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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Shushi Enrolado em Papel



                Sendo os antípodas pontos geográficos precisos e ficando o ponto antípoda de Lisboa (como da maioria do território português) perdido no Mar da Tasmânia, sendo que apenas uma parte de Trás-os-Montes tem correspondentes antipodais na Nova Zelândia, achei por bem, para satisfazer o tema “antípodas” desta 129ª Trilogia com a Ana e o Amândio, considerar o conceito mais lato de lugar do “outro lado do mundo” sem estar com desnecessários rigores geográficos.
Dentro deste âmbito de antípodas estão países como os da península da Indochina, da própria China e do Japão, que correspondem às que, em geral, se podem chamar as civilizações do arroz. Nestes países em que o arroz desempenha uma função ainda mais importante na alimentação que o milho e a mandioca em África ou o trigo na Europa, as formas em que este se apresenta vão do vinho e aguardente ao vinagre, a molhos, pastas fermentadas, em grão, massa e uma curiosa apresentação, chamada papel de arroz, que é uma película de fécula de arroz cozinhada e seca em folhas que servem para inúmeras utilizações, desde os famosos rolos vietnamitas de vegetais, os goi cuon, a esta quase desconhecida forma de sushi enrolado que hoje aqui deixo e que tanto pode servir como entrada fria de belo efeito, como até de jantar leve ou ceia, agora que já está a voltar o calor.

Ingredientes:

1 peito de frango ou de pato, com pele
Sal grosso e pimenta
½ pepino
Rebentos Mung
Arroz para sushi, cozido
Papel de arroz
Molho Teriaki

Preparação:

Cozinhe o peito de frango ou de pato como se estivesse a preparar um magret; faça-lhe uns golpes superficiais na pele 
e leve-o ao lume numa frigideira, salpicado de sal grosso e pimenta moída no momento. 
Se estiver a fazer peito de pato não é necessário mais nada pois ele é sempre muito gordo sob a pele. Se se tratar de frango, derreta previamente um pouco da gordura que sempre existe junto da abertura abdominal.
Deixe tostar dos dois lados, 
depois fatie sem deixar os golpes chegarem à pele 
e volte ao lume, agora com a pele para cima até que a carne esteja a seu gosto. Gosto dela rosada mas não crua, mas aqui, como em qualquer comida, manda apenas o nosso gosto, nunca o de outrem. Reserve.
Prepare arroz para sushi e molho Teriaki, como se disse aqui. Reserve.
Demolhe folhas de papel de arroz* por alguns segundos, em água morna, estenda-a sobre uma tábua molhada e coloque sobre ela arroz cozido, tiras de pepino, rebentos de Mung ou outros vegetais crus que tenha em casa e lhe apeteça. 
Dobre em envelope 
e enrole. 
Sirva salpicados com molho Teriaki.
 Notas:
A maioria dos ingredientes encontra-se à venda nas grandes superfícies comerciais. No entanto o papel de arroz só existe nas lojas que vendem produtos chineses. Comprei o meu papel de arroz no Supermercado Chen, no Poço do Borratém, ao Martim Moniz e deve pedir “crepes de arroz” pois se pedir “papel” arrisca-se a que lhe digam que não há. 

sexta-feira, 29 de março de 2013

Sushi de Cá



                    A situação em que melhor experimento o que significa a saborosa expressão portuguesa “estar-se marimbando”, é quando alguém, sobre um alimento ou prato, às vezes um vinho, me tenta catequizar com uma qualquer regra ou preceito, deve comer-se assim, tem de ser feito assado, os apreciadores dizem que… e eu marimbando-me!
Não abdico nem cedo um milímetro em questões que se refiram ao gosto, que alguns gostam de dizer que se educa mas que eu acho que, no máximo, se domestica; não obrigado!
Para um epicurista, cada comida, cada prato ou cada vinho, deve ser uma fonte de prazer e é isso que eles “devem ser” e “têm de ser” , que eu gosto de sal grosso sobre a gema do ovo estrelado e de vinhos que ninguém provou nem assinou, “do lavrador”.
Esta introdução para vos falar pela primeira vez de sushi, esse prato nipónico, mítico e hoje globalizado que começou por ser uma técnica de conserva de peixe em que este era envolvido em arroz cozido que, ao fermentar, ia produzir os ácidos que retardavam a decomposição do peixe. Hoje o sushi tornou-se numa técnica sofisticada e amplamente exportada para todo o mundo, onde muitos se rendem aos seus encanto, sabor e exotismo.
Do sushi gosto de quase tudo, embora em primeiro lugar do conceito, havendo alguns apontamentos mais acres (como o wasabi) que detesto em absoluto. Faço sushi muitas vezes, quase sempre adaptado aos sabores e ingredientes que me são mais queridos e culturalmente mais próximos e os resultados destas miscigenações Ocidente-Oriente costumam ser um êxito, como o foram estas experiências com sardinha em conserva, omoleta e presunto serrano.

 Ingredientes:

Arroz para sushi
Alga Kombu (facultativa)
Vinagre
Açúcar
Sal
Alga Nori
Sardinhas em conserva
Omoleta
Presunto serrano
Rebentos de cebola
Pickle de pimento vermelho

-Para o molho Teriaki:
Molho de soja claro
Vinagre
Açúcar amarelo
Gengibre fresco
Cenoura
Cebolinho

Preparação:

A operação essencial para a obtenção de um bom sushi é a cozedura do arroz, pedra de toque de qualquer sushi, sejam os rolinhos em Nori, em papel de arroz, prensados ou até comprimidos no côncavo da palma da mão. Usa-se para isso um arroz de bago curto, “japonês”, 
embora quase sempre cultivado no norte de  Itália nos mesmos campos onde se produzem os arrozes para risoto. 
Este arroz (ou outro de bago curto e gomoso, como o português Carolino) deve ser demolhado e muito bem lavado até o bago deixar de ser translúcido e passar a ser uniformemente branco. 
Escorra-o bem durante meia hora, junte-lhe um pouco menos que o seu volume (em seco) de água e um pedaço de alga Kombu, leve-o ao lume até ferver e deixe-o depois, tapado e em lume mínimo durante cerca de dez minutos. Apague o lume, sem destapar e deixe outros dez minutos.
Passe o arroz para uma tigela, de preferência em madeira, molhe-o com um molho constituído por vinagre de arroz (ou vinagre de vinho diluído), sal e açúcar e vá mexendo o arroz para o soltar e molhar de modo uniforme. 
Ao mesmo tempo, com um leque, abano ou mesmo uma ventoinha, vá secando o arroz até que ele fique seco mas pegajoso. Reserve mas nunca no frigorifico.
Para fazer os rolinhos de sushi, estenda uma folha de alga Nori numa esteira de bambu (ou algo assim flexível), 
espalhe sobre esta uma camada fina de arroz e aquilo que quiser que seja o recheio do rolinho, aqui pus sardinha em conserva e rebentos de cebola muito tenros, 
noutros presunto serrano, 
noutros omeleta e pickle de pimento vermelho, 
mas pode pôr o que quiser, peixe fresco cru ou marinado, carne, ervas, rebentos, salmão fumado, etc.
Enrole apertando de modo a que o arroz adira entre si 
e forme um bloco e fique formado um rolo comprido.
Corte em troços com cerca de dois centímetros com o auxílio de uma faca extremamente afiada e molhada em água a cada corte. 
Disponha os rolinhos 
e sirva com molho Teriaki, que se faz fervendo água, açúcar amarelo, sal, vinagre, molho de soja claro, um pedaço de cenoura, outro de gengibre e cebolinho ou alho, 
até engrossar e ficar com consistência xaroposa.
Pode usar também os acompanhamentos tradicionais japoneses que são o wasabi e os pickles de gengibre.