metapoesia, existencial, filosófico
Li sua lista de coisas para fazer
antes de morrer.
Seus lembretes.
Sua agenda.
Seu roteiro.
Divertidíssima lista.
Divertidíssima essa urgência.
Divertidíssima essa angústia.
Divertidíssima pressa
de antecipar o final.
Cá para nós, meu amigo,
já não me faço concessões
ou me imponho desejos
pois tive de tudo um pouco
e até desilusões.
Instantes os tive muito,
instantes que não anotei,
instantes que se esconderam
entre um café e outro,
entre um silêncio e um beijo.
Não fui à Grécia.
Mas fui ao fundo
buscar este poema
perdido dentro de mim.
E me bastou.
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Cachoeirinha, 15/06/2025
Comentário
Neste poema, a ironia inicial — “divertidíssima lista” — age como porta de entrada para uma crítica sutil ao modo contemporâneo de quantificar experiências. O eu lírico desconstrói a lógica da “lista de desejos” em favor de uma vivência mais silenciosa, verdadeira e introspectiva. A viagem interior (“não fui à Grécia... mas fui ao fundo”) se apresenta como mais autêntica do que qualquer roteiro turístico.
Com um lirismo sóbrio e uma dicção firme, Listas é também um gesto metapoético: é o próprio poema que emerge do mergulho, do instante não planejado. E basta.