
Alguém bate.
Aqui dentro, aqui.
Alguém bate.
És tu,
tu novamente?
És tu que falas
por minha boca
enquanto durmo?
És tu que semeias pensamentos
que não desejo?
És tu que há tanto
me corrompes,
me acompanhas,
me aguardas,
me anseias?
És tu,
és tu que bates,
que me despertas,
que me adormeces,
que me trazes tais pesadelos?
És tu a encheres meu peito
com lama pesada de pauis?
Tanto pareces me querer,
tanta gula, essa tua,
que se desenha nesta muda dor.
És tu a me chamar?
Monja descarnada,
cantas assim, soturna,
embalando meu tempo
a escoar, escoar…
Pedro Luiz Da Cas Viegas
Cachoeirinha, 31/07/2025