Recentemente foi publicada, no jornal local, uma matéria mostrando os caminhos que as pessoas acabam inventando para pedalar onde ainda não há ciclovia. Um desses caminhos passou a ser meu trajeto diário, na Ipiranga, entre Vicente da Fontoura e Silva Só.
O trajeto se mostrou extremamente agradável, com muita grama e árvores, gostosamente sinuoso, piso firme, e praticamente todo liso.
Pois eis que hoje à tarde, justamente UM DIA depois de ver proibido o Uber em Porto Alegre, me deparo com isto:

Diversos galhos, alguns bastante grossos, colocados de forma nitidamente proposital bem no meio do caminho (a poucos metros do início da ciclovia oficial)
Para quem achou estranha a alusão ao Uber, acredito que ambos os problemas demonstam o que nós cicloativistas já sabemos há muito tempo:
O problema desta Administração não é a falta de conhecimento;
O problema não é a omissão;
O problema não é (apenas) que os gestores não têm qualquer sintonia com os anseios da população;
O PROBLEMA É QUE ESTA ADMINISTRAÇÃO É MAL-INTENCIONADA!
Nem me passa pela cabeça imaginar que isso NÃO tenha sido feito pela Prefeitura, com o objetivo ÚNICO de tentar impedir o uso desse trecho de “ciclovia improvisada”.
Acontece que esse tipo de caminho tem nome: É um desire path, ou desire line, termo aplicado aos caminhos naturais que as pessoas escolhem, e que às vezes são muito diferentes dos caminhos projetados. Eles mostram a real demanda e a real preferência das pessoas que passam por ali e “gastam” o terreno com seus próprios pés ou rodas;
Acontece que esse bloqueio clandestino foi feito às custas de uma poda ilegal, muito agressiva, e completamente injustificável (embora a foto não seja nítida, é possível ver os tocos dos galhos serrados na árvore, chegando a uns quatro centímetros de diâmetro, os mais grossos);
Acontece que ali DEVERIA HAVER, por lei, uma ciclovia, já há muitos e muitos anos.
Ou seja, a Prefeitura não se contenta em fazer o que não é necessário, ou em não fazer o que está caindo de maduro. Ela faz questão de, ativamente, ir CONTRA as pessoas que estão resolvendo seus problemas por conta própria, por tabela indo CONTRA todas as boas práticas de design urbano que já são conhecidas há décadas.
Mas, sinceramente, hoje eu repito a pergunta que vivo fazendo, mas ao contrário:
Por que isso AINDA me surpreende?