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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Laranjinhas Doces (Santiago do Cacém)


                Têm a forma, o nome, o sabor e até uma folhinha de laranjeira mas não são laranjas, estas pequenas maravilhas oriundas da cozinha alentejana do litoral, de Santiago do Cacém até Alcácer do Sal, chegando por vezes a aparecer ainda em Setúbal.
Estes doces de origem rural mas de uma elegância irrepreensível e um sabor apuradíssimo, fazem parte integrante da história dos sabores da minha infância e foi por isso natural que as tivesse elegido para ilustrar o tema “laranja” desta 128ª Trilogia com a Ana e o Amândio.
Trazidas para a cozinha familiar pela santiaguense Virgínia, empregada da minha casa de infância e amiga de toda a vida, ficam também como homenagem à minha mãe, que era quem normalmente as fazia e que, se fosse viva, completaria hoje 91 anos.

Ingredientes:

Cenouras
Laranjas
Açúcar
Açúcar pilé
Água flor de laranjeira (facultativo)

Preparação:

Coza em água simples, cenouras grandes e o vidrado de uma laranja por cada cenoura.
Passe pela máquina (moinho ou passe-vite) a cenoura e a laranja cozidas, ponha a massa resultante num pano
e esprema bem.
Pese.
Misture esta massa bem espremida com o seu peso em açúcar, mexa para que o açúcar fique húmido,
se quiser junte umas gotas de água flor de laranjeira e leve ao lume, mexendo sempre, até que atinja um ponto que quase permita modelar.
Deixe arrefecer completamente,
molde pequenas bolas e passe-as por açúcar pilé.
Seque ao sol ou vento, de modo a que formem uma película dura por fora.
Pode guardar por muito tempo numa caixa bem fechada e, antes de servir, faça um orifício nesta “casca” e introduza uma folhinha verde.


domingo, 26 de abril de 2009

Marmalade - Doce de Laranja Amarga

Acabadinho de chegar desse mergulho civilizacional que é o Magreb marroquino, com as fotos que tenho para vos mostrar ainda baralhadas em "gigas" de cartõezinhos diminutos, vou, no entanto, cumprir o que vos tinha prometido (estar aqui a 27), embora de uma forma bem britânica, com este doce único que os ingleses inventaram e que é, simultaneamente, facílimo de fazer e difícil de conseguir. Aqui fica a "marmalade", última coisa que fiz antes da partida:



Ingredientes:

7,5 dl de água

4-5 laranjas Amargas

1 limão (e o sumo de mais um)

1 kg de Açúcar

Preparação:

A única verdadeira dificuldade para fazer esta maravilha que, infelizmente, é quase impossível de encontrar de boa qualidade à venda, é a obtenção das laranjas. É que não se trata de laranjas azedas ou simplesmente amargas: A laranja amarga é a laranja brava, que nasce nas laranjeiras que nasceram de um caroço e nunca foram enxertadas.

Absolutamente impossíveis de consumir em natureza, estas laranjas arranjam-se em pomares de laranjeiras ou de limoeiros, abandonados, em que a parte "boa" da laranjeira morreu e só vivem os "rebentões" que saem da zona abaixo do enxerto.

Também os viveiristas costumam arranjar laranjas destas, as que nascem nas laranjeiras bravas que eles cultivam para servirem de "cavalo" onde se enxertam todos os citrinos.

Corte as laranjas e o limão em lâminas finíssimas, retirando os caroços que ficam dentro de um copo, cobertos de água. Cubra as lâminas dos frutos com a água e deixe de molho por 24 horas.

Leve ao lume as lâminas e a água onde estiveram os caroços e deixe ferver, tapado e em lume brando, por 30 minutos. Junte então o açúcar e, se o limão inicial não era muito sumarento, junte o sumo de mais um. Deixe ferver por mais 10 minutos e enfrasque ainda a ferver.

É delicioso sobre torradas previamente manteigadas.

Nota: Para quem esperava uma catadupa marroquina de tagines e couscous, as minhas desculpas e a promessa que trago uma enorme colecção de sabores, fotos e aventuras gastronómicas e vontade de aqui deixar boas amostras dessa cozinha apaixonante, já a partir de Quarta-Feira, 29! Até já.