos natais em família. À mãezinha e ao avô António que não conheci. À minha avozinha Deolinda. Ao meu mano querido…

Em cada imagem a saudade, a nostalgia e o agradecimento por teremos estados juntos, por termos vivido tantas alegrias juntos, tantas coisas banais na altura que hoje me parecem gloriosas, únicas, extraordinárias.

Que se desarrumem as fotografias para que eu as possa arrumar muitas vezes…

 

Enganos da Maternidade

 

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Há duas coisas que me “enganaram” em relação à maternidade, sobre o parto e sobre ser mãe. São inúmeras as histórias sobre partos e é verdade que a maioria aponta as dores do parto como as piores que existem. Porém, desde que chegou a epidural, acabaram as dores por isso acabaram os problemas sobre o parto. As histórias de dores horrorosas deram lugar a momentos românticos com o pai a assistir e a cortar o cordão umbilical – tudo registado em fotografias cheias de sorrisos de felicidade. Depois vemos a mãe super feliz no pós-parto, sem qualquer incómodo, praticamente pronta para parir novamente!

Na minha experiência, descobri “verdades” que valem o que valem. Primeiro, não há partos iguais. Cada caso é um caso, mesmo com as epidurais e todos os avanço da medicina. E cada pessoa é uma pessoa que reage de forma diferente às mesmas coisas. Parece-me que a maioria dos partos não decorre nesse “ambiente romântico” com que sonhamos ainda antes de engravidar e que, quando estamos grávidas, ninguém tem coragem de nos alertar já que estamos demasiado sensíveis e, realmente, até pode ser um parto fácil e bonito. Com isto, ponho já de parte as mamãs que tiveram a felicidade, o privilégio, de ter um parto de sonho – até deve dar vontade de repetir várias vezes.

Vamos a todas as outras. Não é bonito, nem romântico, nem maravilhoso. Caem-nos mais depressa lágrimas de desespero do que de felicidade. Há o trabalho de parto, as contrações, as epidurais, as intermináveis horas a soro só com o gostinho de um copo de água, chá ou gelatina açucarada de duas em duas horas. Há profissionais de saúde espetaculares que nos tratam como rainhas e outros pior do que pleibeias. Há ansiedade, medo, dúvidas, desorientação e desespero. E pode haver uma longa espera. E a verdade que nos escondem: a epidural pode não funcionar, ou seja, podemos sentir todas as dores das contrações, nada nos garante a ausência de dor. É aqui que entra o instinto maternal, a garra de leoa que caracteriza a mulher desde os primórdios da humanidade, essa capacidade de procurar forças não sei onde, de defender os filhos acima delas próprias, de ir ao fundo do poço vazio e voltar com um balde cheio de água. Passemos à frente a parte do parto em si, há histórias que dão livros de 600 páginas – não vou por aqui.

Ver os filhos nascer é de facto uma felicidade indescritível, pegar neles pela primeira vez e ouvi-los chorar, e sim, podem ser derramadas lágrimas de felicidade. É neste momento que há felicidade no parto, que até nos pode distrair do incómodo de sentir a agulha e a linha a passar nas nossas partes mais íntimas. Apenas um pormenor.

Desenganem-se se pensam que agora que terminou, está mesmo tudo terminado. Ainda agora começou. Seguem-se as dores do pós-parto, que só passam após um mês, com tudo a correr bem. Vivem-se aqueles incómodos muito desconfortáveis de não se poderem sentar, de procurarem numa cadeira uma posição para apoiarem uma parte da nádega. Não falemos das idas à casa-de-banho…

Sobre ser mãe… Não há palavras. Boas palavras, quero dizer. Sempre me disseram que é maravilhoso e é. Que é um amor maior e é. Que nos preenche completamente e é verdade. Mas é muito mais do que isso, por isso não há palavras, não as inventaram ainda ou as que existem não chegam, não são suficientes para descreverem o quão profundo é a maternidade e também a paternidade. Sim, porque ser mãe em pleno é ter ao nosso lado um pai igualmente encantado, apaixonado pelos seus filhos.

Por outro lado, sempre me enfatizaram a parte menos boa como se a maternidade fosse uma balança onde se pesassem os dois lados: o bom e o mau. Não é nada assim. Dá muito trabalho, exige sacrifícios, obriga-nos a abdicar de muita coisa, muda completamente a nossa vida? Sim, é tudo verdade. Mas não se põe numa balança a comparar com a parte boa, à espera das compensações pelas noites mal dormidas, pelo choro intermitente durante horas, pelas dores nas costas por tanto dar colo, pelo desespero de não se saber o que mais fazer para acalmar a pequena criatura… Essas coisas todas são reais mas demasiado insignificantes para serem mencionadas de forma tão frequente, com tanta importância. São desconfortos temporários, que durarão meses que passam a voar, que podem esgotar-nos mas vão-nos deixar imensas saudades. Porquê? Porque não dá para explicar, não há palavras, apenas de sente e sente-se com todo o nosso eu, com todo o nosso ser, até com o que ainda não somos.

 

Minuto de Silêncio

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Contaram-me que fizeram um minuto de silêncio em tua homenagem. Chega-me imediatamente a tua imagem a rir, como se tudo isto fosse um espetáculo, talvez até um comédia. Surreal. Seria sim, há um ano se te contassem em sonho. Completamente ridículo!! “Um minuto de silêncio em minha homenagem?! Já viste que sonho estúpido?!” Para mim seria um pesadelo impossível, daqueles que nem aos outros acontecem. Mas aconteceu. E continua a ser impossível.

Continuo a achar que estás de viagem e que um dia destes me bates à porta de sorriso aberto. Feliz e entusiasmado como sempre. A verdade é que foste mesmo de viagem, mas sem data de regresso ou, pelo menos, não da forma como queríamos por agora. Acredito que estejas feliz e entusiasmado como sempre e até com outros projetos. Acredito em muita coisa.

Porém, nenhuma das crenças, nem toda a fé que tenho e alguma confiança diminuem a força do tsunami da saudade, da falta que me fazes todos os dias, da vontade que tenho de te abraçar, de te contar as novidades e de me perder no tempo das nossas conversas.

Um minuto de silêncio à procura de memórias que me confortem, silêncio de meditação à espera de te ouvir em algum canto, de te sentir na energia de algum objeto que tenha passado pelas tuas mãos, no brilho de uma estrela ou no canto de um pássaro. E fixar esse sorriso de alegria, de força, de otimismo, que certamente me mandará levantar a cabeça e fazer-me à vida das pequenas coisas que nos fazem felizes.

De que vale ser criança?

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Photo by Arvind shakya on Pexels.com

Carregas em ti o peso do mundo

E ainda és uma criança.

Tudo te negam, tudo te arrancam.

Direitos nunca tiveste, mandam os deveres

Como uma espinhosa herança.

 

Cuidas dos teus irmãos,

De dia só a ti te têm,

E como mãe te procuram.

Com eles vais para escola,

Por um futuro menos negro.

 

Quando tudo te é negado,

De que vale ser criança?

 

Dizes não ter sonhos

E ainda és uma criança.

Vazio e sem brilho é o teu olhar.

Há muito que se foi a esperança,

Sobrevives sem nada almejar.

 

Pai não tens e mãe não sentes,

Cravada está no escravo emprego,

Para migalhas vos arranjar,

Pois sem pão não há sossego,

Num dia de cada vez…

 

Quando tudo te é negado,

De que vale ser criança?

 

Vives como uma condenada

E ainda és uma criança.

No futuro não acreditas,

Com as mãos o agora levantas,

De infância negada.

 

Varres a poeira do barraco,

Onde a chuva cai e o frio entra.

Estendes no chão os farrapos,

Ondes enrolados deitais,

Para dormir e tentar sonhar.

 

Quando tudo te é negado,

De que vale ser criança?

 

Doem-te os sonhos dos outros,

Porque não te deixaram ser criança.

Para ti só há o triste ser de agora,

Que para beber e lavar à fonte vai,

E na cabeça a água carrega no balde.

 

Já não queres saber o porquê

Da rejeição a ti e aos teus.

Só queres acordar a respirar,

Para dos teus manos tratar,

Num dia de cada vez…

 

sexta-feira de outono

IMG_20181223_130621.jpgUma sexta-feira de outono pouco comum: ontem foi feriado (Dia de Todos os Santos) e amanhã é sábado. Muita gente aproveitou o dia de hoje para tirar folga e aproveitar um fim-de-semana prolongado. Podemos ver pessoas a tomar o pequeno-almoço numa esplanada envidraçada, a caminhar na rua enquanto falam ao telemóvel, a carregar compras da mercearia.

Nas varandas dos prédios, puxam-se os estores, estende-se roupa, sacodem-se os tapetes ou fica-se a fumar um cigarro, antes que chova. Sim, pode chover a qualquer momento: o céu está cinzento e as nuvens parecem carregadas. O vento bate-nos a cara e sopra as folhas das árvores que caem, vermelhadas, castanhas, amareladas e até verdes, formando tapetes desalinhados e disformes na calçada, junto aos passeios e nas plantas mais rasteiras. O chão ainda está molhado, cheira a terra húmida, deve ter chovido há pouco. O frio chateia, mas já dá para sentir o calorzinho do sol, que espreita entre as nuvens escuras e estas deixam escapar um rasgo de céu azul.

A caminho da Rotunda do Forcado, podemos deixar-nos encantar pelas longas filas de árvores, umas grandes e cheias de folhas, outras médias ou pequenas. E pelos passarinhos que ainda se ouvem cantar.  A calçada portuguesa preenche quase todo o passeio e até há uma pista para bicicletas. Hoje também há muito pouco movimento de carros, o ambiente ideal para uma caminhada. Ou até umas compras, pois as lojas estão todas abertas.

No entanto, também podemos ser surpreendidos por lixo espalhado pelo chão, sobretudo nos espaços verdes onde não há árvores nem flores, como se estivessem à espera das mãos de um jardineiro para ganharem vida. Também nos podem incomodar ecopontos velhos e sujos, pedras soltas nos passeios, remendos na estrada, obras inacabadas e, mais perto da ESES, na rotunda Luiza Andaluz, uma garrafa vazia de licor Beirão, copos de plástico, maços de tabaco vazios, cartazes de eventos do passado como o já sem cor da festa do Avante ou o rasgado do FITIJ.

O trajeto reflete a paisagem. Os bairros de prédios velhos, outrora brancos, mas agora sujos, a precisarem de uma “cara nova”, são contrastados com um edifício mais recente, cor-de-rosa e um outro em construção.

A enorme grua que sombreia a Rotunda do Forcado parece sugerir isso mesmo, o progresso, o futuro a tentar entrar pelo mundo do passado, como o sol a espreitar entre as nuvens num dia de outono.

A vida é também assim

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Olhar para o chão, deixar a poeira esconder a cor dos sapatos, enterrá-los na lama, senti-los a escorregar e a arrastar o corpo. E vou cedendo, caindo, sob o peso do meu próprio corpo. É assim a vida.

Não apenas. Sobretudo não. E não pode ser. Resistir. Não é desistir. Não é lutar para não cair, como sacrifício, como obrigação. Até podemos cair, sujar-nos, fazer feridas que deixam cicatrizes. Dói mas passa.

E é quando a dor acalma, quando a ferida deixa de sangrar que a cabeça pode levantar um pouco, primeiro ao reparar que afinal é dia e o sol brilha, bem por cima da nossa  cabeça e ao levantá-la, eis que um mundo novo começa a abrir-se, com novas cores, brilhos, odores… É nesse horizonte que se nos revela, que também nos abrimos à descoberta, ao auto-conhecimento, a outros caminhos e formas de felicidade. É esta beleza, o encanto da vida. A vida é também assim.

 

 

 

 

 

 

era bom ouvir o sino tocar

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Toca o sino lá em Belém ou se isto fosse verdade para todas as crianças era bom ouvir o sino tocar. Porque muitas crianças não têm Natal, não têm família nem recebem prendas. Agora explica isso aos miúdos. Tudo bem. Mas eu também não tenho prendas no Natal, diz uma! E outra e mais outra – eu também não! Podes ter outra religião, outra cultura, enfim e também é possível que não estejas a dizer a verdade porque em Portugal não há crianças sem Natal. Há, claro que há…. Mas é mau demais teres alunos que não festejam o Natal, que não recebem prendas e que, sobretudo, não são amados, acarinhados, etc, etc. E carregam consigo uma revolta demasiado pesada para o seu tamanho que os vai esmagando.

Não podes tu ter um saco de Pai Natal e distribuir presentes por essas crianças. Não podes pegar nos pais e familiares e dar-lhes um coração e uma consciência. Não podes sensibilizar a sociedade e torná-la solidária. Mas afinal que podes tu fazer? Uma coisinha de cada vez, um passo cuidadoso não vás ser mal interpretada, um pincelada nas paredes esburacadas. O frio vai entrar na mesma. A tua pincelada não vai fazer a diferença.

Só me resta tocar o sino como se estivesse em Belém e mostrar que é bom ouvir o sino tocar mesmo que isto da felicidade e igualdade para todas as crianças não seja verdade, mesmo que das minhas mãos só possam sair pinceladas, pode ser que faça ecoar o sino para muitas delas nos momentos em que o frio trespassa as paredes esburacadas.